Poesias

Quando tudo parece perdido ainda há uma chama


Nas emboscadas, em situações capciosas que a vida trama, tal um melodrama, o itinerário dos dias é o constante cambalear.

Quando a neve parece enregelar os sentidos, pelas cruezas sofridas, quando a lida parece sem valor, quando se perde o sabor, e sem sinal de melhora, então a hora parece fatal.

Heróis são todos aqueles que sobrevivem as agruras diárias, onde o inimigo invisível é a falta de parcos tostões, ou a indigência de afeto indizível aos borbotões. Heróis de valor em todas as artimanhas, nas batalhas tamanhas, onde contra se arregimentam forças broncas, onde o saber, o construir parecem desaparecer a golpes de artilharia, iguais a madrugadas frias. O destruir por prazer se faz brado forte, onde a angustia convive lado a lado com a morte indiscriminada nos campos de batalha, feito um lazer.

Uma vida nada vale, é lema, é emblema de tantos.

O exterminar virou o brado retumbante, homens e mulheres nada relutantes em costurar o avesso dos sentimentos, onde a destreza de manusear uma arma se encontra no meio do banco escolar.

Mundo surdo, sujo e hipócrita, onde o comércio ilegal se faz legalizado, onde a causa do defender-se pode render a falência, o nocaute de várias vidas ao dissabor. Mundo onde o sentido profundo se perde, onde a metralha se faz na recusa de migalhas, sem valor.

Homens sem lábaro, sem camisa, sem comiseração, saem às ruas sem sinal de bravura, sem sinal de esperança, onde a força do fuzil se cruza na bala não achada, mas na perdida no cruzamento, abaixo de um firmamento, num céu de anil.

Força que não se faz armada, vem despertar a caçoada, e na força tênue a descoberta que o desmoronar começou.

Cedo, muito cedo, crianças vis, seviciadas são enjauladas, é o fincar as guampas no inferno, e o grito estéril nada repercute na força bruta, na artilharia atroz.

 Ó Céus, para onde vamos todos nós?

 

 

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Comentários

  • Aplausos para você, querida Laís, por abordar nesse texto

    a dura, perversa realidade em que vivemos! É lamentável

    mesmo assistir a tanta falta de escrúpulos por pessoas que

    deveriam dar o exemplo para todos os que sofrem com a

    violência, a falta de misericórdia para com eles! Beijo!

  • É difícil ter esperança diante de uma realidade tão dura, tão apavorante. Quando se vive num mundo onde, muitas vezes, um tênis vale mais do que uma vida humana, ou, quando os governantes, que deveriam dar exemplos, desconhecem o que são ética, moral e decência, o quê dizer a jovens que vêm na violência uma fuga, uma desculpa para todos os seus atos.
    O que nos resta fazer é perguntar: Ó céus, para onde vamos?
    Excelente crônica, Lais! Bjs

    • Grata Marso, concordo plenamente com tudo o que aqui dizes.

      Bela noite!

      beijos querida

  • Uma importante e comprometida proclama nessta narrativa tão boa, um artículo, uma triste e forte crónica onde monstras tuda uma realidade escura, sem esperança... Horrorosa.  Todos somos hérois desde que nascemos, e sobreviver a estos infernos é toda uma odisseia...

    Bravo, Láis.

     A esperança nunca fuge.

     Obrigada por compartilhar, amiga da alma querida.

     Beijos com minh ´alma


     

    • Grata Princesa por tanto mimo e brilhante comentário!

      Bela noite!

      beijos querida

  • Magnifico Lais... Infelizmente esse é o retrato do mundo em que vivemos... Mas nao devemos perder as esperancas ... Parabéns!!
    • Grata Angélica, estás cheia de razão!

      Bela noite!

      beijos querida

  • Uma crônica muito verdadeira,amiga. Este mundo agora cruel, infestado de homens,mulheres e até crianças que não sabem por que estão aqui e para que, vivem nas ruelas da vida matando, estuprando e violentando não só corpos mas também nossos direitos civis, morais, éticos e religiosos. São tantas coisas que muitas vezes nos perdemos nesse emaranhado de loucura que está imperando em todo o Planeta. Vozes como a sua,amiga, é de que precisamos para rever nossos valores, perdidos que estão numa imensidão de porcarias e mais porcarias. PARABÉNS! Mil vezes parabéns,amiga. Um abraço carinhoso e que Deus não nos envie o que a humanidade há muito tempo já merece.

    • Grata Júlio por teu brilhante comentário, que vem em reforço as minhas palavras. Um texto de leitura um pouco desagradável, mas que faz parte do nosso cotidiano.

      Bela tarde!

      beijos querido

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