Fórum

Adm

>Manuel Maria du Bocage<

Essa dissertação cumpre o objetivo de homenagear Bocage por quem tenho convicta admiração. Homem de sentimentos desmedidos, irritadiço, insatisfeito com a ideologia político-religiosa, impulsivo e ciumento, inquieto, boêmio, desregrado. Poeta das ruas, dos botequins, das casas de prostituição, poeta maldito, lírico e satírico, insubmisso. Popular, o improvisador galhofeiro, o sonetista inimitável. Bocage vive na mente de todos, e no coração de muitos Portugueses. Manuel Maria du Bocage está à frente dos escritores do seu tempo, mas representa bem o Arcadismo pelo domínio do lirismo geral e amoroso de sua poética.

É preciso ir mais além para conhecer sua biografia e suas obras.

SAM MORENO

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Casa dos Poetas e das Poesias.

Join Casa dos Poetas e das Poesias

Enviar-me um email quando as pessoas responderem –

Respostas

  • Soneto 51- Bocage

    Sobre estas duras, cavernosas fragas,
    Que o marinho furor vai carcomendo,
    Me estão negras paixões n'alma fervendo
    Como fervem no pego as crespas vagas.

    Razão feroz, o coração me indagas,
    De meus erros e sombra esclarecendo,
    E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
    De agudas ânsias venenosas chagas.

    Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
    Mil objectos de horror co'a idéia eu corro,
    Solto gemidos, lágrimas derramo.

    Razão, de que me serve o teu socorro?
    Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
    Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.

    Manuel Maria Barbosa du Bocage

  • Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

    Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
    Quantas vezes, Razão, me tens curado?
    Quão fácil de um estado a outro estado
    O mortal sem querer é conduzido!

    Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
    Como que até regia a mão do fado,
    Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
    Depois com ferros vis se vê cingido:

    Para que o nosso orgulho as asas corte,
    Que variedade inclui esta medida,
    Este intervalo da existência à morte!
    Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;

    É lei da natureza, é lei da sorte,
    Que seja o mal e o bem matiz da vida. Bocage
  • Desconhecia, querido Sam!

     Qué bom.

     Algo que tenho em meu ADN éa cuiosidade...

     Em quanto poda, vou pesquissar sobre ele.

     Obrigadaaaaaaa

    Beijos e bela semana. 

  • Adm

    Parabéns, Sam! Por nos trazer a irreverência e sensibilidade de um poeta que foi um marco em sua época e, que até hoje, no deixa maravilhados diante de sua Obra.

    Morte, Juízo, Inferno e Paraíso

    Em que estado, meu bem, por ti me vejo, 
    Em que estado infeliz, penoso e duro! 
    Delido o coração de um fogo impuro, 
    Meus pesados grilhões adoro e beijo. 

    Quando te logro mais, mais te desejo; 
    Quando te encontro mais, mais te procuro; 
    Quando mo juras mais, menos seguro 
    Julgo esse doce amor, que adorna o pejo. 

    Assim passo, assim vivo, assim meus fados 
    Me desarreigam d'alma a paz e o riso, 
    Sendo só meu sustento os meus cuidados; 

    E, de todo apagada a luz do siso, 
    Esquecem-me (ai de mim!) por teus agrados 
    Morte, Juízo, Inferno e Paraíso. 
    Manuel Maria du Bocage
  • Adm
    Parabéns e obrigada Sam por compartilhar!! Bocage realmente é uma poeta fascinante e controverso... Muito a frente de seu tempo!!!!
This reply was deleted.
CPP