Río

.

Me deslizo sinuoso y serpenteante

en el abismo profundo de la historia.

.

Haces de luz...

Nubes tristonas, vacías,

dejaron su vientre en mi seno vital.

.

Baño la tierra sin descanso, silencioso,

ruidoso, manso, furioso, lento, rápido...

Soy río y me río con tanta estulticia.

Me pudres, me violas, me ensucias...

.

¿Qué más?

.

Regreso asistido -transparente lluvia-

congelada al caer por altas montañas

con la blanca quietud del sabor a nieve

derretida al calor de la fiel esperanza.

.

Renace mi pureza doblando senderos,

cañones cansados por mi caminar

insistente en vertientes de ocres placebos

verdeando riberas de vida inmortal.

.

En mi ciclo no enturbias origen ni meta

aunque sé que detestas dejarme fluir.

Soy superviviente de tu negligencia

y si tú sobrevives, es gracias a mi.

.

Nieves Merino Guerra

17 de febrero de 2017

 

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Respostas

  • Bela poesia! Sensibilidade e inferência frente aos problemas

    da vida! Bjs.

  • Seu poema, Nieves, é um chamado para reconhecermos no rio o próprio fluir da vida que é a nossa (motivo de lamentação) e a que deveria ser (como a do rio, motivo de exultação).Na descrição do rio, o registro da nossa impiedade. Daí o seu poema cumprir a sua natureza: despertar-nos da indiferença para a sensibilidade - função da poesia que você, poeta,, cumpriu magistralmente!

  • Maravilhoso e sereno deslize...   Linda poesia!   beijos e meu carinho   

  • Maravilhoso poema!Parabéns

  • Parabéns, poetisa, poema lindo, adorei. Abraços, paz e Luz!!!

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