MEU PRIMEIRO CÃO

Dizem que do primeiro amor a gente nunca esquece

Com o primeiro cão acho que o mesmo acontece

Ela chegou às minhas mãos quando eu ainda era criança

Estava eu a retornar da chácara de minha avó

Trazendo farta colheita de um saco cheio de mangas

Num dado momento diviso um lindo cachorrinho

a  me olhar com interesse, do colo de bela menina

Quando cruzei seu caminho, a menininha indagou

O que levas dentro do saco, parece ter muito valor

Falei que eram apenas mangas, bem mais doces do que mel

Com olhar cheio de esperança, ela algumas me pediu

Eu de pronto refutei, dar eu nunca o farei

Mas se você desejar, podemos negociar

Interessada ficou e logo me perguntou

Que negócio  me propões?

De pronto eu lhe falei, troco as mangas que aqui trago

Por um simples beijo teu

Ela mui surpresa ficou e encabulada disse não

Insistente eu me firmei e em seguida lhe falei

Tenho outra proposta que logo vou te fazer

Em vez de um beijo teu, aceito este lindo cão

Ela risonha revelou, não é ele, ela é menina

Ela se chama Jupira e é a melhor amiga minha

Serei também seu amigo, farei ela te esquecer

Para minha grande surpresa, ela logo aquiesceu

E o negócio foi fechado pra contentamento meu

Saí feliz levando, enlaçada em meus braços

Aquela que ficou viva, em minhas lembranças pra sempre

Tendo comigo ficado,  até seus derradeiros dias

Companheira de infância, amiga de todas as horas

Mesmo que muitas vidas viva, ela nunca será esquecida

F.J.TÁVORA

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Respostas

  • “Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações.” (Sigmund Freud)

  • Os companheiros de nossa infância nunca são esquecidos. Eu tive muitos: gatos, cachorros, coelho, papagaio, enfim, cada um deles escreveu uma linda página de amor na minha história e, por isto, nunca foram apagados da memória. Adorei, Francisco! Bjs

    • Você é um anjo de candura. Sempre apresentando comentários generosos e percucientes. Muito obrigado.
    • Sendo um bardo amador, nunca digo inverdades; deixo as histórias fingidas aos poetas de verdade. Talvez você tenha gostado de meu modesto relato pela espontaneidade da narrativa e por retratar fato verdadeiro, ocorrido lá atrás, na inocência de minha infância. Fiquei deveras lisongeado com o seu elogio.
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