Posts de Geovani Nogueira (56)

Minha princesa torta

Minha princesa é torta.
Deslocada.
Atrapalhada.
Perderia o sapato cem vezes no mesmo baile.
Minha princesa é desbocada.
Sincera demais.
Pra ela tanto faz.
Se nenhum príncipe quis antes beija-la.
Minha princesa é cheia de falhas.
Arrogante.
Estúpida.
Com ela sempre foi do modo mais duro.
Minha princesa é desiludida.
Rancorosa.
Mal amada.
Nos contos de fada ela era a bruxa.
Minha princesa é mal educada.
Arrota
Xinga.
Bate.
Briga
Penso muitas vezes se ela não é o príncipe da história.
Minha princesa é bruta.
Dança com cavalos.
Luta com machados.
Briga com Deus e o diabo.
Para que ela se faça entender.
Que todos devam aprender.
Que princesa ela não faz questão de ser.
Mas princesa ela é.
Princesa ela sempre será.
Aos meus olhos que desde a primeira vez olharam para aquele corpo magro e esguio.
Corpo sofrido do tempo.
Sofrido da chuva e do vento que nunca aliviaram as dores de uma vida dificil para quem deseja viver num conto de fadas no mundo de hoje.
Minha princesa é forte demais para que alguém ouse dizer que ela não vencerá.
Minha princesa é linda demais para que alguém diga o contrário.
O amor sabe enxergar através da carne e sente direto o coração pulsando.
Minha princesa é meu amor do jeito que ela é hoje.
Torta.
Desbocada.
Desiludida.
Mal amada.
Eu te amarei. Até os dias em que minha presença fará você se sentir a princesa mais perfeita de todas.
Minha princesa é única.
Minha princesa é valente.
No meu coração você fica.
No meu amor você estará para sempre.
Geovani Nogueira
Saiba mais…

Zé Bigode e a morena

Zé Bigode gracejava pelo bairro
Enchia seus pulmões de prepotência
Pensava consigo em saliência
Ou mesmo a confiança que era seu afago

Zé Bigode era famoso mentiroso
Se envergonhava dessa maldita alcunha
Mas naquele dia tudo isso era coisa miúda
Diante do fato que lhe deixara fervoroso

Na padaria, pela manhã, viu tão bela morena
Que lhe olhou três vezes sem pensar
E na terceira se pôs a piscar
Para o velho homem de postura serena

Zé Bigode não se aguentou em si
Tinha que correr para alguém contar
O fato de uma morena lhe piscar
Era uma fofoca que tinha que fluir

E para todos do bairro contou
E com uma inspiração sem igual
Com detalhes fora do normal
Contou o que aquela morena lhe causou

A gargalhada se espalhou rapidamente
E ninguém sabia como falar de um jeito natural
Que estava fora de sintonia aquele canal
Que o Zé Bigode construiu rapidamente

Zé Bigode ficou sem reação
Quando lhe falaram que a morena sofria
De um caso incomum de miopia
E que piscava muito sem disso ter noção

A fama do velho mentiroso cresceu
E até o bigode de seu rosto se envergonhou
E o velho rapidamente se retratou
E por mais de duas semanas desapareceu

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Ele a amava

Ali estava sua dama
Estranha a qualquer sorriso de antes
Deitada e ainda sim ofegante
Exausta de uma forma confortante
Repousada em êxtase
A sua dama deslumbrante

A sua dama
Estranha... Exausta de amor
O mesmo que tanto tempo desejou
Até ignorou, mas se arrependeu
Estava vermelha como a echarpe que no chão jogou
E que ali esqueceu

A sua dama
Vermelha de amor, ela repousava
E amanhã partiria
E ele pensava que nunca mais iria vê-la
Seu corpo era o que ela desejava
O lixo de sua paixão a acalentava
Ele queria esquecê-la
Porém, ele a amava

A sua dama
De uma estranha paixão que o dominava
E ele a olhava exausta, na cama, ao lado de uma flor
Vermelhas como sua feição
O corpo daquela dama era a cura de seu antigo amor
O amor que encontrava na solidão

Sua dama partiria
Satisfeita com mais uma noite de prazer saciado
Onde seu desejo era atendido
E por ele somente era observado
Que só sabia seu corpo entregar
Que só sabia aquela estranha dama amar

Ele se entregava
Ele a amava

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Sofrência Poética

Ah, o velho bar da esquina

De terça a quinta me via passar

Me via beber para aliviar a tensão do desamor

Aliviar o veneno da alma que mantinha com calor

A viva melancolia de perder versos sem pagar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que toda vez eu me sentia puro e genuíno

Quando colocava na mesa os desalinhos

De pensamentos impróprios para uma mesa de bar

Aqui e ali eu tentava parar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que me viu com papel e caneta sem tinta

E com um lápis eu apagava tudo que falava de você

E tentando reescrever minha sina eu queria me perder

Para me achar falando de outra menina

 

Ah, o velho bar da esquina

Que curava as dores da minha vida

Rimadas entre ir embora ou ficar

Entre o ódio e o amar

Entre minha vida na rua e o aconchego do meu lar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que vivenciou cada página do meu desespero

Amparando com muito respeito cada papel

Que eu escrevia pensando se era um cordel

As história que tentei esconder por puro medo

 

Ah, o velho bar da esquina

Que me viu sentado, humilhado e cansado

Todos os dias em que você esteve ao meu lado

Foram as páginas de rancor que fiz teus versos

E agora espalho por cada mesa que eu rezo

 

Ah, o velho bar da esquina

Que com muita paciência esperou eu sair

Para que no outro dia pudesse sorrir

Quando com tantos outro lamentos eu voltaria

E mesmo chorando fazer tudo aquilo com alegria

 

O velho bar agora fechou

E tantas páginas rasgadas nele ficou

As mesmas que falava sobre você

As que falavam de amor

E que nunca cansei de escrever

 

As velhas lembranças estão ali

Intactas pelo tempo

E assim para sempre será um alento

Quando pensar que escrevi num momento

Em que minha poesia esteve sincera

Esteve em harmonia e à espera

De uma outra menina roubar meu coração

De roubar meu defeito de se apaixonar

E de escrever em palavras o que não posso falar

Geovani Nogueira

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Suas cartas

Surgirão cartas de consolo quando partir

E estrelas irão te seguir

Para guiar o frágil sentimento que tens

De ver a bondade antes de cair

E da queda tens a sensação de conforto

Que naquelas cartas de consolo

Tão bem escreveu

E que quando meu deu,

Não pude ler

Nem pude guardar

Suas cartas precisava recusar

Quando partir, surgirá as incertezas de suas palavras

Ditas sem temor por tanto tempo

Que jogadas ao vento, ficaram usadas

Inutilizadas pela incerteza de um peculiar sofrimento

Quando partir vai ser doloroso

Porém, igualmente necessário

Mesmo que este sofrimento seja carinhoso

É um bem estar imaginário

Como se fosse precioso

Se partires, ouvirás minhas lamúrias

Não tão altas, para não voltares

Sei que longe de minhas luxúrias

Deixarás de ser esta pessoa covarde

E ainda partindo não perceberá

Que estarei sozinho em todo fim de tarde

Vagando pela mesma rua que te conheci

Onde ler suas cartas quase desisti

Desde aquelas que não me valiam

Até as que você conseguiu me iludir

Sem suas cartas estarei bem

Nem melhor, nem pior

Quem sabe desamarrando cada nó

Que não entendo como alguém

Conseguiu colocar em mim

E que quase pôs um fim

Na minha vontade de ficar só

Porém, a vontade voltou

E agora novamente ela é real

Posso dizer que agora no final

Não preciso das suas cartas de amor

E suas palavras me fizeram mal

Geovani Nogueira

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Poesias por sorrisos

Estou com alguns versos secos

Sem sentido e sem calor

Sem brilho e sem volume

Não é meu costume fazer versos sem amor

Estou com frases feitas

Parecem cornetas que cantam agonia

Meu drama de perder a alegria

De fazer uma poesia perfeita

Estou com um poema cinza

Descolorido pelo tempo

Pelo vento e por esse clima cinzento

Que me deixa com preguiça de versar

Estou quase sem tinta

E isso muito me irrita

Quando olho tantos papéis livres

Quase um revide ao meu ódio

E a essa raiva que me limita

Estou sem inspiração

E essa é mais uma razão de estar assim

Pensando que estou no fim

De uma fonte de ideias promissora

Quase avassaladora quando queria encantar

Estou sem aquela sede de escrever

A que tanto me acompanhou

Que sempre me orientou

A traduzir pensamentos em prazer

Prazer em ler e compreender

Que esses poemas são o melhor que posso fazer

Mas eles cessaram

Por um instante se fechou

Ficaram todos escondidos

Acabou quando troquei por sorrisos

Frios e sem graça, mas ainda sorrisos

Que me puxaram pela fraqueza da vaidade

E agora com saudade lamento meu destino

De pensar que os versos seguiram um caminho

Que não pude acompanhar

Nem pude chorar

Pois o caminho inverso foi a incerteza

De pensar que minha tristeza era vulgar

Nem tão belo era meu jeito de pensar

Que tantos sorrisos me cegaram

E que por poesias se foram

Nem me esperaram

Dei a eles versos apaixonados

Dos mais puros sentimentos que tinha guardado

Para quando um único sorriso pudesse me possuir

E nele pudesse construir os mais belos versos de amor

Mas não foi assim

Meus versos tiveram um fim

E a tinta acabou

Minha poesia me deixou

Quando troquei meus versos por sorrisos sem valor

Geovani Nogueira

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Meu espírito de carnaval

Salve os Unidos da alegria
Que nesse carnaval irão festejar
Mas são dos unidos da alergia
O melhor jeito de comemorar

Pode ser porque está com artrite
Ou apenas uma virose indesejada
Pode ser uma incômoda rinite
Ou até mesmo uma unha quebrada

O bloco mais animado chegou
São os que não gostam de folia
Pode parecer pecado nesse país
Possuir outra forma de alegria

São do grupo especial dos que não bebem
São da comissão de frente dos que não fumam
Os que sabem bem para que servem
As fantasias de pijamas que usam

Os acadêmicos do lá em casa
Convidam cada um para ficar na sua cama
Pedindo que acabe logo a algazarra
E que passe rápido essa semana

Nada contra essa grande festa popular
Mas pense se juntassem tudo lá no fim do ano?
Gastava nossa energia, dinheiro e tempo num único lugar
Penso que assim não ficava nada estranho

Imagine que louco o ano começar em janeiro
Normal como em quase todo o mundo
Mas aqui a diversão vem em primeiro
E se der tempo, a gente pensa no futuro

Mas se assim não é possível, oremos
Quem sabe um dia eu vá pular um pouco
Ou talvez desse milagre não esperemos
Não me imagino um dia estar tão louco

Mas a nossa democracia foliã é assim
Roma já dava pão e circo ao povo
Quem sabe quinta isso já tenha um fim
Para começarmos a trabalhar um pouco

Em todo caso, fiquemos com nossa alergia
Ou então espirrando com essa gripe
Pois ficar em casa seja nossa alegria
Mesmo que fazendo nada fique

Motivos não faltam para ficar na sua
Pois em casa nosso carnaval é melhor
Pois trocamos o barulho da rua
Para ficar de boa, tranquilo e só

Geovani Nogueira

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Dama de fogo

Conheci uma dama de fogo

Que olhava julgando a todos

Que sentia de tudo um pouco

Guardando em seu coração cada lágrima

De cada página que escreveu até hoje

Uma dama de fogo esculpida em sensualidade

Desprovida do pudor da pouca idade

Concentrada em cada ponto de cordialidade

Dos rapazes que por ela se encantaram

E se apaixonaram por cada gesto daquela mulher

Uma dama de fogo que queimava

Transformava em cinzas cada palavra

Das poesias que desenhava em rascunhos perdidos

De um tempo sofrido onde seu fogo era fraco

Uma dama de fogo que não tinha limite

Nenhum horizonte assustava

E assim atravessava cada pôr-do-sol

No desejo único de um mundo conhecer

Em suas mãos ter todo o calor que tanto desejou

Quando o fogo era seu único valor

Hoje soube que o fogo apagou

E aquela dama uma lenda se tornou

Como cada história que ela me contou

Quando me encantei pelo fogo que me aquecia

E que também queimava cada alegria

Que eu tinha em ver aquela dama fazer uma poesia

Quando perguntei a ela quando ela ia se apaixonar

Com sorrisos me dizia que o fogo jamais poderia apagar

Geovani Nogueira

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A natureza dos opostos

Os opostos existem.

Persistem.

Insistem.

Pelo romance, eles se completam.

Se beijam.

Se abraçam.

Pelo bem estar, eles se combinam.

Explicam o paradoxo do previsível.

Nem ligam.

E pela poesia, disseram-nos que eles se atraem.

Não traem.

Se amam e não reclamam um do outro.

Tão simples assim.

Porém não se esquecem que no fim a verdadeira natureza deles não é de marfim.

Nem de ouro.

É feita de pedra.

Com desenhos rupestres dos primeiros opostos.

Juntos eles só ficam por uma força desconhecida a nós.

Quem sabe é o amor.

Quem sabe é o universo.

Quem sabe os traços de evolução tão complexos.

Uma força que nos ensinaram que juntam-os em perfeita sintonia e melodia.

Nos falaram de amor junto com razão.

Assim eles existem.

Os opostos apaixonados.

Sempre interligados pelo que nos disseram.

Porém existem a natureza deles.

Diferentes e paralelas.

Incapaz de se misturarem.

Mas no final, eles se misturam.

Opostos são para isso.

O desafio próprio da lógica.

A ironia do entendimento.

A força que não explica, mas se aplica.

E no final eles se abraçam

Se iludem.

Se misturam.

A natureza diferente deles é tão linda quanto a poesia que os juntam.

Geovani Nogueira

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Versos de lamento

É tudo torto
Tudo sem cor
Tudo que não mede esforço
E nem compartilha calor

É o semblante vago
Incapaz de seduzir
Que se mostra raro
O desejo de rir

É o completo desafogo
Que não pode suprir
A ânsia do desaforo
De um prazer usufruir

É o desalento sincero
Sempre conquistador
Marcado com o próprio ferro
Na lâmina do lenhador

Inebria
Afugenta
Acalenta a luz sombria

Se faz a própria impureza
Da alma sorridente
Desarmada com nobreza
No afiado e branco dente

Se torna fútil
Aquece com clamor
E assim se torna útil
Cada lamento de amor

Que engana
Que abraça
Que derrama cada taça

Da tristeza se ergueram
Se fizeram os versos mais bonitos
De lamentos e de sorrisos
Que ainda não esqueceram

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Ciúmes

Estava vermelha.

O sangue coloria as veias de seu rosto.

Piscava tão rápido quanto podia acompanhar seu olhar.

Olhava rápido, e desviava os olhos para o outro lado.

Não queria mais enxergar aquela cena de terror.

Estava suando.

As mãos inquietas apertavam alguma coisa.

Talvez um coração imaginário.

Ou era vontade de torcer um pescoço.

Quem seria o louco a mexer com aquela mulher?

Era somente um desavisado.

Estava agitada.

Poderia melhor dizer que estava intrigada.

Quantos minutos já se passaram?

Uma eternidade para quem via aquilo que ela enxergava.

Engolia suas palavras sem água.

Estava em pé. E querendo ir lá.

Dar um “oi, tudo bem. Quem é você?”

Quem é você que está do lado do meu amor?

Eu deixei? Você pediu?

Mas sua mente se reprimiu. E ela queria poder voar.

Ou voar para longe dali, ou voar no pescoço daquele ali.

Quem era ele? E como chegou aqui?

A noite estava perfeita. A praça, o banco, o romance, o escuro, o namoro.

Tudo que se podia esperar de um início de semana.

O escondido do namoro revelava o proibido da paixão.

Ela com ela não podia. Diziam

Tinha que ser ela com ele pra dar certo. Afirmavam

Que se dane eles. Eu te amo, minha pequena. Todos os dias repetia.

E ela teve a brilhante ideia de comprar um sorvete.

Sua amada apenas sentada esperava uma bola de morango e outra de chocolate.

E lá ela foi, atrás de satisfazer o sorriso de sua amada.

Quando voltou, no coração uma facada ao ver sua amada acompanhada.

Um rapaz sentado no mesmo banco abraçava com força a sua moça.

E o sorvete mal podia se equilibrar na casquinha.

Estava lutando para não cair. Mas caiu.

E a já vermelha e suada romântica não queria sorrir. Mas sorriu.

A raiva passava pelo olhos, e parava na mente.

Quantas formas de esconder o corpo dele aqui nesta praça?

No bolso tinha as chaves de casa como a melhor arma para o que estava pensando.

Pensou em chegar por trás e deferir o golpe fatal.

Mas preferiu se aproximar pela frente.

E se aproximou. Com as mãos apertadas cumprimentou o rapaz.

Quase deixou escapar um “quem é você?”

Mas apenas se apresentou.

Questionada sobre o sorvete que ficou pelo caminho.

Falou que não tinha o sabor preferido.

E no ápice do descontentamento com aquela cena, ela resolveu falar.

Antes da primeira palavra, o rapaz se adiantou.

E com uma feição simpática perguntou.

Se era ela a moça que roubou o coração de sua irmã?

Sem graça ela fitou o olhar para o lado.

Sua amada apenas deu os ombros e falou.

“Lembre-se que lhe disse que não sou a única filha”

Procurando um sorriso sem graça ela sentou

E sua amada questionou o porquê do calor. O porquê daquela cor.

Ela falou que ficou com raiva porque o sorveteiro não tinha o sorvete do seu amor.

 

Geovani Nogueira

Saiba mais…

O amor, passageiro e exagerado

O amor é o vento

Impiedoso quando quer

Exagerado sem necessidade

Mas é passageiro, para o bem das flores

 

O amor é o calor

Aquele que nos faz transpirar incessantemente

Exagerado todos os dias

Mas é passageiro, pois todas as noites sinto o seu frio

 

O amor é a chuva

Que molha bem mais do que rezamos

Exagerada quando quer se exibir

Mas é passageira, quando até o arco-íris pede para se secar

 

O amor é tristeza

Aquela que nos faz chorar sem querer

Exagerada forma de lamentar

Mas é passageira, pois sempre haverá sorrisos após as lágrimas

 

O amor é o medo

Que nos faz temer até o simples

Exagerado, ele nos impede de acreditar

Mas é passageiro, pois a esperança rima com confiança

 

O amor é a fome

Que gosta de aparecer em horas impróprias

Exagerada, é a necessidade de ter aquilo que não podemos

Mas é passageira, pois é só uma sensação da mente

 

O amor é o desconhecido

Que nos faz pensar se era possível

Exagerada maneira de enxergar o mundo

Mas é passageiro, pois todos temos espíritos de exploradores

 

O amor é o terrível

Que se parece com melancolia

Exagerada palavra de pouca coragem

Mas é passageiro, pois não se precisa entender o amor

 

O amor é preto

Na falta constante que faz o vermelho

Exagerada forma de observar as cores

Mas é passageiro, enquanto houver tinta, pincel e afeto

 

O amor são poesias

Em tortas linhas do destino

Exagerada maneira de imaginar o futuro

Mas é passageiro, pois o verbo se faz carne, e a poesia se faz o real

 

Por fim, o amor é passageiro

Que nunca sabemos quando vai acabar

Exagerada forma de pensar

Que passageiro foi o nosso amor

E que isso que sinto é um devaneio

Ou que não tem cor

Que não teve calor

E que passageiro foi esse sonho que você me acordou

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Todas as rimas da Ana

Era Ana, e assim ficou conhecida por todos

Era bela sua maneira de se expressar

Era Ana na sua maneira de agir

De refletir, de pensar

Era estranha, e assim era famosa

Até seus xingamentos sabiam rimar

Muitos possuíam sinceridade

Outros apenas vontade de desabafar

Era bacana, e ainda sim era chata

Seu temperamento único era de se admirar

Todos a queriam por perto e por longe

Que tal a uma distância segura, para não arriscar?

Era mundana, pés no chão, cabeça na lua

Não se discutia qual seria o próximo lugar em que iria estar

Seus pensamentos iam longe de seu corpo

Atravessavam fronteiras muito e muito pra lá

Era sagitariana, com todos os pontos e vírgulas

Somente os astros poderiam lhe explicar

Dizem as más línguas serem sinceros e otimistas

Até agora disso ainda não posso discordar

Aqui e ali um pouco insana, e tinha motivos

Não é tão simples ser normal nesse mundo de morrer ou matar

Porém era tão sábia como muitas que conheci

Sabia bem o que dizer na hora de ensinar

Era a semana, onipresente em meus pensamentos

Longe dela não poderia ficar

Pensei que de longe poderia a conhecer melhor

Mas decidi que perto posso melhor lhe observar

Ainda sobre a fama, seu brilho tinha 1,55 cm

Só quem ela queria sabia seu nome falar

Só quem queria perto dela podia sentir

Todas as coisas boas que ela podia compartilhar

Café na cama, era assim que sonhava

Em todo sonho, café não podia faltar

Café de dia, café de noite

Café na hora do ódio, café na hora de amar

A Ana era assim

Rimava com tudo que lhe fazia bem

Bem feito que ela encontrou alguém

Para revelar os segredos da semana

De uma mulher mundana

Dos devaneios da fama

Da ingenuidade sagitariana

Ora, Ana

Que mal há em me dizer como alguém como você não se possa amar?

Você me ama? Ana

Ainda não?!

Que bacana

Não saberia lidar com esta fama, da Ana poder me amar

Porém também não saberia viver sem um dia desejar levar o café na cama

Da menina que de nada reclama

E de nada se espanta

Quero te ver toda semana

E me perguntar se quem te ama

Conhece tão bem a Ana, como eu penso conhecer

Duvido alguém ter essa sorte insana

Não conheço ninguém como você, Ana

Por isso falei de ti

No passado, porque lembro de tudo

No presente, desejando seu carinho

E no futuro não quero estar sozinho

Quero estar perto de ti, pessoa bacana

Que rima com todas as coisas boas que penso

Que rima com beleza

Rima com nobreza

Rima com diversão

Rima com ficção

Com risadas

Com emoção

Rima até com cama

Ou com insana?

Rima com sagitariana

Rima com estranha

Com a fama

Com a semana que levei para lembrar de todas as rimas com você, Ana

A propósito, como é mesmo que você se chama?

Geovani Nogueira

 

Saiba mais…

Dei o melhor de mim

Eu fui o carinho

Eu fui a atenção

Eu fui aquela luz torta de razão

Eu fui um abraço

Eu fui um beijo

Eu fui o sentido tolo do desejo

Sem nenhum medo

Eu estava lá de noite

Eu estava lá de dia

Estava com a vontade de ser alegria

Tive medo de ser acordado, pois amei e fui ignorado

Escrevi poemas, e fui somente visualizado

Quem me leu estava chateado

Ainda assim, eu fiquei

Para estar ao lado de quem nunca esteve ao meu lado

Então aprendi

Devagar fui ensinado

De quase tudo pude rir

Sem sequer ser censurado

Pensando se consegui fazer tudo certo

Incluindo todas as promessas de paixão

Desviando de ser bem direto

De quem só me queria como ilusão

E assim, lembro de muita insistência

De muita paciência

E tudo que eu dei, nada foi em vão

Nada ficou sem sabor

Pois o amor que eu dei foi o que mais teve valor

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Pedi ao Papai Noel

Pedi ao Papai Noel um conselho

Queria saber em quem confiar

De presente ele me deu um espelho

E perguntou o que eu conseguia enxergar

Pedi ao Papai Noel uma opinião

Queria saber acertar minhas escolhas

Ele me deu um pequeno livro de oração

E falou que existe uma para cada coisa

Pedi ao Papai Noel uma certeza

De como ter paciência com os outros

Ele não me deu muita clareza

Mas acho que era para respeitar todos

Pedi ao Papai Noel uma história

Para poder me servir de exemplo

Ele então disse que antes de cada vitória

Existem muitos dias de lamento

Pedi ao Papai Noel uma sugestão

Para frequentar melhor o bom humor

Ele me deu um copo de água vazio

E perguntou o que eu faço quando está calor

Pedi ao Papai Noel mais sabedoria

Sabendo que isso deveria surgir de mim

Mesmo assim vi nele alegria

Procurando uma velha estátua de marfim

Pedi ao Papai Noel mais uma ideia

Para conseguir realizar alguns sonhos antigos

E quase que rimando com plateia

Ele disse que o show estava comigo

Pedi ao Papai Noel sossego

Para deixar esses pensamentos de lado

Ele falou que tudo isso era um medo

De achar que Papai Noel é coisa do passado

Geovani Nogueira

Saiba mais…

A sedução de uma dançarina

Ela dançava estranho com aquele vestido. Aprendeu às pressas quando a adolescência bateu a sua porta. Quase 1,70 m de pura beleza.
Quanta beleza tinha aquela garota. Mirava em olhos que não conhecia. Olhou para aquele bonito olhar logo que entrou na festa. E desde que resolveu dançar, era para aquele olhar que direcionava seus movimentos tortos.
Havia esperança em sua dança. Esperança de que naquela noite sairia acompanhada daquela festa. Teria mais sucesso se fosse lá falar com aquele belo olhar. Mas ela apenas subia e descia. Estava descontando sua adrenalina naquela dança.
Era doida por natureza, e ninguém discordava. Todos seus amigos sabiam dos parafusos que faltavam em sua cabeça e em sua cintura. Um corpo bonito e as ideias desencontradas. Chamava a atenção de todos com seu quadril exuberante, fazia todos rirem com suas frases sem sentido. Todos se perguntavam: “Como alguém ficava bêbado com refrigerante?”
Porém todos notavam que havia sedução naquela estranha dança. Sensualizando com traços de uma mulher fatal e direta. E tudo isso porque em um olhar somente ela mirava, tentando agradar e seduzir...
Ela era romântica por natureza, e todos concordavam com isso. Namorou alguns que só queriam usá-la como troféu. Em cada um deles procurou um príncipe. Procurou seu herói no covil dos vilões. Pagou o preço dos parafusos a menos em seu juízo.
Havia muito feitiço em suas belas curvas quando rebolava. Quando dançava, era livre de censura, desprovida de vergonha, liberta de medos e temores. E seu único medo era o horário de chegar em casa, pois sua mãe disse para ela voltar cedo. E achou que 7 horas da manhã era um bom horário.
Estava linda em um vestido reluzente feito cristal. Uma maquiagem pesada e o batom forte. E usava um perfume que avisou com antecedência que ela estava chegando. O cabelo era bagunçado de tanto rebolar. O suor descia pelas curvas do seu corpo que tanto chamava atenção.
Duas fortes quedas quando estava no centro do salão não abalaram sua confiança de que aquele bonito olhar percebesse sua presença.
E aquele olhar finalmente lhe percebeu. E na segunda queda foi lhe ajudar. Pegou no braço com tanta virilidade que parecia querer tirar ela daquele lugar, pensou ela em seu íntimo. Mas só queria tirá-la do chão...
Todos perceberam que trazia consigo um desejo encubado de aquele olhar leva-la para sua casa e dançar com ele em seu quarto. Os últimos pingos de suor se misturavam a sede de tomar aquele corpo. E depois da penúltima música da noite, para a casa dele ele a levou. Finalmente... E fizeram juntos uma dança de amor.
A mesma virilidade foi comprovada no quarto daquele bonito rapaz. Aquele olhar percorreu todo o corpo daquela moça que dançou para ele a noite toda. A ela restou se entregar para o bonito desconhecido. E entregou seu corpo cansado de uma noite de sedução, entregou seu carinho ao fascínio daquele olhar pedinte. Entregou seu afeto. Suas mãos deslizaram naquele suor até o amanhecer.
Quando acordou. Viu apenas os lençóis bagunçados. Passou a mão e sentiu a cama vazia. Procurou aquele corpo e achou um papel com algo escrito. Dançou em alegria. Pegou suas roupas e saiu. O papel ficou na cama.
"Bom dia dançarina. Sua mãe já ligou 5 vezes"

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Palavra "SAUDADE"

Palavra ruim

Palavra salgada

Palavra um tanto ingrata

Que não sai de mim

Palavra indigesta

Palavra sem festa

Palavra sem cor

Que não colore meu amor

Palavra infeliz

Que arranca pela raíz

A flor que trouxe para você

Arranca minha vontade de viver

Palavra cansada

Palavra comprida

Que nunca antes em minha vida

Imaginei tê-la como amiga

Palavra que dura horas

Que passa os dias

Que me deixa fora

Que me deixa em agonia

Palavra terrivel

De forma impecável

De som horrivel

De uma beleza invejável

Louco ainda me sinto com ela

Sozinho me vejo em sua fortaleza

A palavra que melhor retrata minha mazela

Tem como seu rosto minha tristeza

Ainda que pequena, me faz pensar como vence-la

Negando firmemente até minha vaidade

De que posso viver assim que esquecê-la

E que em meu coração não exista mais saudade

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Daquele cabelo liso

No ferro que marcou minha pele senti o cheiro daquele cabelo liso.
No entornos dos lugares que eu parei estava o cheiro daquele cabelo liso.
Nas tonturas da embreaguez que eu bebi eu só sentia aquele cheiro maldito.
Nas formas de uma bela mulher eu só tocava aqueles fios compridos.
No meio-dia dos meus pensamentos eu só queria a sombra daquele cabelo liso.
Na encosta do castelo que construí era ali que estava meu riso.
Quando acordei o que eu encontrei na minha cama foi aquele cabelo liso.
Que cheiroso encobria o tédio de um dia cansativo.
No conforto dos ensaios de uma peça eu pensava no cabelo liso.
Covardes fios que me deixava um tanto desprotegido.
Meus pensamentos sempre paravam naqueles fios compridos.
Que de amores enrolei todos meus escritos.
Quando temi a solidão lembrei daqueles cabelos compridos.
Quando comecei a levantar foi me segurando naquele cabelo liso.
Quando mordi minha língua praguejando meu sexto sentido.
Arrependido daquele cabelo ter esquecido.
Minha libido ordenou trazer de volta aquele cabelo comprido.
Na ordem da saudade que guardava ainda com carinho.
Sabedor que só mais um dia queria estar perdido.
Naqueles belos fios de um cabelo lisos.
Lisos.
Pretos.
Compridos.
Perfeitos.

GEOVANI NOGUEIRA

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O coração se alinha

O coração se alinha sem pressa

Se desmonta com nobreza

Se faz de uma simples reza o fim de toda tristeza

O coração se alinha no tempo

Que só faz uso do vento

Para pairar na sombra de qualquer brilho de esquecimento

O coração se alinha no caminho

E corre sem destino, ao tocar leve de um suave sino

Insinuante destino...

O coração se alinha no olhar

No ouvir, no falar

Nos muitos sentidos do amar

O coração se alinha na perseverança

Que sempre rima com esperança

O inocente esperar de uma infância

O coração alinha os erros em sabedoria

Vagamente precedidos de alegria

Na bobagem de tudo observar sem agonia

O coração é a linha tênue do desejo

E novamente tenho que falar de um beijo

E que já falei naquela ironia que agora festejo

O coração se alinha no amor

Que ainda não existe

Nem sequer insiste

Quando tudo é apenas calor

Ambos olhando para a linha que nos separa

Olhando para a linha que nos une

Que nos fala para ter calma

E que muitas vezes ilude

Tinha dessas coisas nas palavras de antes

E agora tudo fica novamente constante

Nas linhas que o coração segue

Quero você a todo instante

Se alinhe ao meu corpo

Se alinhe ao meu coração

Se alinhe na minha paixão.

Geovani Nogueira

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Meu pai sonhador!

Maldito sonho de sonhador

Maldito homem que me deixou

Maldita seca que me afastou

Do homem que me guardou

Da seca me privou

Da fome me poupou

Da sede me isolou

Na solidão me abraçou

Sonhador valente

Que embora foi sem me avisar

E que longe mandava noticias

De quando iria voltar

Sonhador de palavra

Nunca duvidei de suas mentiras

Nunca me vi tão sozinha

Nas histórias que me falava

Sonhador de bom coração

Que cuidou de mim e de meus irmãos

Que cuidou quando longe estava

Que cuidou quando não enxergava

Cego de raiva ele escrevia

Chorosa de alegria eu lia

Lia que lá estava tudo certo

Para o dia em que voltaria

Quando eu ouvi a chuva, rezei

Quando ele ouviu a chuva, chorou

Quando pensamos na saudade, olhamos pra cima

Para lembrar da canção que me ensinou

Que dizia que a seca afastava

E que a chuva juntava

Quem tinha no coração o amor verdadeiro

Quem no peito só tinha respeito

E na estrada ele rezou

Para que tão logo chegasse

O dia que tanto esperou

De ver seus filhos e seu amor

E eu, sozinha, esperei

O homem que tanto amei

Que de pai aprendi a chamar

E como pai, nunca outro irei amar

E ali estava ele, dizendo “olá”

Corri. Fui a primeira em seus braços chegar

Perguntei por que a demora tanto de me encontrar

Ele disse “eu trouxe a chuva pra você brincar”

Geovani Nogueira

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