Posts de Geovani Nogueira (63)

Hora de partir, pai

Pensei que era hora de partir. De entender.

Que mesmo que não quisesse você aqui, queria te ter.

Que longe das coisas que deixou para mim, tinha que me dizer.

Que foi o único homem que conseguiu me proteger.

 

Pensei que era hora de partir, para não lhe ver.

Que longe de ti eu iria aprender.

Que eu deveria sozinho o mundo conhecer.

Mas só conheci as mazelas de um mundo sem você.

 

Pensei que era hora de cantar, de contar.

As histórias que só você sabia interpretar.

Longe do teu mundo aprendi a sonhar.

Como nas histórias que diziam que só você poderia me salvar.

 

Pensei que era hora de ficar. De te escutar.

Aprendi que você ainda tinha coisa para me ensinar.

E na maioria das coisas que não pude entender.

Tinha coisas que falava somente sobre eu e você.

 

No teu mundo, sozinho, me protegeu.

E admiro que nunca se esqueceu do quanto isso era mim.

Que quando você me deu seu primeiro adeus.

Tinham coisas que estavam muito longes do fim.

 

Agora penso que é hora de ficar. De te abraçar.

Para pensar nos ensinamentos que faltou.

E lembrando das coisas que ainda poderia te falar.

Ficou as palavras que diziam que você nunca me abandonou.

 

Geovani Nogueira

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Última canção de amor

O canto hostil

O semblante pavoroso

A inércia de ideias de um dia assombroso

O mais curto pavio

O mais lindo gracejar

O canto que o próprio rio não pode acompanhar

A canção de nostalgia

E ao mesmo tempo alegria

Conformada no retrato do meio dia

O medo da morte serena

O reflexo no espelho da morena

Encarando as pessoas com confiança plena

O justo pagamento em aplausos

E o conformismo notório de quem acabou

Quando o medo da morte ignorou

No semblante da estrela maior

Ouviu pêsames de estranhos

E afagos de amigos

Que cresciam os olhos para a órfã de destino

O medo de não ter para onde ir

Era o afago que tinha

E das joias que possuía

A mais valiosa era poder sorrir

O último ato de quem ficou

E quem esperou pela paz

E agora tanto faz os aplausos que escutou

O semblante de pesar

A maquiagem mais cara do mundo

Não escondia por um segundo a vontade de chorar

O mundo hostil

As pessoas falsas

Os abraços secos

As palavras sem alma

Tudo era lindo

Era quase perfeito

Mesmo que fosse um caminho sem jeito

Cantava pela última vez para quem ajudou

E cantará sempre para quem amou

E quando olhou o corpo ali

Decidiu ficar do lado de quem nunca a abandonou

A inércia de ideias

A falta de amigos

A falta de amor

Naquela casa canto mais bonito ninguém nunca mais escutou

 

Geovani Nogueira

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Amor Impossivel

Hoje vou falar do amor impossível
O intransponível, incorrigível e inconcebível
O que se mostrou atordoado todo esse tempo
O que carregava consigo sofrimento
O que tinha uma maldade infalível

Hoje vou falar do amor impensável
O que não tinha nada de amável
Que era luta constante
E questões a todo instante
Era quase insuportável

Hoje vou falar do amor esquecido
Não por mim, é verdade
Esqueceram de mim quando me jogaram a maldade
Do amor que não foi possível
Ela era inconcebível

Hoje vou falar da minha dor, se me permitem
Não quero amigos que me expliquem
Que esse amor não era meu
E que ela de mim se esqueceu
Agora peço que perto de mim fiquem

Hoje vou falar da angústia desse amor
Impossível quando era meu
E só assim foi que aconteceu
O milagre da crença nesse amor
Que nunca foi meu, mas era minha dor

Hoje vou falar das tristezas
Que hoje olho com clareza
Quero observar o quanto parei aqui
Ou o quanto não pude seguir
Acreditei que a inércia era minha natureza

Hoje só quero escrever
Quem sabe relatar o que fui fazer
Quando me comprometi nesse amor
E que quando adormeci sem você
Amanheci num mundo sem cor

Hoje quero falar de você
Do quanto não pude perceber
Que estava te fazendo mal
E de forma natural
Prendi meus sentimentos a você

Lamento esse amor impossível
Que não foi correto, porém previsível
Eu planejei tudo isso
Mas não pude lhe dizer
Nem pude te proteger
Eu sei que era impossível
Mas eu só conseguia amar você
 

Geovani Nogueira

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Te amo, sem compromisso

Sem compromisso. Devagar, quase desistindo
Propus o melhor de mim para você
Sem compromisso. Terrível. Não estou insistindo
Parei de acreditar para te entender
Adormeci em teus pensamentos afetivos
E construí nossa história em um livro sem virgulas
Sem um ponto final.
Sem um ponto de referência
Fazendo somente que sua lembrança seja o motivo de minha paciência
Sem compromisso. Foi o que prometi
Quando pensando em ti adormeci
E não acordei antes de pensar que seu amor não pude esquecer
E não esqueci
Sem compromisso, estou aqui
Entreguei a você as verdades
E escondi tantas maldades que desejei para mim
Mas sonhei com você quando adormeci
Agora em meu segredo você se transformou
E alguém pior do que eu, não encontrou
Ainda bem. Sem compromisso, também não achei ninguém
Escolhi as melhores palavras, e quase sem conteúdo fiquei
Procurei num livro rasgado motivos para te escrever
E desejei que eu pudesse encontrar você
Se eu me perdesse por aí procurando alguém
Que sem compromisso não me queria também
E agora aqui procurei te dizer
Que sem compromisso, ainda amo você
Ah, lá vai eu novamente
Me fazer aquela pessoa insistente
Que nunca mais seria. Ou que você nunca mais veria
E sem compromisso prometi o que não devia
Ou não precisava lhe dizer
Que sem compromisso outra pessoa posso ser
Mentira
Você sabe
Fico nervoso quando não falo a verdade
Se pudesse enxugar o suor de minha testa perceberia
Que até meu sorriso te esconderia
As tantas maldades que pensei em lhe dizer
No momento em que seu amor não pude ter
E nunca teria, se não fosse o compromisso
O mesmo que relevei por você
E revelei a você que sem compromisso te queria
Mentira
Ainda te quero
Sem compromisso quero você por perto
Quero você do meu lado
Te dizendo que sem compromisso ainda continuo apaixonado

Geovani Nogueira

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O amor prevalece

O amor deve prevalecer

E assim deve acontecer caso alguém diga que isso é besteira

Se fosse besteira não iria acontecer

Não iriam entender porque o amor não é brincadeira

No final, o amor tem que prevalecer

Sem isso não haveria motivos para entender

Ou simplesmente ninguém iria compreender

As coisas que o amor proporciona

Dos pequenos gestos que emociona quem o amor consegue entender

De início, o amor tende a prevalecer

Para que tudo depois faça sentido

E que nenhum amor contido se arrependa de não compreender

As coisas que o amor faz quando tem que fazer

Quando estiver triste, o amor deve prevalecer

O choro coloca muitas feridas em risco

E mesmo que nos olhos haja apenas um cisco

As lágrimas são de amor que não pode perecer

Quando não se entender, deixe o amor explicar

Entendendo que não há razão para entender

Ou que não haja vontade de entender

Que o sentido disso tudo é somente amar

E ser amado, afinal

Como um belo casal há muito tempo unido pelo tempo

Ou então jovens namorados que se encontraram pelo vento

Pois quando se entende o bem o mal

Se conhece as razões para o amor prevalecer

E assim entender porque alguém faz isso com você

Isso que você chama de amor

E entrega a um alguém que talvez nem consiga entender

Porque ama você

E porque fez você deixar o amor prevalecer

Mas se esse alguém entender, deixe acontecer

Não questione o amor, e suas razões

Nem sequer explane suas opiniões

Para tentar explicar o sentido de amar

E para entender porque você deve fazer

Que o amor que você sente por alguém deva prevalecer

Se mesmo assim cada palavra dessa você não entender

Deixe apenas que seu amor possa prevalecer

Geovani Nogueira

 

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Estamos Namorando

”talvez ainda não fosse o momento certo”. Pensou nisso pela décima oitava vez naquele dia.
Pensava com calma em cada palavra que iria dizer naquele dia. Planejou cuidadosamente.
Márcio sabia se prevenir antes de remediar.
Já Ulisses entendia bem o que significa deixar o vento correr. Sua preocupação era apenas a próxima hora. E nada mais.
Ulisses se orgulhava de contar com a sorte para resolver seus problemas. Mas admitiu para si mesmo que achava um tanto estranho o azar dar as caras justamente naquele dia.
Márcio andava de um lado para o outro tentando imaginar como poderia dizer tal coisa. Como seus pais reagiriam. O que falariam para ele.
Entrou no quarto e viu o relógio. Coincidentemente ele também havia parado naquele instante. Mas no caso dele era um problema de bateria. Márcio já sabia que isso aconteceria, afinal, já são dois anos sendo dono daquele relógio. Dois anos daquele fim de semana na praia. Dois anos do pedido de namoro. Podia lembrar de cada detalhe das pessoas em volta da fogueira, das músicas, das risadas e das histórias. Uma música em especial não podia esquecer. A que traduzia tão bem tudo aquilo.
“Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder...”
Ulisses também se orgulhava de seu dom de tocar e cantar. Modéstia à parte sabia que as reuniões de amigos ficavam mais legais com ele. E sabia que todos gostavam dele. Inclusive aquele a quem ele direcionou todas as suas músicas.
“Deixa assim ficar subentendido”
Novamente seu pensamento foi cortado por outra mensagem que acabara de chegar. Era do grupo da faculdade, avisando sobre uma pizza no sábado. Ele ia responder mais tarde. E inevitavelmente ele olhou a mensagem diferente da noite anterior. Diferente pelo momento em que ela foi enviada. “Tinha que ser justo hoje? ”
Márcio terminou de se arrumar e tomou um copo de água. Quatro copos de água. Nervosismo é algo normal naquela idade. Tudo é motivo de apreensão.
Resolveu ir para a cozinha. Sua mãe estava fazendo café e algumas torradas. Sentou na mesa. Olhou sua mãe por uns 3 minutos antes que ela percebesse sua presença. Sorriram um para o outro. Dona Laura sabia que ele estava nervoso somente pelas inúmeras vezes que mexia na orelha. Mãe é mãe.
Ulisses escolheu sua melhor camisa e passou. Por acaso foi um presente da dona da mensagem que recebeu. Ele admirava o bom gosto dela. Todos os presentes sempre foram de bom gosto. Se ele iria lhe encontrar, tinha que ir da melhor maneira possível.
Escondido, é verdade. O detalhe infeliz era o fato de sua mãe não gostar daquela mulher. Dona Ester cuidou de seus 5 filhos com muita dureza e pulso firme. Não era qualquer uma mulher que lhe agradava. O mais velho casou depois de 6 anos de namoro. E ainda sim dona Ester torce o nariz para sua nora. No caso de Ulisses, dona Ester sabia com quem ele estava se envolvendo, ou pelo menos desconfiava. E por isso faria de tudo para ver seu menino longe daquela mulher.
Ulisses gostava dela o tanto quanto gostava de dona Ester. E queria que as duas se gostassem também. Mas nem só de sorte era a vida de Ulisses.
Dona Laura perguntou como foi a aula para Márcio, e ele reclamou de um professor que passava mais trabalhos do que dava aula. Dona Laura contou que na sua época era pior.
Neste momento dona Laura olhou para o relógio e cortou as reclamações do filho, lhe pedindo que fosse comprar algumas coisas no mercado. Pela lista de coisas para comprar Márcio concluiu que naquele fim de tarde iria ter uma reunião das amigas da mãe. Amigas do bairro e da igreja, que se reuniam para conversar sobre os problemas da comunidade, jogar cartas, comer um lanche e por que não falar mal de alguém?
Márcio lamentou profundamente que aquela reunião fosse justamente naquele dia. Havia prometido que não passaria nem mais um dia para falar o que deveria falar. Mesmo contrariado foi fazer o que sua mãe pediu.
“Já vai sair?” A voz forte de dona Ester ecoou pelo corredor até chegar ao quarto de Ulisses. Talvez ela sentiu o cheiro do ferro de passar roupa. Ele confirmou na mesma intensidade que ela perguntou. Sabia que ela imaginava aonde ele iria. Porém nada podia fazer. Já tinha 18 e, portanto, tinha a falsa ideia de que era dono de si.
Pegou as chaves de casa, deu um beijo em dona Ester como se quisesse amansar a fera, mas recebeu de volta a pergunta se iria dormir hoje em casa. Ele riu dizendo que ia somente na casa de um amigo. Nada de mais. Mas dona Ester sabia com quem ele iria se encontrar.
Márcio procurava nas prateleiras do supermercado o que sua mãe havia lhe pedido, mas seu pensamento estava longe. Estava na conversa que tinha que ter com ela. Mas agora o nervosismo virou medo. Já pensava em desistir. Em deixar para outro dia.
“Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então...”
Porém ele sabia que não poderia mais esperar. Havia prometido que o presente de aniversário de namoro era isso. Revelar à sua família sobre seu relacionamento. Então, pegou as últimas coisas, pagou e retornou para casa.
Ulisses também pensava em desistir em ir na casa daquela mulher, mas sentia que precisava estar lá. Afinal, aquela pessoa significava tanto para ele que não poderia recusar o convite dela. 4 anos, mais ou menos, e desde o primeiro dia ela lhe tratava como sempre desejou. Achou nela aquilo que nunca tinha sentido em mulher nenhuma. Amor, respeito, carinho e atenção. O que ela pedisse, ele faria.
Ulisses chegou e tocou a campainha. Foi recebido com aquele sorriso conhecido. Abraçou-a e entrou. Estava um tanto curioso para saber porque foi chamado para ir na casa dela naquela hora. Geralmente se encontravam mais a noite. Olhou o relógio. 17:07. Estava com fome, e percebeu na mesa um lanche sendo preparado. Antes de se sentar, pediu para ir lavar as mãos, e como conhecia o caminho do banheiro, nem precisou de resposta.
Márcio olhou para o relógio e lembrou que estava quebrado, mas pela posição do sol já era hora de chegar em casa. Apressou o passo e abriu a porta rapidamente, procurou dona Laura, entregou as sacolas e foi para o quarto. Dona Laura pediu que viesse falar com ela logo, pois ainda tinha outra coisa para ele fazer. Márcio quase xingou em voz baixa, mas falou que já retornaria à cozinha.
Ulisses passou água no rosto, ainda curioso pelo convite. Julgou que isso era besteira. Enxugou as mãos e foi para a cozinha. A mulher terminava de preparar seu lanche. Ela sabia do que ele gostava. E fazia perfeitamente.
Quando deu a primeira mordida, a mulher se sentou na frente dele e com o mesmo sorriso lhe jogou sem piscar.
“Estou muito feliz que tenha aceitado meu convite. Não via a hora desse dia chegar. Finalmente posso abrir o jogo com você”
Ulisses engoliu seco e ouviu com calma tudo o que aquela mulher tinha para lhe falar.
Irritado, Márcio tirou a camisa, se olhou no espelho e retornou para sua nova missão com a dona Laura. Quando caminhou para a cozinha se deparou com uma cena que não estava preparado.
Risadas, torradas, dona Laura e Ulisses concentrados em uma conversa.
Todos se olharam. O silêncio de Márcio e a paralisia de Ulisses contrastavam com as risadas de dona Laura.
“Se eu não percebesse tudo o que acontece, eu nem poderia ser chamada de mãe. Há quatro anos, quando Ulisses se mudou aqui para a rua percebi que vocês dois tinham algo mais forte do que uma simples amizade. E se nenhum dos dois tomou coragem para abrir o jogo, alguém tinha que fazer isso. E foi por isso chamei Ulisses aqui. O considero um filho, e quando soube sobre vocês, fiquei muito contente”
Márcio teve vontade de se enterrar.
Ulisses queria abraçar aquela mulher.
Mas os dois se olharam e sorriram.
Dona Laura também sorriu e serviu mais algumas torradas para Ulisses. O silêncio era ensurdecedor, mas foi novamente quebrado por dona Laura.
“Será que alguém tem alguma coisa para me falar? ”
Márcio: “... eu... eu... hã... sei lá, acho que só posso dizer que te amo, mãe”
Ulisses: “dona Laura, eu queria que a senhora fosse minha mãe”
Dona Laura, se levantou para ir ao quarto, mas antes olhou para os dois e perguntou: “mais alguma coisa? ”
Os dois se olharam, deram as mãos e, como se tivesse ensaiado, falaram aos mesmo tempo:
“Estamos namorando! ”

Geovani Nogueira

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Somente prazer

Tudo bem, você acertou em cheio
Não posso lutar contra a verdade
Mesmo que agora seja a vontade
Minha grande inimiga
E aqui sozinha fico me olhando no espelho

Tudo bem, hoje acordei sem seu cheiro
E tomei um banho para esquecer
Ou para lembrar, não sei dizer
Dos momentos que esteve aqui
Dos momentos de puro desejo

Tudo bem, eu admito
Que faltou um pouco mais de tinta
Nessa parede que há tempos ninguém pinta
Uma história bonita de sonhar
Tenho uma máscara para esse conflito

Tudo bem, você estava certo
Quando me mostrou essa pequena dor
E creio que usando uma simples pinça arrancou
As coisas boas que construí para nós
Agora você não está mais perto

Tudo bem, a minha vida é assim
Embora achava que fosse diferente
Ou que pelo menos tinha algo em minha mente
Quando pensei que era possível
Essas coisas são reveladas sempre no fim

Tudo bem, agora já posso assumir
Que o que pode me dar é o seu dinheiro
E que devo lembrar disso primeiro
Quando pensar que você um dia me amou
Tem outro me esperando. Você já pode sair

Geovani Nogueira

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Minha princesa torta

Minha princesa é torta.
Deslocada.
Atrapalhada.
Perderia o sapato cem vezes no mesmo baile.
Minha princesa é desbocada.
Sincera demais.
Pra ela tanto faz.
Se nenhum príncipe quis antes beija-la.
Minha princesa é cheia de falhas.
Arrogante.
Estúpida.
Com ela sempre foi do modo mais duro.
Minha princesa é desiludida.
Rancorosa.
Mal amada.
Nos contos de fada ela era a bruxa.
Minha princesa é mal educada.
Arrota
Xinga.
Bate.
Briga
Penso muitas vezes se ela não é o príncipe da história.
Minha princesa é bruta.
Dança com cavalos.
Luta com machados.
Briga com Deus e o diabo.
Para que ela se faça entender.
Que todos devam aprender.
Que princesa ela não faz questão de ser.
Mas princesa ela é.
Princesa ela sempre será.
Aos meus olhos que desde a primeira vez olharam para aquele corpo magro e esguio.
Corpo sofrido do tempo.
Sofrido da chuva e do vento que nunca aliviaram as dores de uma vida dificil para quem deseja viver num conto de fadas no mundo de hoje.
Minha princesa é forte demais para que alguém ouse dizer que ela não vencerá.
Minha princesa é linda demais para que alguém diga o contrário.
O amor sabe enxergar através da carne e sente direto o coração pulsando.
Minha princesa é meu amor do jeito que ela é hoje.
Torta.
Desbocada.
Desiludida.
Mal amada.
Eu te amarei. Até os dias em que minha presença fará você se sentir a princesa mais perfeita de todas.
Minha princesa é única.
Minha princesa é valente.
No meu coração você fica.
No meu amor você estará para sempre.
Geovani Nogueira
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Zé Bigode e a morena

Zé Bigode gracejava pelo bairro
Enchia seus pulmões de prepotência
Pensava consigo em saliência
Ou mesmo a confiança que era seu afago

Zé Bigode era famoso mentiroso
Se envergonhava dessa maldita alcunha
Mas naquele dia tudo isso era coisa miúda
Diante do fato que lhe deixara fervoroso

Na padaria, pela manhã, viu tão bela morena
Que lhe olhou três vezes sem pensar
E na terceira se pôs a piscar
Para o velho homem de postura serena

Zé Bigode não se aguentou em si
Tinha que correr para alguém contar
O fato de uma morena lhe piscar
Era uma fofoca que tinha que fluir

E para todos do bairro contou
E com uma inspiração sem igual
Com detalhes fora do normal
Contou o que aquela morena lhe causou

A gargalhada se espalhou rapidamente
E ninguém sabia como falar de um jeito natural
Que estava fora de sintonia aquele canal
Que o Zé Bigode construiu rapidamente

Zé Bigode ficou sem reação
Quando lhe falaram que a morena sofria
De um caso incomum de miopia
E que piscava muito sem disso ter noção

A fama do velho mentiroso cresceu
E até o bigode de seu rosto se envergonhou
E o velho rapidamente se retratou
E por mais de duas semanas desapareceu

Geovani Nogueira

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Ele a amava

Ali estava sua dama
Estranha a qualquer sorriso de antes
Deitada e ainda sim ofegante
Exausta de uma forma confortante
Repousada em êxtase
A sua dama deslumbrante

A sua dama
Estranha... Exausta de amor
O mesmo que tanto tempo desejou
Até ignorou, mas se arrependeu
Estava vermelha como a echarpe que no chão jogou
E que ali esqueceu

A sua dama
Vermelha de amor, ela repousava
E amanhã partiria
E ele pensava que nunca mais iria vê-la
Seu corpo era o que ela desejava
O lixo de sua paixão a acalentava
Ele queria esquecê-la
Porém, ele a amava

A sua dama
De uma estranha paixão que o dominava
E ele a olhava exausta, na cama, ao lado de uma flor
Vermelhas como sua feição
O corpo daquela dama era a cura de seu antigo amor
O amor que encontrava na solidão

Sua dama partiria
Satisfeita com mais uma noite de prazer saciado
Onde seu desejo era atendido
E por ele somente era observado
Que só sabia seu corpo entregar
Que só sabia aquela estranha dama amar

Ele se entregava
Ele a amava

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Sofrência Poética

Ah, o velho bar da esquina

De terça a quinta me via passar

Me via beber para aliviar a tensão do desamor

Aliviar o veneno da alma que mantinha com calor

A viva melancolia de perder versos sem pagar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que toda vez eu me sentia puro e genuíno

Quando colocava na mesa os desalinhos

De pensamentos impróprios para uma mesa de bar

Aqui e ali eu tentava parar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que me viu com papel e caneta sem tinta

E com um lápis eu apagava tudo que falava de você

E tentando reescrever minha sina eu queria me perder

Para me achar falando de outra menina

 

Ah, o velho bar da esquina

Que curava as dores da minha vida

Rimadas entre ir embora ou ficar

Entre o ódio e o amar

Entre minha vida na rua e o aconchego do meu lar

 

Ah, o velho bar da esquina

Que vivenciou cada página do meu desespero

Amparando com muito respeito cada papel

Que eu escrevia pensando se era um cordel

As história que tentei esconder por puro medo

 

Ah, o velho bar da esquina

Que me viu sentado, humilhado e cansado

Todos os dias em que você esteve ao meu lado

Foram as páginas de rancor que fiz teus versos

E agora espalho por cada mesa que eu rezo

 

Ah, o velho bar da esquina

Que com muita paciência esperou eu sair

Para que no outro dia pudesse sorrir

Quando com tantos outro lamentos eu voltaria

E mesmo chorando fazer tudo aquilo com alegria

 

O velho bar agora fechou

E tantas páginas rasgadas nele ficou

As mesmas que falava sobre você

As que falavam de amor

E que nunca cansei de escrever

 

As velhas lembranças estão ali

Intactas pelo tempo

E assim para sempre será um alento

Quando pensar que escrevi num momento

Em que minha poesia esteve sincera

Esteve em harmonia e à espera

De uma outra menina roubar meu coração

De roubar meu defeito de se apaixonar

E de escrever em palavras o que não posso falar

Geovani Nogueira

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Suas cartas

Surgirão cartas de consolo quando partir

E estrelas irão te seguir

Para guiar o frágil sentimento que tens

De ver a bondade antes de cair

E da queda tens a sensação de conforto

Que naquelas cartas de consolo

Tão bem escreveu

E que quando meu deu,

Não pude ler

Nem pude guardar

Suas cartas precisava recusar

Quando partir, surgirá as incertezas de suas palavras

Ditas sem temor por tanto tempo

Que jogadas ao vento, ficaram usadas

Inutilizadas pela incerteza de um peculiar sofrimento

Quando partir vai ser doloroso

Porém, igualmente necessário

Mesmo que este sofrimento seja carinhoso

É um bem estar imaginário

Como se fosse precioso

Se partires, ouvirás minhas lamúrias

Não tão altas, para não voltares

Sei que longe de minhas luxúrias

Deixarás de ser esta pessoa covarde

E ainda partindo não perceberá

Que estarei sozinho em todo fim de tarde

Vagando pela mesma rua que te conheci

Onde ler suas cartas quase desisti

Desde aquelas que não me valiam

Até as que você conseguiu me iludir

Sem suas cartas estarei bem

Nem melhor, nem pior

Quem sabe desamarrando cada nó

Que não entendo como alguém

Conseguiu colocar em mim

E que quase pôs um fim

Na minha vontade de ficar só

Porém, a vontade voltou

E agora novamente ela é real

Posso dizer que agora no final

Não preciso das suas cartas de amor

E suas palavras me fizeram mal

Geovani Nogueira

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Poesias por sorrisos

Estou com alguns versos secos

Sem sentido e sem calor

Sem brilho e sem volume

Não é meu costume fazer versos sem amor

Estou com frases feitas

Parecem cornetas que cantam agonia

Meu drama de perder a alegria

De fazer uma poesia perfeita

Estou com um poema cinza

Descolorido pelo tempo

Pelo vento e por esse clima cinzento

Que me deixa com preguiça de versar

Estou quase sem tinta

E isso muito me irrita

Quando olho tantos papéis livres

Quase um revide ao meu ódio

E a essa raiva que me limita

Estou sem inspiração

E essa é mais uma razão de estar assim

Pensando que estou no fim

De uma fonte de ideias promissora

Quase avassaladora quando queria encantar

Estou sem aquela sede de escrever

A que tanto me acompanhou

Que sempre me orientou

A traduzir pensamentos em prazer

Prazer em ler e compreender

Que esses poemas são o melhor que posso fazer

Mas eles cessaram

Por um instante se fechou

Ficaram todos escondidos

Acabou quando troquei por sorrisos

Frios e sem graça, mas ainda sorrisos

Que me puxaram pela fraqueza da vaidade

E agora com saudade lamento meu destino

De pensar que os versos seguiram um caminho

Que não pude acompanhar

Nem pude chorar

Pois o caminho inverso foi a incerteza

De pensar que minha tristeza era vulgar

Nem tão belo era meu jeito de pensar

Que tantos sorrisos me cegaram

E que por poesias se foram

Nem me esperaram

Dei a eles versos apaixonados

Dos mais puros sentimentos que tinha guardado

Para quando um único sorriso pudesse me possuir

E nele pudesse construir os mais belos versos de amor

Mas não foi assim

Meus versos tiveram um fim

E a tinta acabou

Minha poesia me deixou

Quando troquei meus versos por sorrisos sem valor

Geovani Nogueira

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Meu espírito de carnaval

Salve os Unidos da alegria
Que nesse carnaval irão festejar
Mas são dos unidos da alergia
O melhor jeito de comemorar

Pode ser porque está com artrite
Ou apenas uma virose indesejada
Pode ser uma incômoda rinite
Ou até mesmo uma unha quebrada

O bloco mais animado chegou
São os que não gostam de folia
Pode parecer pecado nesse país
Possuir outra forma de alegria

São do grupo especial dos que não bebem
São da comissão de frente dos que não fumam
Os que sabem bem para que servem
As fantasias de pijamas que usam

Os acadêmicos do lá em casa
Convidam cada um para ficar na sua cama
Pedindo que acabe logo a algazarra
E que passe rápido essa semana

Nada contra essa grande festa popular
Mas pense se juntassem tudo lá no fim do ano?
Gastava nossa energia, dinheiro e tempo num único lugar
Penso que assim não ficava nada estranho

Imagine que louco o ano começar em janeiro
Normal como em quase todo o mundo
Mas aqui a diversão vem em primeiro
E se der tempo, a gente pensa no futuro

Mas se assim não é possível, oremos
Quem sabe um dia eu vá pular um pouco
Ou talvez desse milagre não esperemos
Não me imagino um dia estar tão louco

Mas a nossa democracia foliã é assim
Roma já dava pão e circo ao povo
Quem sabe quinta isso já tenha um fim
Para começarmos a trabalhar um pouco

Em todo caso, fiquemos com nossa alergia
Ou então espirrando com essa gripe
Pois ficar em casa seja nossa alegria
Mesmo que fazendo nada fique

Motivos não faltam para ficar na sua
Pois em casa nosso carnaval é melhor
Pois trocamos o barulho da rua
Para ficar de boa, tranquilo e só

Geovani Nogueira

Saiba mais…

Dama de fogo

Conheci uma dama de fogo

Que olhava julgando a todos

Que sentia de tudo um pouco

Guardando em seu coração cada lágrima

De cada página que escreveu até hoje

Uma dama de fogo esculpida em sensualidade

Desprovida do pudor da pouca idade

Concentrada em cada ponto de cordialidade

Dos rapazes que por ela se encantaram

E se apaixonaram por cada gesto daquela mulher

Uma dama de fogo que queimava

Transformava em cinzas cada palavra

Das poesias que desenhava em rascunhos perdidos

De um tempo sofrido onde seu fogo era fraco

Uma dama de fogo que não tinha limite

Nenhum horizonte assustava

E assim atravessava cada pôr-do-sol

No desejo único de um mundo conhecer

Em suas mãos ter todo o calor que tanto desejou

Quando o fogo era seu único valor

Hoje soube que o fogo apagou

E aquela dama uma lenda se tornou

Como cada história que ela me contou

Quando me encantei pelo fogo que me aquecia

E que também queimava cada alegria

Que eu tinha em ver aquela dama fazer uma poesia

Quando perguntei a ela quando ela ia se apaixonar

Com sorrisos me dizia que o fogo jamais poderia apagar

Geovani Nogueira

Saiba mais…

A natureza dos opostos

Os opostos existem.

Persistem.

Insistem.

Pelo romance, eles se completam.

Se beijam.

Se abraçam.

Pelo bem estar, eles se combinam.

Explicam o paradoxo do previsível.

Nem ligam.

E pela poesia, disseram-nos que eles se atraem.

Não traem.

Se amam e não reclamam um do outro.

Tão simples assim.

Porém não se esquecem que no fim a verdadeira natureza deles não é de marfim.

Nem de ouro.

É feita de pedra.

Com desenhos rupestres dos primeiros opostos.

Juntos eles só ficam por uma força desconhecida a nós.

Quem sabe é o amor.

Quem sabe é o universo.

Quem sabe os traços de evolução tão complexos.

Uma força que nos ensinaram que juntam-os em perfeita sintonia e melodia.

Nos falaram de amor junto com razão.

Assim eles existem.

Os opostos apaixonados.

Sempre interligados pelo que nos disseram.

Porém existem a natureza deles.

Diferentes e paralelas.

Incapaz de se misturarem.

Mas no final, eles se misturam.

Opostos são para isso.

O desafio próprio da lógica.

A ironia do entendimento.

A força que não explica, mas se aplica.

E no final eles se abraçam

Se iludem.

Se misturam.

A natureza diferente deles é tão linda quanto a poesia que os juntam.

Geovani Nogueira

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Versos de lamento

É tudo torto
Tudo sem cor
Tudo que não mede esforço
E nem compartilha calor

É o semblante vago
Incapaz de seduzir
Que se mostra raro
O desejo de rir

É o completo desafogo
Que não pode suprir
A ânsia do desaforo
De um prazer usufruir

É o desalento sincero
Sempre conquistador
Marcado com o próprio ferro
Na lâmina do lenhador

Inebria
Afugenta
Acalenta a luz sombria

Se faz a própria impureza
Da alma sorridente
Desarmada com nobreza
No afiado e branco dente

Se torna fútil
Aquece com clamor
E assim se torna útil
Cada lamento de amor

Que engana
Que abraça
Que derrama cada taça

Da tristeza se ergueram
Se fizeram os versos mais bonitos
De lamentos e de sorrisos
Que ainda não esqueceram

Geovani Nogueira

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Ciúmes

Estava vermelha.

O sangue coloria as veias de seu rosto.

Piscava tão rápido quanto podia acompanhar seu olhar.

Olhava rápido, e desviava os olhos para o outro lado.

Não queria mais enxergar aquela cena de terror.

Estava suando.

As mãos inquietas apertavam alguma coisa.

Talvez um coração imaginário.

Ou era vontade de torcer um pescoço.

Quem seria o louco a mexer com aquela mulher?

Era somente um desavisado.

Estava agitada.

Poderia melhor dizer que estava intrigada.

Quantos minutos já se passaram?

Uma eternidade para quem via aquilo que ela enxergava.

Engolia suas palavras sem água.

Estava em pé. E querendo ir lá.

Dar um “oi, tudo bem. Quem é você?”

Quem é você que está do lado do meu amor?

Eu deixei? Você pediu?

Mas sua mente se reprimiu. E ela queria poder voar.

Ou voar para longe dali, ou voar no pescoço daquele ali.

Quem era ele? E como chegou aqui?

A noite estava perfeita. A praça, o banco, o romance, o escuro, o namoro.

Tudo que se podia esperar de um início de semana.

O escondido do namoro revelava o proibido da paixão.

Ela com ela não podia. Diziam

Tinha que ser ela com ele pra dar certo. Afirmavam

Que se dane eles. Eu te amo, minha pequena. Todos os dias repetia.

E ela teve a brilhante ideia de comprar um sorvete.

Sua amada apenas sentada esperava uma bola de morango e outra de chocolate.

E lá ela foi, atrás de satisfazer o sorriso de sua amada.

Quando voltou, no coração uma facada ao ver sua amada acompanhada.

Um rapaz sentado no mesmo banco abraçava com força a sua moça.

E o sorvete mal podia se equilibrar na casquinha.

Estava lutando para não cair. Mas caiu.

E a já vermelha e suada romântica não queria sorrir. Mas sorriu.

A raiva passava pelo olhos, e parava na mente.

Quantas formas de esconder o corpo dele aqui nesta praça?

No bolso tinha as chaves de casa como a melhor arma para o que estava pensando.

Pensou em chegar por trás e deferir o golpe fatal.

Mas preferiu se aproximar pela frente.

E se aproximou. Com as mãos apertadas cumprimentou o rapaz.

Quase deixou escapar um “quem é você?”

Mas apenas se apresentou.

Questionada sobre o sorvete que ficou pelo caminho.

Falou que não tinha o sabor preferido.

E no ápice do descontentamento com aquela cena, ela resolveu falar.

Antes da primeira palavra, o rapaz se adiantou.

E com uma feição simpática perguntou.

Se era ela a moça que roubou o coração de sua irmã?

Sem graça ela fitou o olhar para o lado.

Sua amada apenas deu os ombros e falou.

“Lembre-se que lhe disse que não sou a única filha”

Procurando um sorriso sem graça ela sentou

E sua amada questionou o porquê do calor. O porquê daquela cor.

Ela falou que ficou com raiva porque o sorveteiro não tinha o sorvete do seu amor.

 

Geovani Nogueira

Saiba mais…

O amor, passageiro e exagerado

O amor é o vento

Impiedoso quando quer

Exagerado sem necessidade

Mas é passageiro, para o bem das flores

 

O amor é o calor

Aquele que nos faz transpirar incessantemente

Exagerado todos os dias

Mas é passageiro, pois todas as noites sinto o seu frio

 

O amor é a chuva

Que molha bem mais do que rezamos

Exagerada quando quer se exibir

Mas é passageira, quando até o arco-íris pede para se secar

 

O amor é tristeza

Aquela que nos faz chorar sem querer

Exagerada forma de lamentar

Mas é passageira, pois sempre haverá sorrisos após as lágrimas

 

O amor é o medo

Que nos faz temer até o simples

Exagerado, ele nos impede de acreditar

Mas é passageiro, pois a esperança rima com confiança

 

O amor é a fome

Que gosta de aparecer em horas impróprias

Exagerada, é a necessidade de ter aquilo que não podemos

Mas é passageira, pois é só uma sensação da mente

 

O amor é o desconhecido

Que nos faz pensar se era possível

Exagerada maneira de enxergar o mundo

Mas é passageiro, pois todos temos espíritos de exploradores

 

O amor é o terrível

Que se parece com melancolia

Exagerada palavra de pouca coragem

Mas é passageiro, pois não se precisa entender o amor

 

O amor é preto

Na falta constante que faz o vermelho

Exagerada forma de observar as cores

Mas é passageiro, enquanto houver tinta, pincel e afeto

 

O amor são poesias

Em tortas linhas do destino

Exagerada maneira de imaginar o futuro

Mas é passageiro, pois o verbo se faz carne, e a poesia se faz o real

 

Por fim, o amor é passageiro

Que nunca sabemos quando vai acabar

Exagerada forma de pensar

Que passageiro foi o nosso amor

E que isso que sinto é um devaneio

Ou que não tem cor

Que não teve calor

E que passageiro foi esse sonho que você me acordou

Geovani Nogueira

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Todas as rimas da Ana

Era Ana, e assim ficou conhecida por todos

Era bela sua maneira de se expressar

Era Ana na sua maneira de agir

De refletir, de pensar

Era estranha, e assim era famosa

Até seus xingamentos sabiam rimar

Muitos possuíam sinceridade

Outros apenas vontade de desabafar

Era bacana, e ainda sim era chata

Seu temperamento único era de se admirar

Todos a queriam por perto e por longe

Que tal a uma distância segura, para não arriscar?

Era mundana, pés no chão, cabeça na lua

Não se discutia qual seria o próximo lugar em que iria estar

Seus pensamentos iam longe de seu corpo

Atravessavam fronteiras muito e muito pra lá

Era sagitariana, com todos os pontos e vírgulas

Somente os astros poderiam lhe explicar

Dizem as más línguas serem sinceros e otimistas

Até agora disso ainda não posso discordar

Aqui e ali um pouco insana, e tinha motivos

Não é tão simples ser normal nesse mundo de morrer ou matar

Porém era tão sábia como muitas que conheci

Sabia bem o que dizer na hora de ensinar

Era a semana, onipresente em meus pensamentos

Longe dela não poderia ficar

Pensei que de longe poderia a conhecer melhor

Mas decidi que perto posso melhor lhe observar

Ainda sobre a fama, seu brilho tinha 1,55 cm

Só quem ela queria sabia seu nome falar

Só quem queria perto dela podia sentir

Todas as coisas boas que ela podia compartilhar

Café na cama, era assim que sonhava

Em todo sonho, café não podia faltar

Café de dia, café de noite

Café na hora do ódio, café na hora de amar

A Ana era assim

Rimava com tudo que lhe fazia bem

Bem feito que ela encontrou alguém

Para revelar os segredos da semana

De uma mulher mundana

Dos devaneios da fama

Da ingenuidade sagitariana

Ora, Ana

Que mal há em me dizer como alguém como você não se possa amar?

Você me ama? Ana

Ainda não?!

Que bacana

Não saberia lidar com esta fama, da Ana poder me amar

Porém também não saberia viver sem um dia desejar levar o café na cama

Da menina que de nada reclama

E de nada se espanta

Quero te ver toda semana

E me perguntar se quem te ama

Conhece tão bem a Ana, como eu penso conhecer

Duvido alguém ter essa sorte insana

Não conheço ninguém como você, Ana

Por isso falei de ti

No passado, porque lembro de tudo

No presente, desejando seu carinho

E no futuro não quero estar sozinho

Quero estar perto de ti, pessoa bacana

Que rima com todas as coisas boas que penso

Que rima com beleza

Rima com nobreza

Rima com diversão

Rima com ficção

Com risadas

Com emoção

Rima até com cama

Ou com insana?

Rima com sagitariana

Rima com estranha

Com a fama

Com a semana que levei para lembrar de todas as rimas com você, Ana

A propósito, como é mesmo que você se chama?

Geovani Nogueira

 

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