Posts de António Portela (19)

AINDA QUE....

Todos já tivemos dias maus, dias que pareciam não chegar ao fim. já tive, tenho de vez em quando. Mas, ainda que tudo pareça negro demais, esse dia acaba, virá outro, não vale a pena desistir, por um dia ou dois mais cinzentos, outro dia virá.

AINDA QUE...

Ainda que eu diga,
não por descrédito,
mas, por cansaço, fadiga.
que hoje, pouco tive da vida,
que não foi meu, este dia.

Ainda que, por isso,
quisesse chorar, lamentar,
forçar uma tristeza,
que não é habitual em mim.

Ainda que, ao fechar meus olhos,
não visse, o que costumo ver.

Meus sonhos, me animando,
me chamando, saltando
de retina em retina.

Esses sonhos amigos,
de uma lágrima pequenina,
que costuma anteceder,
um rasgo de alegria,
a minha alegria.

Ainda que eu diga,
que tudo foi não,
que este dia, não foi dia.
Minha alma não acredita,
não habituei assim,meu coração

Meu coração, 
só sabe dizer, sim.

Ainda que eu diga,
não valeu a pena,
tudo valeu.

O Sol, que não brilhou,
a chuva, que não choveu,
eu, que por pouco,
deixei de ser eu.

Mas, tudo valeu.

Ainda que eu pense,
que eu diga,
não estive aqui,
eu estive.

Eu estive,
e feliz agora,
que ainda e,
apesar de tudo,
não desisti.

António Portela

 

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CADERNO VAZIO

Escrevi,
no meu caderno vazio,
um poema, para ti.

Escrevi,
durante muito tempo.
Relatando, pequenos,
mas importantes momentos,
que contigo vivi.

Ao escrever, sorri, chorei,
esqueci, lembrei,
de que era apenas, um poema.
Pequeno instante de inspiração,
como muitos que já tive.

Enxuguei as lágrimas,
esgotei as páginas,
meu caderno fechei,
e meu poema ficou livre.

Quando mais tarde o abri,
triste eu vi,
que o caderno,
continuava vazio.

Logo então compreendi,
qual foi a razão.
Pois o poema que escrevi,
com tão forte emoção,
voou com o vento, para ti,
fugiu das minhas páginas.

Esse poema, 
está escrito agora,
e eu leio a toda a hora,
nas linhas doces e mágicas,
desse teu coração.

António Portela

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NÃO TE ESCONDAS NUM BEIJO

 

Não te escondas num beijo,

que o beijo não é só, o unir das bocas.

Beija-me com beijos,

como se de palavras se tratassem.

Beijos esses, que falassem com sentido,

por entre a humidade de teus lábios.

 

Beija-me a pedido do Coração

e nunca sem haver razão.

Que um beijo sem razão não é nada,

ou pode até trazer disfarçada,

a indiferença ou a traição.

 

Beija-me com beijos de flores,

de aromas e sabores,

pois que o Amor é iguaria.

E, não te esqueças que à noite,

beijar assim é dar às Estrelas,

razão pela qual brilham elas,

mais que o Sol ao beijar o dia.

 

Não te escondas num beijo.

Beija-me,

mas faze-o com alegria.

Deixa que teus lábios sorriam

e que ao beijar declamem,

um poema de Amor escrito,

feito de um beijo terno, bonito,

composto pela mais linda poesia,

pelo mais terno desejo.

 

Beija-me,

mas não te escondas,

nesse beijo.

 

António Portela

 

 

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NÃO VOU DIZER ADEUS

 

Sei que iremos estar

para sempre juntos.

Não haverá despedida,

não haverá um adeus.

 

Direi, até logo, com carinho,

pedindo que o meu novo caminho,

permita que não me esqueça nunca

dos carinhos teus.

 

E não haverá adeus,

nem despedidas tristes.

Deixarei apenas

de existir num Mundo,

mas partirei para outro,

onde tu, ainda existes.

 

Sem despedidas tristes,

que de minha vida

só quero levar a alegria,

a nossa canção

que se fez eterna melodia,

para que tudo possa renascer

depois da partida.

 

Sei que esse dia virá,

a todos está destinado.

Deixarei meu Amor por cá,

mas levarei a essência,

da tua imagem e presença,

para um Mundo que desejo,

ser lindo e encantado.

 

Do Céu, te mandarei flores,

em forma de agradecimento,

pois fizeste de toda a minha vida,

um único momento.

 

E, por até ao final

deste meu tempo,

me sentir por ti,

o Ser, que de todos os Seres,

foi o mais amado.

 

E estarei contigo assim,

longe de tudo,

perto de tudo,

em qualquer lado.

António Portela

 

 

 

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NÃO TE TROUXE FLORES HOJE

Não te trouxe flores hoje.
Vim de mãos vazias,
olhando só as pedras frias,
onde tu já não existes.

Não te trouxe flores hoje.
Mas dou-tas em pensamento,
assim como a todo o momento,
o meu abraço também te dou.
Um abraço lembrando outros,
menos tristes.

Não venho aqui 
para me lembrar de nada.
Sei de cor todo o caminho,
aquele que para trás ficou.

Não venho aqui,
para lembrar a madrugada,
em que teus olhos se fecharam,
teus respirares acabaram
e só o teu corpo restou.

Não te trouxe flores hoje.

Nem lágrimas para a tua campa


Trouxe-me a mim,
sangue do teu sangue,
corpo do teu corpo,
E uma saudade,
meu Deus, esta saudade,
que já é tanta.

Desculpa,
não te ter trazido flores.
Por acreditar,
que estejas onde estiveres,
terás um jardim só teu,
plantado num cantinho do Céu,
de onde uma Rosa agora cai.

Não te trouxe flores.
Mas levo esta Rosa
com o teu nome escrito,
a imagem de um sorriso bonito,
aquele que sempre tiveste...Pai.

António Portela

 

 

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COMO PASSAROS SOLTOS

 

"Nunca te escondas entre algo para fugires de tudo.

Voa, como os pássaros soltos voam e vê a vida lá do alto,

do topo das arvores, do alto da mais alta montanha,

tendo o Céu como fundo, tendo a vida, a tua vida, como objetivo"

 

 

Pergunto-me..

que sentir o teu?

Para onde pensarás ir?

Se é que o pensas.

Pois aí estás..

Aí ficas.

Aí vives, já morto.

Aí dormes já acordado.

Aí não sonhas,

pois julgas teus sonhos

já terminados.

 

Pergunto-me,

se não gostarias de ir

onde os pássaros soltos vão?

Se não gostarias de ter Alma

e ela por si, Coração..?

Se não gostarias de ter companhia

para além da solidão?

Aquela solidão que te mata,

que se agarra a ti,

que nunca se farta

 

Vem,

para onde os pássaros soltos vão.

Para onde voam todas as esperanças

e os sonhos de um Coração.

Que ainda lembra

e guarda com saudade,

o sonhar de quando criança.

 

Voa,

para onde os pássaros soltos voam.

Para onde terás sempre razão.

para uma razão de viver

e nunca mais te perderes da Esperança

 

Pergunto-me,

Que sentir o teu?

Quando descobrires que afinal há vida,

que também já és, um pássaro solto

e que o outro sentir que tinhas,

depois de te descobrires,

depois de outros sentires,

esse sentir, ficou morto.

 

Voa então..como um pássaro

Que se quer sempre solto

 

António Portela

 

 

 

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LEMBRA-TE

LEMBRA-TE

Lembra-te,
de cada vez que teu coração bate. 
Lembra-te, da vida.

Lembra-te,
que o bater do teu coração 
te indica o caminho,
procura-te um destino,
mostra-te uma saída.

Lembra-te,
de que a chuva 
não cai por acaso,
de que o Sol 
não brilha sem razão.

Lembra-te,
de que os teus passos 
não são dados 
sem um fundamento.

Lembra-te,
de que é a vida
a dar-te um sinal,
a pedir-te um abraço.

De que é a vida a dizer-te,
para te servires do coração. 
Para aprenderes 
até com os teus fracassos. 
Para seguires, com liberdade 
os teus pensamentos.

Lembra- te,
que podes e deves dizer não,
à tristeza, à dor, 
aos desesperos.

Aprende todos os dias 
uma nova canção. 
Que ela fale sempre de amor.

Depois canta-a, grita-a.

Lembra-te,
de que toda a mais 
pequena esperança 
pode afastar os maiores medos.

Lembra-te,
de tu, seres tu 
e que ao afastares 
uma pequena pedra
sentirás pouco a pouco,
a força para removeres 
qualquer rochedo.
A Fé te dá esse querer.

Por fim, lembra-te,
ou então não te esqueças 
nunca, mas nunca, .
de viver.

António Portela

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PERDOA

Perdoa,
tudo o que não fiz.

Que me importa,
que te importa,
eu dizer agora,
que tudo posso ainda fazer.

Perdeu-se no tempo,
e seria nesse tempo,
o tempo certo
para tudo acontecer.

Os beijos de agora,
não substituem
a falta de beijos,
que na altura não dei.

O carinho de agora,
não desculpa
e não ocupa,
o vazio de carinho,
tudo o que te neguei.

Perdoa,
tudo o que devia ter dito.

Pois nada te prometi,
por medo de não cumprir.
Nunca quis só falar bonito,
seria feio, 
seria até mentir.

Perdoa,
se só agora,
é completo,
o nosso amor.

Pois que na falta
e até na dor,
ignorei que amar-te,
seria a única,
como hoje é,
a única solução.

Perdoa,
como eu perdoo
se não o fizeres.

Mas, que por ti
e se ainda o quiseres,
arranjarei maneira
de meu coração te agradecer.

Todos os dias,
com novas alegrias,
com novos beijos,
com novas promessas,
com tudo, o que mereças.

Perdoa,
tudo aquilo, 
que nada foi,
e que hoje dói,
só de pensar.

Perdoa tudo,
até aquela forma distraída,
pouco sentida,
mas que foi aquela,
com que eu soube te amar.

Perdoa,
se ainda
me quiseres perdoar.

António Portela

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SEGUE MEUS LÁBIOS

E no seguimento de poemas de amor, pelas mulheres, por uma mulher. Aqui fica este escrito para oferecer à minha esposa.

Um dia muito feliz assim como têm que ser todos os outros dias , para voçês mulheres, maravilhosos seres humanos.

SEGUE MEUS LÁBIOS

Repara em mim,
segue meus lábios.

Deixa-me dizer-te
todas as razões,
pelas quais,
me fazem pertencer-te.

Segue meus lábios.

Que não te vão beijar
de forma natural.
Não agora,
que só se mexem
para que as minhas palavras,
as que saem silenciosas
do meu coração,
sejam lidas por ti.

Repara então em mim
e, todas as razões
que tenho e sempre tive
para te beijar
serão ditas também elas,
em forma de um beijo.

Suave mimíca,
que esta alma inventou.
Maneira diferente
de te dizer que te ama.

E, é para lá de qualquer desejo,
que sempre te amou.
Para lá de qualquer
simples beijo.
Muito para lá,
de uma simples chama.

Lê meus lábios então,
presta atenção por favor,
é meu coração a falar.

Fecha os olhos a seguir,
põe teus lábios a sorrir,
e agora, agora amor,
já me podes beijar.

António Portela

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MULHER

Mesmo quando choras,
mesmo assim,
és linda.
Nem a tristeza
te rouba a beleza.
desse teu Ser de Mulher.

Magia de uma Natureza
que se transforma
para oferecer
rebentos de vida.
E aí, 
és ainda mais linda,
és ainda mais Mulher.

Voz da ternura,
que enche de melodia
qualquer momento.
Seja no amor da noite,
na labuta do dia,
no infinito que é teu tempo
és para todo o tempo,
Mulher.

Tão frágil, tão forte,
tão desejada,
tão espancada.
És guerreira
na pouca sorte,
na felicidade, és tão amada.

Suspeito eu sou,
pois encontrei há muito
o que queria.
Uma mulher, 
que sempre me amou
e o meu Ser que se encontrou
na chama desta alegria.

António Portela

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DE ONDE VÊM AS FADAS

Esses abraços,
pequenas chamas de ternura,
onde acalmo toda a bravura,
toda a loucura,
de um dia passado sem ti.

Esses carinhos
onde descanso,
onde morro de tanta vida,
por ti.

Nesses olhos,
meu Deus, esses olhos,
que fazem os meus se fecharem,
sonharem, brilharem,
num brilho que não existe.
Numa tonalidade que persiste,
nesta admiração tão grande.

De onde vieste tu
para além do ventre de tua Mãe?

Com certeza de outro além,
onde se inventam fadas,
princesas encantadas
e tudo mais que aqui não existe

No entanto é triste,
pensar que só uma vida terei.
Chegar ao fim,
e sentir que só ao longo
de uma vida te amei.

Tanto e tão pouco,
por este querer tão louco,
de tanto te querer meu bem.

Chamas de ternura,
em abraços de louvor.
Que admiração tão grande,
que faz meus olhos se fecharem.

E sonharem,
Sonharem...meu Amor.

António Portela

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OLHA PARA O TEU ROSTO

Olha bem, para o teu rosto.
Não reconheces nele,
não vês nele, não recordas dele,
todas as mágoas, as alegrias,
o começar, o findar dos dias,
o passado, o presente.

Olha bem, repara bem,
nesse teu rosto.

O que dizem teus olhos ao vê-lo
Diz-me, o que teu coração sente.
Ao veres teu rosto, agora tão diferente.

Mas, estás mais bonita que nunca.
Teu rosto fala-te da experiência,
de todos os momentos de vivencia,
da luta, da crença, da descrença,
da vida, pura vida.

Olha para o teu rosto,
olha com orgulho,
não te sintas abatida.

Foste mulher, és mulher,
e por tantos, ainda tão querida.

Tuas lágrimas,
têm caminhos escolhidos,
há muito já certos,
vincados, abertos, 
na pele que as acolhe.

E não há ninguém que não olhe
e não veja o que sofreste,
os sorrisos que a tantos deste,
os sorrisos que a tantos dás.

Olha bem para o teu rosto.
Não chores, não agora.
Foste passado, és presente.
Estás linda,
não te foste embora, ainda,
e, para muitos, 
concerteza, nunca irás.

Olha para o teu rosto,
não é um rosto qualquer,
é desenhado com rugas sim,
mas continua a ser,
um lindo rosto,
o rosto, de uma mulher.

António Portela

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TODA AMINHA PAIXÃO

Ausente?
Alheio? 
Não, apenas atento,
apaixonado,
entregue à vida,
aquela que me recebeu.
Agradecido a ela
por tudo o que me deu,
feliz por saber
quem afinal sou eu.

Apaixonado,
pelos olhos de um cachorro,
que apenas carinho pede.
Pelo ronronar de um gato,
que por carícias se entrega.
Pelo cantar de um melro,
que agradece,
as migalhinhas dadas.
Pelas flores, 
que seu néctar dispôem,
num festim de cores,
de estética, de amor,
e, tudo o resto são nadas.

Apaixonado,
pela odisseia de um Rio,
que tudo enfrenta em desafio,
por tanto amor ao Mar.
Apaixonado,
por ti, minha Musa,
que me dás alento,
melhorias no meu tempo
para escrever e ser assim
e também por ti me apaixonar.

Apaixonado,
sim, sou apaixonado.
Ao ver que o Mundo se entrega,
da mesma maneira,
que a ele me entrego eu,
com toda esta paixão,
por tudo o que dele vem,
que guardo bem para mim,
neste habitáculo
forrado a cetim,
onde apaixonado fala,
meu coração também.

António Portela

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TERCEIRA IDADE

A natureza, transborda de cor, de beleza.
Mesmo até, quando parece morta.

Mas, é outra, a natureza de que vos falo.
Aquela, que poderia ser bela,
mesmo que a idade dela, 
não a permitisse assim brilhar.

Essa natureza, que a todos bate à porta.

Podemos nos sentar, num banco de jardim,
pensando, no tempo que passou.
Qual a razão, porque tudo acabou?
Quando, nas mãos, nas nossas mãos,
parecíamos ter tudo, até, o próprio Mundo.

Fomos um rio, cheio de vida.
Corremos como ele,
também nós, com o mesmo objectivo,
alcançarmos o nosso mar, a nossa realização,
a nossa felicidade.

Foi tudo verdade.
A nossa vida foi toda uma verdade.

Qual a razão então, de ficarmos assim,
tão parados,tão desprezados,
apenas porque a idade nos atraiçoou,
nos trouxe algumas doenças,
muitos esquecimentos,
até alguns divertidos momentos,
tudo, tão natural, de acontecer.
Somos idosos, faz parte.

Mas, continuamos a ter vida,
só mesmo a idade nos mudou.

Porque temos de caminhar sózinhos?
Amparados a ninguém.
Até parece, que a vida não tem,
mais espaço para nós.

Não fossem as lembranças da nossa vida,
aquelas, de que ainda nos lembramos.
Das velhas esperanças,
de quando éramos crianças,
das outras crianças, que tratámos
com tanto amor,
e estávamos, completamente sós.

Porque razão, só as flores,
as mesmas flores de sempre,
brilham ainda, nas nossas mãos?

Porque não brilha, por um bocadinho só,
a nossa vida também?

Somos Pai, Mãe, somos agora Avós,
que mal isso tem?

Porque nos tratam assim com desdém?

A morte só terá de vir,
quando a vida se for também.

Até lá, continuamos a ser alguém.

Nossas mãos, agora envelhecidas,
abraçam-se uma à outra, parecendo falar
das feridas antigas, abertas durante a labuta.

Trabalharam tanto, acariciaram tanto,
pediram tanto, oraram tanto, e Deus,
deixou-as apenas, uma com a outra.

Podemos ao menos, passear juntos, 
com quem sempre nos quiz?
Com quem ainda nos queira?

Ajudem-nos ao menos, a não termos
de passear sózinhos.
A não acabarmos sózinhos.
A continuarmos a ser, uma flor que brilha,
assim como a outra flor, 
que nasceu junta às nossas mãos, 
a que se chama, vida.

Dêem-nos um pouco de carinho, de atenção,
enquanto Deus permitir, enquanto Deus quizer,
que bata simples, mas bata, o nosso coração.

António Portela

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NÃO SÃO SÓ PALAVRAS

Não são só palavras,
as que saem suavemente
do teu fundo.


Não são só palavras,
são carinhos,
que transformo em letras,
letras que me atiram
para este meu Mundo,
recheado de magia,
onde esqueço
o outro Mundo.

Bendita poesia
que me fez conhecer
todas as palavras,
todas aquelas,
que falam de amor.

Bendita poesia,
que coloca alegria
como que numa dança
há luz do dia,
nestas letras
que dançam para ti.

Não, não são só palavras,
que essas, leva-as o vento
e não as trás mais.


Agora, as que saem
com este sabor
a brisa de Mar,
a cheiro de Luar,
a Estrela que sorri,
a essência de ti.

Estas sim,
posso colocá-las no papel,
recheá-las com flores e mel
e um pouco da tua alegria.

E assim fica,
desta maneira
que acho tão bonita,
as palavras, as letras.

Bendita poesia.

António Portela

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LÁGRIMAS

Ajudem a afastar a dor de quem não a consegue combater.

LÁGRIMAS
Beijando essas lágrimas
dizes às tristezas, para irem.
E, as lágrimas assim brilham,
transformam-se em sorrisos,
mesmo antes, de no chão cairem.

Beija as lágrimas do teu Amor,
do amigo a quem queres tanto bem,
do abandonado, que não tem ninguém,
do que não tem casa,
que não sabe o que é um pouco desse calor.

Beija as lágrimas de quem sofre,
de quem perdeu e conhece a morte,
de quem doente ainda pode sorrir
e afastar a dor.

Beija as lágrimas e ama.
Acode sempre a quem te chama,
mostra que sabes,
que conheces muito bem o amor,

E as tuas, as tuas lágrimas,
transforma-as em lindos cristais,
em alegrias em vez de ais,
em vida, que espalha louvor,
em caminho de pedras afastadas.

Beija as lágrims de quem sofre,
e sentirás que as tuas,
provarás que as tuas,
ao cairem, serão agora doces,

nunca mais serão salgadas.

António Portela

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MÃOS PEQUENINAS

MÃOS PEQUENINAS

Parecia não estar pronto,
não tinha ideia, desconhecia.
Era mais uma prova,
uma coisa nova,
mas donde vinha
tanta alegria?

Ser Pai, sou Pai,
pensei para comigo,
sem ter ainda no sentido,
o que fazer, como fazer..?

Nada, só alegria.

Olhava para ti e via,
um Ser desprotegido,
que não trazia nada consigo.

Apenas um sorriso,
que me encantou
e que desde cedo,
ao meu Coração indefeso,
falou, tocou e Amou.

Tuas mãos pequeninas,
teus olhinhos pestanudos,
os meus admiravam,
e já me diziam tudo.

Proteger-te,
foi a minha única vontade.
Nessa estranha e bela realidade,
a que eu logo me acostumei.

Tudo de mim eu dei,
logo no primeiro minuto.

Pensei, claro que pensei,
ir lá fora, trazer-te o Mundo.
Dar-te a prova de que, 
desde o primeiro segundo,
tanto, mas tanto eu te amei.

Protecção talvez Divina
que Deus Incutiu em mim.
Pois ainda hoje, quando choras,
minha Alma chora também,
fica triste, por te ver assim..

Dei-te tudo, o que poderia dar.
Até pedi ao Luar, que te encantásse,
todas as noites.

Ás Estrelas, pedi uma delas,
que no teu berço coloquei.

Para ver um sorriso teu,
tudo à Natureza pedi,
até no Céu escrevi,
até o Céu, eu te dei.

E continuo assim, aqui,
A teu lado para te proteger.

Hoje sei, que ser Pai,
não tem nada que saber.

É olhar por ti, toda uma Vida,
e quando chegar minha partida,
poder dizer ainda,
lembro-me, de te ver Nascer.

António Portela

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AS PEDRAS DA NOSSA CALÇADA

AS PEDRAS DA NOSSA CALÇADA


Segui teus passos, percorri teus caminhos,
tuas estradas, nossas calçadas,
por onde tantas vezes, te levei a passear.


Como te tinha prometido, passearias comigo,
de mãos dadas, numa calçada feita só para nós.
Calçada, com pedras de várias cores, vários desenhos,
várias direcções, das quais não pudeste seguir nenhuma.


Agora, sinto-me limitado, por essa vida deixada para trás.
E tantas que foram essas coisas, que o meu tempo,
não consegue apagar, como eu e tu, e aquela calçada,
que nos viu de mãos dadas, apaixonados até no andar.


Segurei tua mão durante tantos anos.
Arquitectei por ti, tantos, e tão maravilhosos planos.
Quero no entanto, continuar apaixonado,
mesmo na tristeza em que me deixaste.


Porquê, tão cedo?
E sempre foi esse o meu medo.
Que a felicidade me trouxesse a conta,
por ter abusado dela, e como abusámos,
quão felizes nós éramos.


Porquê pagar então, quando esse amor,
estava carregado de sentido, estava cheio de razão.


Todos os dias, continuo seguindo teus passos,
ou talvez sejam os Dele, que te carrega agora,
já não podes andar.


Terrível distracção a minha, que nunca com Ele falei,
nunca Lhe disse, que eras minha, nem sequer lhe agradeci.
E, agora, grito, para que te traga até mim.

Que distracção a minha, não te ter protegido assim.

Que bonita, esta calçada.
Foi o que restou de tudo, mesmo junta ao nada,
e ao vazio de não te ter mais.

Na mão, que não me dá mais a mão. Na falta da presença, da tua presença,
que insiste em me ver caminhar sozinho.
No destino daqueles planos, que ficaram sem caminho.


Nesta calçada, onde as cores das pedras
é só uma agora, levaste as mais bonitas contigo.


Os meus únicos sonhos, os mais agradáveis momentos,
são aqueles em que mantenho toda a minha insanidade.
Talvez, por só assim, te ter a meu lado, abraçada, embora calada,
como sem voz e sem cor ficaram,
as pedras, da nossa calçada.

António Portela

Saiba mais…
CPP