Posts de Laís Maria Müller Moreira (15)

O Idoso é Amigo

Como se pode esquecer daqueles que para nós foram a essência.

Daqueles que em sua veemência nos deram a base o estado de viver.

Luz em decadência deve ser aproveitada,

a candeia que alumia não pode ser jogada num canto,

como velho metal que de nada serve.

Os abusos contra os idosos proliferam por esta Terra incomum, 

onde a juventude é valorizada em quinhão desmedido.

É do velho que vem o exemplo, aquele que plantou a semente,

que agora colhemos fartamente

e nem sequer um muito obrigado

oxalá um basta.

É preciso ser mais comedido e modificar os valores,

onde a decrepitude do idoso se faz ridicularizada,

em jargões em todas as classes sociais

e se faz motivo de risos soltos,

quando os presos em seus leitos,

não tem forças suficientes nem mesmo para caminhar.

Aliviar o fardo que carrega o idoso

é modelo ditoso de se comportar.

Alegrias poderiam ser entregues todos os dias,

àqueles senhores, que muitas vezes têm seu descanso

na sala de estar, por não terem outra opção para se locomoverem.

São lacrados em lares onde as condições não se fazem maravilhas,

muitos jogados às pilhas como se  nada valessem. 

Vivem em albergues mau cheirosos onde a malquerença

demonstra a falência de uma sociedade ingrata, que não demonstra

gratidão ou relevância, àqueles que lhe serviram de esteio,

que lhes estenderam um berço,

e que em noites de vigília em candura e ternura, lhes embalaram

em braços, unindo o seu cansaço em ardor e calor.

É do velho a lição particular, que a medida singular,

que precisa, que é incisa, é derramar amor!

 

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Leveza

Asas encantam, inebriam, deslumbram,  de leveza  contam , no aflar, num ciciar de condão.

Onírico fascínio, onde o fitar faz domínio, um só foco hipnotiza, num só ponto a atenção.

Balizas voláteis, lábeis, voam pelo céu azulado.  Ó destino feliz destes seres alados, que no adejar em fulgor,  aos nossos olhos parecem ser dos anjos um favor!

 Claridades nos molham, tingem, impingem magia, na açucarada euforia de presenciar a fragilidade de  existências em  brevidade . Valor, em que o tempo  não conta  , e sim a monta vem do primor, da preciosidade   do voejar rebuscado em  magnificência. Vidas curtas, pulsam notórias no seu curso, transitórias, radiantes, em galante  esvoaçar .

Borboletas nos deixam ao chão atados, tal  anacoretas fascinados, ante a beleza descomunal, qual arrogantes  prostrados, ante a leveza celestial.

Ode, canção, reticências, quem resiste à opulência, de um ser que dos céus desce?

Parece, que com clemência nos olham, no condão que  demostram,  na efervescência  flutuam,  e a nós se insinuam,  por compaixão!

 

 

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Feliz Aniversário Princesa!

 

Querida e amada menina cantora, acolhedora como ninguém, anfitriã especial.

A todos encanta, com atenção, graça e destreza, extrapolando em beleza os anjos do céu.

Princesa, no requinte e elegância,  espraias tua suave fragrância, por todos que te rodeiam.

Sem temeridade, vai atrás de cada uma das ovelhas desgarradas, bem como da palha seca do jardim.

Silenciosa e tranquila estendes a tua mantilha para agasalhar cada um.

 

Parabéns no teu dia!

 miles de  beijos

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Romance

Romance e insinuação iniciam com vermelho.

Cor e rubor aditivos são, de que se valem os folhetins, em paralelas projeções em carmim.

Sugestivas são as belas, das populares novelas, tanto quanto nos contos eruditos, que se aventuram ao inaudito.

Irônicas ou simpáticas, figuras enigmáticas, que tapeiam a desventura na sombra de um leque, onde a candura da face pode representar um blefe.

A cor modela, todas elas, senhoras, donzelas, trajadas em gala, na seda que farfalha resplandecem adornadas, de cetim cravejadas. Ombros desnudos, insinuantes, lábios carnudos, batom berrante, compasso ardente, que mascara, onde quiçá a tara é de uma frieza cortante.

Segredam, ou talvez não se importem de se portar, como figuras pictóricas, imagens alegóricas, que do real carecem ser, mas se parecem como o social deseja ver.

Poço de desejos? Quiçá na pose, que nada tem de seu, e que somente oferece a face oculta da gazela, que vai à luta e engambela cujos ensejos perdeu.

Envolta em púrpura e galanteios, emblemática em vermelho, habita um mundo acrômico, sem separar o antagônico.

É carmim, a dúbia imagem no espelho, rodeada de luz no camarim, onde as mazelas se escondem por detrás de imagens belas!

 

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Ponto Cheio

Desperta pelas claridades da suave manhã, envolta na delicada paisagem se encontra a artesã.

Absorta, o trabalho exorta, tão pacificada, aplicada borda. É o ponto cheio a preencher, passa  o entremeio, sem tempo a perder.

Fina a agulha reta, treliça e ponto nó, da bainha aberta, da roseta ao rococó.

Em retirada estratégica, busca a paz de um refúgio, numa escapada  enérgica, sem deixar vestígio. Esquece  a mantilha, embora o vento frio, longe da matilha de soar  vazio.

Só, sozinha , senhora de si, parece que adivinha, o que diz o bem-te- vi.

Artesã de fio e linha , a paz que a circunvizinha vem do labor, faz do trabalho ladainha, num simplório hino de amor!

 

 

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Quando as Folhas Caem

 

Quando as folhas caem

 

 

O crepúsculo minúcias revela,

vem e a  luminosidade debela,

diz que a luz do dia é finita.

 

O outono se parece com a vida,

mostra que o término se acerca,

em breve não mais se enxerga.

 

O  outono é ouro florescente,

para todo  aquele que é ciente,

que a felicidade é asserenar.

 

Em outra fase irá adentrar,

e disto ter plena consciência,

é o coroar de toda a existência.

 

O verbo vem a ser o estar

porque o sentido da vida

se resume em serenar.

 

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Mulher Gueto

M  ulheres tantas

U  surpadas de direitos

L  evam a vida a despeito

H  umildade mostra a manta

E  nrodilhadas em artimanhas

R  evolvem dores tamanhas

 

G  uerreiras destemidas

U  sam as forças parcas

E  m favor da prole querida

T  emem  a todo instante

O  desamor que as abarca

 

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Nas emboscadas, em situações capciosas que a vida trama, tal um melodrama, o itinerário dos dias é o constante cambalear.

Quando a neve parece enregelar os sentidos, pelas cruezas sofridas, quando a lida parece sem valor, quando se perde o sabor, e sem sinal de melhora, então a hora parece fatal.

Heróis são todos aqueles que sobrevivem as agruras diárias, onde o inimigo invisível é a falta de parcos tostões, ou a indigência de afeto indizível aos borbotões. Heróis de valor em todas as artimanhas, nas batalhas tamanhas, onde contra se arregimentam forças broncas, onde o saber, o construir parecem desaparecer a golpes de artilharia, iguais a madrugadas frias. O destruir por prazer se faz brado forte, onde a angustia convive lado a lado com a morte indiscriminada nos campos de batalha, feito um lazer.

Uma vida nada vale, é lema, é emblema de tantos.

O exterminar virou o brado retumbante, homens e mulheres nada relutantes em costurar o avesso dos sentimentos, onde a destreza de manusear uma arma se encontra no meio do banco escolar.

Mundo surdo, sujo e hipócrita, onde o comércio ilegal se faz legalizado, onde a causa do defender-se pode render a falência, o nocaute de várias vidas ao dissabor. Mundo onde o sentido profundo se perde, onde a metralha se faz na recusa de migalhas, sem valor.

Homens sem lábaro, sem camisa, sem comiseração, saem às ruas sem sinal de bravura, sem sinal de esperança, onde a força do fuzil se cruza na bala não achada, mas na perdida no cruzamento, abaixo de um firmamento, num céu de anil.

Força que não se faz armada, vem despertar a caçoada, e na força tênue a descoberta que o desmoronar começou.

Cedo, muito cedo, crianças vis, seviciadas são enjauladas, é o fincar as guampas no inferno, e o grito estéril nada repercute na força bruta, na artilharia atroz.

 Ó Céus, para onde vamos todos nós?

 

 

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Entre as Flores

Entre as Flores

Recantos amáveis  como convidativos espaços, por nós  cultivados, são importantes para aqueles que deles conseguem usufruir os encantos , como também as alegrias multicores .

 Uma manhã bem desfrutada, num jardim caseiro , preenche os convivas de perfumes, de aromas, cores que saltam às vistas quando observadas.

Sossego, paz e compreensão, podem estar bem ali, ao nosso alcance e com todo o recato possível é formado um ambiente pacífico de harmonia.

Só o abrir as janelas e deparar com um mimoso espaço, nos torna mais sensíveis às miudezas da vida, bem como aos pequenos prazeres que existem, aos que têm o requinte de apreciar.

Vias lúdicas, multicolores, saliências e canduras são como manhãs de verão, que ao contemplar verificamos quão perto de nós estão.

Recantos encantados podem estar ao nosso redor. Desfrutemos pois os pequenos prazeres familiares, que a todos promovem lembranças, horas, dias, verões, doces recordações.

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Às Voltas


Encantos podem revestir-se em sutilezas, quando externamos os sentires.

A expressão corporal vem exalar as nossas emoções.

Não somente a palavra diz, o corpo por inteiro fala, e conta coisas que os lábios retém.

Somos compostos de emoções, que são fiéis aos nossos sentimentos momentâneos, a sensação se exala, vai além e o corpo inteiro revela.

 A dança demonstra aquilo que a boca cala, o que não se diz se faz manifesto neste estado que condiz.   

Expressões corporais são avenças,  são um encontro não camuflado daquilo que vive em nós.

Impossível parar de exalar e deste modo condizente o corpo narra e delata em seu modo displicente confissões mil.

Como calar os olhos frente alguém que se quer? Como não demonstrar a contrariedade que se requer face a um ardil?

A dança externa sensações, volatiza pelos gestos , sintetiza  impressões , retratos manifestos das recônditas emoções.

O bailarino em cena, mostra problemas, contrassensos, evola odores, queima incensos que habitam em si.

Toma o corpo em chama, na melodia o melodrama , é verbo solto, sem freio anistia, é  vertigem em vestígio que não está morto.

Vive e mostra fidedigno àquilo que o coração diz.

 

 

 

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Plenitude

Plenitude

Sem se pensar no final o sabor vem a ser avivado.

Tudo se faz continuação. Sonhares rebuscados, são tal uma grande orquestra, que na melodia do sempre, continua a evolar.

Dias que não terminam, tudo é infinito, o que não tem fim.

Eternidade é viver para sempre, mesmo que seja na roda da vida, em seus dois estados.

Viver sempre viver, isto é plenitude, e sonhar é juventude que não tem fim.

Perder-se nos tempos de longínquos primórdios e prosseguir na busca de novos sóis, que estão ainda a eclodir.

Pleno é uma representação majestosa, onde ser sereno vem à baila, é estar a par que a vida é sensação de continuidade, onde não se encontrará o fim.

E mesmo na proximidade da dita morte, encontraremos novo rumo, norte que nos levará a não ter fronteiras e no estado de vida plena, influentes seguir.

Vida sempre vida, alegria infinda, é lágrima que não verte, é romper a barreira do inerte e na vibração saber que a dimensão em movimento se faz.

Vida sempre vida, dos dois lados, dos dois modos, vida episódio colossal, onde o fim não existe!

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Enlevos

Arte de Safira Saldanha

Enlevos

 

Enlevos muitos encontramos vida afora, toda a magia mora no encontrar renovação.

Quando o velho se faz devastado em seu ergástulo, então o brotar vem a ser a tônica e a forte expressão.

Canduras e alvores são dádivas e as encontramos ao nosso redor.

Alegorias se inspiram em flores, que são miúdas representantes da beleza e perfeição.

Alegrias mil brotam em multicores canteiros da vida, e abrir-se a elas é se deixar levar pelas inspirações, que cândidas vêm nos contar, que o enlevo reside num simples botão.

Ramalhetes nos são oferecidos todos os dias e que os recebamos contritos, como mais uma página bem nas entranhas do nosso coração.

Botões, amarelos, lindos lilases compõe cena, nos deixando o esplendor como morada e o vigor que nos apresenta uma simples e singela, modesta flor.

 

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Ultrapassar


Ultrapassar

 

As eras se passam e nelas revivemos as dificuldades, moinhos que eram parados, agora se movimentam em profusão.

Entre dois vales, sustentando a todos os passantes, o romantismo de uma ponte traz nódoas ao relembrar.

Dias de antanho e o tamanho martírio que simbolizavam aqueles dias, na vida de cada um transeunte que suas mazelas ali passava.

Castelo e casebre, par a par, senhor e vassalo sem dialogar, e as águas tranquilas seu curso seguiam, sem se importar.

Dementes, decentes, a plebe, o clero a cumprir suas sinas, uns choram a ruína, outros dizem, eu quero.

Passagens certamente se farão, no puir, na bancarrota, ou na opulência marota, para poucos.

Passam poetas, passam os loucos, em sua ânsia febril, e as águas dolentes refletem o poente, o sol nascente, e as tardes de anil.

 

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CPP