Posts de Elisa Salles (26)

PRECE ( PROFANA?)

Quando toca-me a pele ardente em brasa Com tuas mãos de mármore e veludo... Ainda não me exiges nada_ Dou-te tudo. Finco-me no corpo teu_ Minh'alma cria asa. És a personificação das minhas fantasias
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UM FIO APENAS...

Há um fino fio a segurar o amor de minha vida...
Tão tênue quanto o amanhã _ Anseia e apavora
Nada ampara. Nada jura. É emaranhar de dúvida
E meu Deus, este "talvez" consome e devora!

E apesar desta perplexidade, vive,fiel a si mesmo
Alheio à indiferença constante, má e impiedosa
Num acalento de doçuras, ao vento e a esmo...
Sentimento que sangra ao espinho.Cuida a rosa.

É insubmisso. Acalenta, só, toda a larga devoção
Enquanto voam gaivotas sobre um mar de sonhos
Tortura a alma. Desejos da voz, do toque_ Canção!

E os dias, voam loucos de encontro à cousa alguma
Tempestades de saudades arrastam todos os risos
Um fio de seda à sustentar,só, um mundo de ternura.

Elisa Salles
( Direitos autorais reservados)

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A MORTE DOS SONHOS



Já despi as utopias do meu eu quebradiço
Já descalcei minhas esperanças 
Já borrei a pintura da aquarela
Já desdenhei das tardes de mar e sol
Já esqueci-me de me deslumbrar com a vida.

Sonhos são cristais que se estilhaçam
Não há uma forma de remenda-los e se por acaso
o fizer, jamais serão como antes.
Despedaçaram-se meus sonhos
Ei de cola-los novamente?
Não
... Estão perdidos nas sendas do tempo!
Numa certeza abismal de quem já não pode querer o riso
Perplexidade ante o desdobrar de toda uma vivência
Estupefação diante da conclusão de quem nunca sentiu o amor
Apenas a sombra de sentimentos ambíguos
Mascarados de carícias de mãos frias no rosto 
e toques sem calor nos cabelos amaranhados...

Não
É tarde!
É tarde demais para buscar imagens oníricas nas minhas noites
Deixem que a penumbra se apodere do recinto úmido
e que apenas o poema voe.
... O poema é livre prá sonhar
Eu não.

Anna Corvo
(Heterônimo de Elisa Salles)
(15/12/2017)
 
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O CANTO



Canta o Uirapuru no galho da castanheira
Canta a virgem de saudade do mancebo
Canta o amante em fiel segredo
Canto eu meus versos
Espalho-os pelo universo
Sem pretenção de ser poeta
Vou em linha reta e
apenas canto...
... E por onde anda meu encanto?
Perdeu-se em algum canto
Das noites mal dormidas
Do beijo que não veio
Do jardim sem floreio
Da dor do desengano
Do desamor cruel e profano.
Canto eu em poesia
Adormece a agonia
Engana a noite fria
Palavra oca e vazia!
E ainda canta o passarinho lá do alto do arvoredo
... Canto eu todo o meu medo
neste poema mal rimado, cansado e
de feio enredo.

Elisa Salles 
(15/12/2017)

 

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NÃO INQUIRAS AO POETA



Ora, direis, sobre o que tanto escreve o poeta?
Porque vê tamanha poesia em tudo?
O poeta escreve sobre o mundo
e tudo que no mundo há.
... E há tanta poesia no mundo!
O poeta sofre a dor do mundo
O poeta sente a alegria do mundo
O poeta colhe as flores e os espinhos do mundo
O poeta sangra a vida do mundo
O poeta vê os caminhos do mundo
Talvez o veja ( O mundo) como ninguém mais vê.
Forte, imenso, abismal, incrível, terrível, profundo...
O poeta canta o amor mesmo que não seja amado
e que todos os amores há muito o tenham deixado,
mas ele finge a carícia que não recebe,
ele saboreia o beijo que não lhe é oferecido,
ele goza o gozo inexistente. 
O poeta não mente,
apenas borda sonhos nos versos e acredita neles.
Então não inquiras mais o porquê dos verbos do poeta!
Porque não há razão alguma fora a própria poesia
E a poesia come a alma do poeta até que o poema se revele,
pleno à luz da manhã.

Elisa Salles 
(15/12/2017)

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TERNURAS



Há em ti tantas ternuras, meu amor
Tanta efemeridade, faz-me querer-te
tanto bem amar...

Esse teu olhar tristonho
melancólico,
suscitas em mim desejos de dar-te colo.

E por certo lhe daria seio
se não ansiasse tanto os teus carinhos de homem
...Sim, por certo lhe daria colo!

Elisa Salles
(Direitos autorais reservados)

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DESVELO...



Venha querido
Vem amar-me em meio às estrelas
Não peça permissão às horas, 
nem à Deus
...nem à mim.
Ama-me mesmo quando eu não disser sim.

Tu entendes os meus silêncios
Ouves o meu olhar como ninguém mais
Entendes o dialecto do meu corpo
Decifras todos os meus enigmas
Tu, meu doce bem,
é todo o bem que há em mim!

E quando eu estiver quieta
faça festa nas minhas entrelinhas.
Estando eu séria, borda sorrisos na minha boca
com a boca tua...
Cheira meus cabelos
Beija a ponta do meu nariz.
Ternura que eu sempre
quis.

...E quando eu estiver pronta, me leva às nuvens,
tão alto, tão alta,
embriagada na tua saliva,
inocentemente lasciva,
eternamente cativa
do amor teu
nos versos e mundos meus. 

Sim meu bem...
Ama-me até a lua se despedir do céu de breu
e o sol nascer nas curvas do meu corpo saciado,
devaneado,
pelo apego teu.

Elisa Salles 
( Direitos autorais reservados)

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UNICIDADE



Quero me misturar à ti...
Mesclar nossas essências
Confundir nossos átomos
Unificar nossas células
Amaranhar nossas
moléculas.
Na doçura,
na candura,
na descompostura
do ato,
do fato
de fazer
amor contigo.

Fundir nossos corpos,
tesar nossos músculos
nervos...
Nossos
fluídos,
incorporados,
intrínsecos
Um gosto exposto
pelo mesmo
gosto
do gosto teu.

Reunir cada pensamento
Cada sensação
Cada centímetro
dos nossos torsos,
ventres...
...Tão sós
Tão à sós
Únicos
Unidos no mundo
que contém

mundo teu...
O nosso mundo,
na unicidade 
de 
nós...

Compartilhar
nossos lamentos,
dores,
medos,
conflitos,
tormentos...
Afogado-os
Extirpando-os
Extinguindo-os
em cada centímetro
da pele que não repele
nunca
a tua pele

... E não há erro
Não há incertezas
culpas ou
dúvidas
Dívidas ou
cobranças.
Só beleza e poesia
em arte
e harmonia...
Teu corpo
no 
meu.
Unicidade.

Elisa Salles 
( Direitos autorais reservados)
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MAS...

Das dores da vida bem sei eu... Mas também o sei dos risos brancos, francos de mar e ausência de siso! Dos tempos do fruto maduro da mangueira, das ternuras das paixões costumeiras e dos banhos de chuva; sem juízo.
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UM POEMA AO RELENTO



Sinto a dor mortal dos que morrem
Moribundos sobre um leito de dor
O venenos que meu íntimo moem
É sua indiferença, frieza, desamor...

Um gosto de derrota na boca. Padeço
Do adeus sem um afago derradeiro
Como se nunca houvera nenhum apreço
Anos afeitos num segundo costumeiro.

Por tal dói. Dói como fogo sobre a ferida
E as lágrimas são tão vãs quanto os versos
De que valem poemas, se não movem a vida?

Mesmo não movendo as rodas do tempo
Canto-os na dor que é todo o universo
Deixa-os aí, como folhas ao relento!

Elisa Salles 
Direitos autorais reservados

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ESPERANÇA

O sol nasceu Imprevisível e radiante Nem pensei que o veria hoje ... Mas cá está, quente e acariciante, mais belo do que nunca antes. E de repente um raio incidiu sobre o pé de acerola, como uma esmola à minha poesia.
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CPP