Posts de Edvaldo Rofatto (52)

HERMETISMO

hermetismo-Vejo frutas de cera na mesa, E me vem nos ares aroma de manga Do quintal da velha casa da infância Para sempre liberta da canga do tempo. Não há engano: quintessencial, Impõe-se no meu pensamento O etéreo mundo abstrato e real. Reconheço…
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CORDIAL

CORDIAL

Deixa-me como tributo um abraço,
Que o beijo moço o tempo desconta
Da velhice deste coração lasso
Devoto ao sonho que a razão confronta.

Em silêncio e distância é que refaço
Canto e comunhão do que foi sem conta,
E exuma o passado o futuro passo
Que irá do escuro ao claro que desponta.

Depois, braços em curvas paralelas
Para o traço de outra geometria
Formarão quatro luas nas janelas

Dos olhos abertos a um novo dia
E eis que luz solar entrando por elas
Fará do peito ateu uma abadia.

(E. Rofatto)

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REMINISCÊNCIAS

REMINISCÊNCIAS

     Mais clara a manhã que a sala, quando ela chegou.
     A senhora no sofá. Cabeça e ombros baixos. Álbum no colo. 
     Ergueu pesadamente o rosto.
     - Gosto das suas fotografias antigas... Tudo tão real...
     A moça, muito pintada, pouco vestida, perturbou-se.
     Dobrou os joelhos, aflita, apertou o braço da velha.
     - Eu fui uma boa menina, não fui? Não fui?
     E o seu reino de ilusões ruíu no colo da sua mãe.

(E. Rofatto)

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FILHO

FILHO            (Plêiades - CPP)

Forjo em mim seu semblante,
Fôlego de amoroso sentimento
Fecundando o sentido da vida
– Frêmito vibrando o diapasão
Fulcral da sintonia pretendida:
Força do que sou na sua floração,
Fruto serei do que o Vô foi semente.

(E. Rofatto)

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DICOTOMIAS

DICOTOMIAS

Sol desmanchado
No céu das águas.
Eu olhava longe,
Catando sonhos
Como se catam conchas
À beira do mar cantante
Com suas manadas desabaladas
Agitando brancas franjas
E resfolegando ventas iradas
Em espasmos de fúria
Dissoluta em bolhas de espumas.
Eu ficava carregado de nadas.
Os sonhos eram conchas vazias.
Eu supunha reinos de fadas
Onde só canto do caos havia.
Outras manadas abriram asas noturnas,
Galoparam de encontro à luz,
Sacudiram franjas escuras,
E o mar sobreposto jorrou
Pérolas sustenidas
Sobre as areias
Onde caíram
Promessas
Partidas.

(E. Rofatto)

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Carpe Diem

CARPE DIEM*

Vençamos os muros,
Sem voos, sem asas,
Sem pejo que atrasa
O prazer que te juro.

Vivamos o agora
Sem aceitar pôr
Entre folha e flor
As longas demoras.

Sussurro e gemido
De dor ou de gozo
É bem duvidoso
Durar nos ouvidos,

Mas ficam na mente
Gravados a fogo,
À força dos brotos
De velhas sementes.

(E. Rofatto)

* carpe diem: expressão latina cujo significado é "aproveite o dia", viva o presente intensamente.

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VOAR

VOAR       (Plêiades - CPP)

Viajante em voo sem asas,
Vejo a imagem que penso.
Várzea e planalto múltiplo
Venço de olhos fechados.
Volante nos quatro elementos,
Voltei ao meu reino rútilo,
Vasto Eldorado de dentro.

(E. Rofatto)

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DESAPEGO

DESAPEGO

Porque a vida
Mostrou-me
Seu ritmo absoluto,
Já não me satisfaz
Postulado do mundo.
Quero alcançar a inefável
Harmonia regente de tudo,
Até de quem, a qualquer revelia,
For extravagante contrassenso
À disposição anímica de ser mero,
Ínfimo, desimportante até o cerne,
Para que, a seu tempo, venha saber
Que, do fim ao começo, se mais humilde,
No todo recompõe-se de modo mais imenso
Quem se aproxima de Deus, Que se apresenta só
Quando se profana a insustentável arrogância humana.
E, depois, nessa alta condição mínima, ter por mais bonita
Sua nova história se escrita por outra mão que não a própria
Para vivê-la com a aceitação dos que rejeitam qualquer presunção.

(E. Rofatto)

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Inefable.
.
Lo inefable se muestra
en el silencio de la mirada
profunda, dialéctica, encantada
desatando experiencias y certezas
que sabemos raramente comprendidas.
Ya no asusta la carencia ni la duda apasionada,
no nos mueve el temor blasfemo de otra increencia,
porque la Certeza desvanece por completo la inocencia
y la fe es solo eso: otra empinada y larga cuesta innecesaria.
Se hace piel en nuestra piel, sin ser locura, ceguera ni aislamiento
No es confianza en lo que dicen, cierta o incierta filosofía trasnochada
en parábolas , imágenes, cuentas y cuentos embebidos con parlanchines.
Es sencillo, es coherente. Es la Paz con el Amor y nos habita en los adentros
sin dudarlo, sin temores obsoletos ni acuciantes. Timoratos. Es sonrisa permanente.
...
Nieves Merino Guerra
07-09-2017

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(Deixo meu abraço e gratidão a Nieves, que muito me honrou fazendo parceria comigo

ao colocar o seu talento e a sua sensibilidade nesses versos de apurada sintonia.)

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ÚMIDO

ÚMIDO*
(Plêiades - CPP)

Úmido olhar do céu derrama
Unção da prece noturna.
Utopias hão de nascer
Ultimando de beleza
Usinas de amanheceres
Urdindo o cotidiano
Unânime na luz do seres.

(E. Rofatto)

* texto advindo de uma interação com Edith Lobato, a quem deixo meu abraço!

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CPP