Posts de Carol Brito (4)

Hoje eu recebi flores

Hoje eu recebi flores, um lindo buquê de rosas vermelhas.
Elas deveriam ter alegrado a minha manhã, mas não deu. Eu não estava "no clima".
Ontem eu tive uma tarde pesada, um dia duro... uma noite de reflexão.
Hoje o dia não havia começado muito bem, então eu recebi flores.
Um doce amigo, por quem tenho muito apreço, as enviou para mim na tentativa de que me consolassem por minha perda de ontem.
Coitado! Ele tinha as melhores intenções, mas depois de ter refletido durante toda a noite, as flores que recebi só serviram para me entristecer ainda mais.
Estive pensando e relembrando de muitos dos momentos que vivi até hoje. Me lembrei de alguns bons momentos, mas me lembrei mais ainda dos maus momentos (lógico, eu havia sofrido uma derrota grande naquela tarde).
Mas notei, em algum momento, um padrão: em todos os bons momentos dos quais consegui me lembrar, eu estava companhada; fosse de um amigo, um amor, um parente, um familiar... fosse de quem fosse, mas nunca sozinha. Mas em todos os maus momentos, nos mais difíceis, nos mais tristes, nos de dúvidas e incertezas, nos de revolta, nos de mais aguda depressão... em todos esses eu sempre estava sozinha.
Notei que sempre que busquei apoio eu nunca o encontrei, e fui obrigada a lidar com a desolação de estar em queda e com o desequilíbrio de não ter apoio algum sempre sozinha. Sozinha.
Percebi que por mais que eu queira e tente me enganar, por mais que eu tente mascarar sentimentos, é assim que me sinto na maior parte do tempo, sozinha.
Mas hoje eu recebi flores e vi que talvez exista alguém que queira estar ao meu lado para me dar apoio.
Mas eu logo refleti e vi que se de alguma forma esse meu amigo acabar ficando ao meu lado, será por um breve espaço de tempo, como sempre foi, como tudo em minha vida, como todas as breves alegrias que tive.
Pensando mais um pouco e conversando sobre isso com uma amiga, eu cheguei à conclusão de que, se eu pude passar por todas as grandes tribulações de minha vida sozinha, então posso e devo buscar a minha felicidade sozinha.
Loucura? Talvez. Nunca fui muito sã mesmo.
Mas ao pensar sobre isso, fechei os olhos e me senti em paz.
Sim, é claro que sei que ninguém mais além de mim pode ser responsável por minha felicidade. Nunca quis isso. Nunca joguei a minha felicidade no colo de ninguém e disse "toma. Cuida dela aí pra mim". Mas eu sempre imaginei felicidade acompanhada. Sempre imaginei que felicidade deveria ser partilhada e compartilhada, mas absorvi a experiência de que não é bem assim que as coisas funcionam não.
Eu sempre imaginei que quem me ajudou a carregar a minha cruz, também fosse merecedor de carregar minhas flores junto comigo. Opa! Quem me ajudou a carregar minha cruz mesmo?? Ninguém.
Então percebi que quem nunca dividiu o peso de meus problemas comigo, também não merece ter flores para carregar quando eu as receber.
Flores têm espinhos, e ninguém merece se arranhar nos espinhos das flores que outra pessoa recebeu.
Hoje eu recebi flores, não as flores da vitória, mas as flores que são dadas como prêmio de consolação.
Talvez a vida nada mais seja do que uma flor, que é bonita e cheirosa, mas que é cheia de espinhos e que rapidinho perde a cor e o perfume, resseca e morre.
Aceito o meu destino. Lutar sozinha, perder ou ganhar sozinha, viver sozinha, morrer sozinha. Sempre foi assim e assim será sempre.
De todas as vezes que estive no fundo do poço, nunca houve alguém que fosse lá para me retirar, ou que me atirasse uma corda. Mas pessoas para jogarem terra e me enterrarem viva... isso nunca faltou. Mas sempre fiz como o cavalo da estória que ouvimos as pessoas contando. Sempre usei a terra para ir subindo, pouco a pouco, até sair do poço. Mas só para tropeçar logo em seguida e mergulhar ainda mais fundo em outro poço que estivesse um pouco mais adiante.
Tentei ser como a fênix e renascer das cinzas, mas voaria para quem depois de renascida? Melhor seria não mais morrer... ou morrer e assim permanecer.
"É preciso que eu suporte duas ou três larvas, se quiser conhecer as borboletas" disse a rosa ao Principezinho.
Foi justamente quando a rosa se viu sozinha que ela teve forças para não mais usar a redoma, quis ver as borboletas, deixou de ter alguém que a protegesse.
Talvez eu, assim como a rosa do Pequeno Príncipe, tenha minha força na solidão. Talvez seja essa a fonte da minha força. E talvez eu só nunca tenha conseguido enxergar isso.
Aceito o meu destino. Sozinha hoje, amanhã e sempre.
Suportarei minhas larvas sozinha, assim eu poderei ver o bailar das borboletas. Que o vento as tire para dançar e que me façam um belo show. Serei a única expectadora da platéia, mas serei feliz assim, sozinha.
Hoje eu recebi flores que foram o meu prêmio de consolação, mas que são minhas, e que somente eu devo carregá-las, me arranhar em seus espinhos, protegê-las e cuidar até o dia em que elas virão a morrer.
Assim é com as flores, assim é a vida.
Assim é a minha vida.

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Passou do Tempo. O tempo passou...

Revendo fotografias... que saudade!...

Mas passou. Passaram momentos, passaram as pessoas, alguns sentimentos passaram enquanto outros permanecem vivos (e desconfio que têm 7 vidas ou mais, assim como os gatinhos).

Mas os retratos... ah! Esses ficaram.

Momentos findos de épocas felizes que não mais haverão de voltar...

Se me for permitido uma paráfrase, na parede de minhas memórias, tais lembranças formam o quadro que mais me dói olhar.

Mas eu ainda o olho, ainda que de olhos fechados, e me lembro...

Talvez seja feliz por um breve momento só para cair no pranto em seguida.

"Passou do tempo. Passou.
E só o retrato ficou".

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CPP