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POEMA DE AMOR MODERNO

POEMA DE AMOR MODERNO

Por sermos tão diferentes, somos iguais.

É o humor da natureza

Manifestando-se em nós.

Héteros,

Heterogêneos,

Luz da alma.

O amor.

Etéreo,

Eterno.

E assim vamos lambendo

O mesmo oxigênio.

Os nossos corpos,

Mostrando os dentes,

Dentro

Da carne.

Os lábios procurando

Ventres livres.

Ventos livres

Para os nossos sonhos.

Dê-me uma mão

E lhe darei um gesto.

Dois corpos irrequietos

Refletindo no teto.

O céu

Está tão perto.

Parto

Do riso.

O verde e o castanho

Cobertos pelos lençóis da noite.

E a Lua dizendo_

Eu os consagro,

Em nome das estrelas.

 

Mário  Sérgio de Souza Andrade – 22/04/2017

 

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FINALIS


O mundo acabará
Antes que o amor acabe.

Para os loucos, para os lúcidos,
Aos pares,
Antes que o amor acabe.

O espetáculo da vida
Em monumental orquestração.
A alma ouvirá
O timbre do coração.

A Terra sempre será redonda,
Aos olhos da magia, não,
A Terra sempre será
Amante da Lua, então.

Ao belo e sempre sorriso,
Uma flor desperterá de um sonho
E florirá contente,
O amor
Será de toda a gente.

Não haverá
Necessidade da lógica.

Não será preciso
Fórmulas inequacionáves.

Não existirá
Moedas de consumo.

O universo,
Será pleno.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 20/04/2017

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EXCUSARE

EXCUSARE

A sombra
em disfarce do corpo
acompanha os passos da manhã

Jurei que o mundo me daria o tempo,
Cheguei ao hoje com as mãos vazias.

Maria, Maria, Maria,
Onde tu andas?

O sol é árvore celeste,
Seus frutos alimentam a alma.
E qual o sentido dos planetas
que se escondem atrás das estrelas?

O sonho é o deflagar da vida
no parto do amor sem despedida.

Ninguém pensa em mim
quando uma lágrima desponta
na triste beirada de um cílio.

Não sou a sobra que nasceu
do espasmo de um deus,
O que é demais intenso
navega nas águas da eternidade.

Planto uma cruz na próxima esquina.

Espia, Maria,
É teu filho a perdoar os nossos erros.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 10/04/2017

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SONHOS

SONHOS

Toda a vida, a poesia
foi um sonho.

Todavia,

Um grande sonho.

Fragmentos silábicos
juntando-se à inspiração.

O coração faz parte desse sonho.

Assim como as lembranças,
O que os olhos vêem
e jamais esquecem.

A poesia
é o desejo da boca
e alimento da alma.

Pura, e simplesmente
única,
A palavra.

Os quatro elementos
em constante
movimento.

A terra,
Que nos tornará eternos.

O fogo,
Que nos inspira à febre.

A água,
Onde flutuam
Os pensamentos.

O ar,
Poesia que nos faz
respirar.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 08/04/2017.

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CHAMADO

CHAMADO

Poetas de todo mundo, versejem por nós!

Em nome de todas as palavras, versejem por nós!

Para livrar-nos da ignorância,

Versejem por nós.

Pelo som de nossas vozes,

Versejem por nós.

Com as mãos abençoadas, versejem por nós!

Pelo grito forte das letras, versejem por nós!

Poetas de todo mundo,

Versejem a liberdade, a caridade,

A igualdade, a verdade,

Versejem por todos nós!

Pela sagrada iniquidade,

Versejem por nós.

Façam do amor o seu escudo,

E versejem por nós.

Por nada e por tudo,

Versejem por nós.

Pelo simples e o absurdo,

Versejem por nós.

Pelo líquido desejo, por sonhos, os beijos,

Versejem por nós...

Versejem pelo sopro da vida,

Ou o encanto da morte.

Por sobreviver a este mundo,

Versejem por nós.

Versejem pela Lua

Que tão distante,

Simples e nua,

Encanta a tantos

Que nem os prantos da saudade

Fazem doer a solidão.

Pela rima que combina

A sutileza e a calma.

Pela leveza da alma

Versejem por todos nós.

                                                                                                                                        Mário Sérgio de Souza Andrade    - 01/04/2017

Saiba mais…

SAUDADE

SAUDADE

Ai, amor, ainda vives no meu peito !
Para mim, tu és a razão da física e do inexplicável!
Estas lágrimas?
São para ela, e para ela, sempre serão.
Ela, que cometeu o pecado de me amar
E pensar que um dia
Pudesse acabar.
Ai, amor!
Adoro essa dor!!
E pensar que sonhei...
O que hoje sei sobre o amor é abstrato,
Um traço entre hemisférios desconhecidos
E um coração severamente ferido.
O que se sente uma vez, jamais será esquecido.
Caminhei tantos dias, até chegar o dia de hoje,
Ainda inconclusivo,
Para que eu vivo?
Se não por ela, mesmo oculta face do milagre,
Ainda encantamento.
O tempo se distraiu em minhas retinas,
Mas não houve tempo que não amasse,
E por mais tempo que passe,
Serei o meticuloso inseto cozendo o casulo
Até chegar o momento de abrir as asas.
Ela? Indiferente...
E que continue,
O tempo dilue a dor e purifica a alma.
A calma do mar será lembrada
Em cada pegada na areia.
Em suas veias correrá mais o sangue vermelho
Do que o velho tom desbotado da solidão.
O botão da flor de cor intensa brilhará
Na realização do sonho realizado.
O passado serve para nos servir,
Nos eximir das perdas
E nos recompensar com o futuro.
E hoje é para ser vivido
Como se nunca tivesse acontecido
E tudo se torne algo novo
Com o sabor de uma saudade antiga.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 25/03/2017

Saiba mais…

CANTO DOS VENTOS

CANTO DOS VENTOS

Não acredito no esquecimento,
São fingimentos da memória.

A vida é feita de fragmentos,
Lacunas que oclusam os pensamentos.

Rastros do tempo não se apagam,
Caminham ao lado dos sonhos
Que não conseguimos realizar.

Os ventos cantam
O momento de seguir em frente
nos guiam por outros lugares
Que julgamos sermos impotentes
Para caminhar.

Mas nada se interpõe
Entre o desejo e a realidade,
Vontade seja feita.

Mesmo com todos os defeitos
Que a natureza sã nos impôs.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 25/03/2017

Saiba mais…

NOITE

NOITE


Nossa noite não se desfaz ao amanhecer,
Nosso amor é o eterno renascer,
Não o "não o ser, ou não ser"
Simplesmente, "é".

O ontem, o agora,
A sonora magia
Que não acaba com dia.
É poesia que exige
A permanência da Lua.

O que nós somos,
Ou ainda seremos,
É assunto pequeno
Diante de tanta magia.

É tempo de contar estrelas,
Dar-lhes nossos nomes,
O casamento
Entre o espaço e o tempo.

Mas que seja sempre noite,
Afinal,
É nela que estão os nossos sonhos.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 20/03/2017

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OS IMPERFEITOS

OS IMPERFEITOS

Arrepender-me por que?
Arrepender-se é abrir a porta para o fracasso.
Arrepender-me por amar?

Arrepender-me desse sentimento intenso
Que acende a força interior?
Arrepender-me de fazer do amor
A mola que sustenta o meu mundo?

O arrependimento acredita no passado
E amor vive no presente.
É melhor o amor depois
do que uma solidão a dois.

O arrependimento é a certeza da incerteza.

Quem ama desconhece o perdão,
Porque a alma de quem ama é limpa,
Mesmo nos realces do imperfeito.

Perdoar é o alicerce do arrependimento.
É preciso descobrir, aos poucos,
O que nos revela o diálogo interior.

O amor é uma brincadeira arteira,
Deixa-nos feliz por um instante,
Um instante antes de ser conhecido,
Mas o melhor instante já vivido.

Arrepender-me de que?

Se até o sofrimento se vai com o vento
E uma linda lua nua se coloca em seu lugar.
Arrepender-me de ter ofertado o mar,
Mesmo sabendo tratar-se do impossível?

Impossível é não ter o mar quando se ama,
O mar é a paz reinante do amor
E as ondas inconstantes da vida.

Não existe esquecimento,
O que existe é o momento de não lembrar
E ter somente no olhar
O que de melhor se reservou.

O que acabou, nem sempre acaba,
Respira, na tênue linha entre a vida e a morte,
Quando o filme de tudo o que passamos
Passa em quadros coloridos nas nossas mentes.

Os inteligentes, amam,
Os outros, se arrependem,
Os demais, perdoam.

Quantas sombras já estiveram
Nos corredores em que caminhamos?
Mas apenas a sombra
De dois corpos que se amam
Jamais deixará de ser
A sombra que impregna a alma.

Versos, eu escrevo,
Amor, eu vivo.

Ainda que a distância,
E do outro, a indiferença,
Insista em permanecer no ar,
Eu sempre vou procurar
Um novo ar para respirar.

E meu contento, a felicidade,
É saber feliz
Quem amo de verdade.

E minha tristeza,
Meu coração sabe,
E de quem vive em falsidade.

Do que me arrepender?
Quero viver a eternidade
Que meu espiríto permitir
E meu corpo suportar.

Nem perdoar, nem arrepender-me,
Aprender a esperar, reconhecer,
Que nem tudo ou todos são o que são,
Uns vivem com os pés no chão,
Outros, somente com o coração.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 18/03/2017

"Gratidão eu dedico somente aos meus pais, aos demais, meu agradecimento"

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GRATIDÃO X AMOR

Gratidão não é amor, amizade não é amor.

Gratidão é dívida que se paga,

Amizade é abraço que se guarda.

Pode-se viver do altruísmo,

Cedendo ao outro um tanto de si mesmo,

Mas nunca será completo

Quem cede mais ao outro, do que a si mesmo.

Estranha felicidade, a que oculta a sua verdadeira,

É um sorriso que escorre dos lábios,

Mas não o beijo, prazer por inteiro.

As mãos representam a gratidão

Quando juntas devolvem o bem feito,

Porém, um bem feito não se eleva

À dádiva do amor perfeito.

E quem somos nós

Para usarmos e ousarmos que a fé

Nos eximirá da culpa

De sermos o que realmente não somos?

Sim, somos pequenos, e assim seguimos a vida,

Corrigindo os erros cometidos

Na esperança de um perdão divino.

Mas os sonhos, estes não nos enganam,

Trazem-nos, do adormecer,

O prazer da vida que buscamos.

O que dirão nossos filhos

Quando lhes constarmos a realidade,

Que sob o manto da gratidão,

Guardamos um tanto de saudade.

Amor não é gratidão, nem amizade.

A verdade está oculta no coração

A recordar das palavras tão sinceras,

Que inundaram nosso corpo e alma,

Trazendo-nos a calma que buscamos:

- Eu te amo.

Três palavrinhas tão pequenas e tão gigantes,

Tão diferentes do que sentimos agora,

Mas chegará a hora de nos arrependermos

Por termos perdidos

O que de melhor poderíamos ter vivido.

Mesmo à sombra das dores,

Ainda no calçar do medo,

Medo maior é morrer

Sem ter tido o prazer de viver.

Não importa quantas viagens faremos,

A sombra do que somos continuará perdida,

Nos procurando nesta,

E em todas as nossas vidas.

Sim, porque não somos um só,

Somos tantos quando amamos,

Que podemos enfrentar o mundo

Apenas com a força dos sentimentos.

E você, e nós,

Que vivemos sob a égide

Da gratidão e da amizade,

Nunca, finalmente,

Seremos felizes de verdade.

 

Para alguém.

Mário Sérgio de Souza Andrade – 13-03-2017

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REGALO

Escuto o desejo bolinando com o silêncio da alma.

 

Vozes nuas penetrando nos sentidos,

Prevaricando a castidade dos ouvidos.

 

Aura em cerca dos devaneios,

Os seios da poesia enrijecidos,

A língua sorvendo todos os idiomas.

 

Os olhos somam visões ventrais,

Júbilo dos sonhos.

Fluídos astrais

Escorrem sobre a nudez adormecida.

 

Vivas,

Papilas gustativas.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 13/03/2017

 

Saiba mais…

VENTO NORTE

VENTO NORTE

O que me pesa é o passado.
Foram dias longos,
Madrugadas intensas.

Uma vida,
Verdadeira...

Com todas as chances e perdas,
Os erros no tempo errado,
Os acertos, flutuando no quando.

Tentei evitar o corte,
Mas a lâmina curva da foice
Teve como destino as minhas entranhas.

Criaturas estranhas cruzaram meu caminho.
Fingindo amor, transformaram dentes em presas,
Rasgando minha pele e sangrando minha alma.

Perdi as minhas digitais
Acariciando o couro invisível da falsidade.

Quantas horas contei, perdidas,
Nos cantos em que me escondi,
Da vida...

Ah, meus olhos!

Eu não sabia
Que a nudez
Fosse capaz
De cegar o homem.

O céu tornou-se apenas senhor das chuvas,
O mar, tristemente, afogou a esperança,
O que flutua agora
É o reflexo que não se firmou no espelho.

Torna-me-ei velho
E sem a sabedoria dos anciãos,
Meu coração será o símbolo
Da flecha que trespassa
O músculo que insiste
Em palpitar,
Aquém de qualquer motivo.

Eu pisei nos sonhos que plantei.

A lógica matemática dos pensamentos
Não definiu o resultado
Dessa equação sem fim.

O amor é o lírio despedaçado
Que brotou das minhas lágrimas.

Páginas futuras
Poderão vir a ser um livro,
Mas agora,

Quando sopra o vento norte,
A morte vem a galope.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 09-03-2017

"Quem deve para a vida, será cobrado pela morte"

Saiba mais…

EM CHAMAS

O que tive em vida espero da morte,
Sem navalhas afiadas ou becos escuros.

Quero casar-me no céu.

Encontrarei vidas passadas
Roupas lavadas
Água pura

Não haverá noite escura
ou escaldante deserto.
Nada será incerto

O amor
Terá conserto

As falhas queimarão com as palhas.
A palavra se espalhará como o vento.
Os pensamentos serão de todos
E tudo será dividido.

um pouco para cada um

Horas, para que servirão?
O tempo não passará,
O mar não se abrirá,
A terra não frutificará.

O desnecessário
Será o óbvio.

Nem cavaleiros perdidos nas guerras
ousarão erguer suas espadas.

Os trovões da madrugada
Silenciarão os corações aflitos,
Pena,
Serão ouvidos os gritos dos anjos.

Aves vorazes sobrevorão escalpos,
O sério se distrairá com o riso,
Nuvens acalentarão sonhos
E a solidão será célula ausente.

Nos olhos perspicazes flutuarão cores,
Esparsos redemoinhos girarão lentamente,
A força do destino tomará forma
Quando o menino crescer e virar gente.

Não valerá plantar árvores no asfalto,
Nem quebrar os infrutíferos espelhos,
O reflexo aparente transparente
Divergirá do corpo que se apresentará.

Não tenham fome, meus irmãos!
A fome os matará sem piedade!
Não tenham sede,
A sede secará seus lábios!

Pensem apenas em como sobreviver
Neste mundo aonde os vivos reclamam da vida que levam
E os mortos se acostumam a estarem mortos.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 07-03-2017.

Saiba mais…

AMAR

É pouco o amor que não resiste às amarguras,
É triste o amor sem beijos,
É pálido o amor que não sorri,
O amor não precisa de espelhos.

Nas fronteiras que limitam vida e morte
O amor se coloca em meio destino,
Nem o sonho de ser eterno,
Nem a sombra de tão verdadeiro.

O amor por inteiro
É parte do amor verdadeiro.

Reflete na saia luminosa da lua,
Desprende-se do retrato na parede,
Supera o sono em suspiros,
Espera seu dono na porta.

Não importa amar sem ser amado,
Por vezes, um pode mais do que todos.

O amor tem sua tradução nos tolos,
A mentira que nos faz feliz,
O momento que nunca passa,
O perdão que nunca termina.

Amar é germinar no corpo
A semente maior do tempo,
A que cresce em pensamento
E que dá frutos pela vida inteira.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 05-03-2017

Saiba mais…

OCEANO

Minha alma é como as marés,

Sabe bem os caminhos da vida

E onde o amor aporta.

 

Os desejos se perdem entre os sargaços

E novamente se encontram ao beijar a areia.

O mar semeia, os sonhos colhem.

 

E minha alma se diverte com o sol

Que muda as horas do coração,

Até deitar-se atrás das estrelas

No abraço carinhoso da Lua.

 

Sabe Deus o que é ser poeta,

Oceano onde a alma se completa.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 07-02-2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saiba mais…

NÃO SEI ONDE

 

Meus olhos assistiram o mundo.

O mundo se modificou.

O mundo em que nasci era outro,

Não este mundo torto.

 

O mundo não roubava sonhos,

Os transformava em realidade.

 

Nasci num mundo de janelas abertas,

Onde os olhares se cruzavam diariamente,

Sem medo de se encontrar.

 

Cresci num mundo de água potável,

A sede morria, não as pessoas.

O homem era o homem

Em comunhão com o mundo.

 

Perambulei por terras distantes,

Outros portos, outros costumes,

Terras de semear, chão para pisar,

Ar para respirar.

 

Até o amor era mais presente,

A solidão distante,

A tristeza?

Ausente...

 

Meus passos entre pétalas perfumadas,

Faziam da estrada um caminhar suave,

Deixando para trás

O que poderiam ser espinhos.

 

O mundo não comprava egos,

Não se consumiam vaidades,

E a verdade era uma veia exposta

Nos corações sinceros.

 

Não era um mundo jovem ou velho,

Era um mundo para todos,

Por todos,

E de todos.

 

Seria uma ideia tola

Mudar esse mundo

E o modo em que vivíamos.

 

Mas os ratos nascem nos esgotos

E se multiplicam na podridão.

Escolhem os lugares escuros

E se escondem nas curvas dos becos.

 

O mundo estava mudando.

 

Senti os dentes do progresso

Dilacerando a carne,

Consumindo a vida,

Despertando a morte.

 

O que chamavam de futuro

Era o agouro de um sinistro amanhã.

 

Na mesma condição de espécie,

Hoje os ratos caminham entre nós.

 

Nós estamos nos becos.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 06-02-2017

 

 

Saiba mais…

MORRER

MORRER

 

Morrer é o ato de viver em outra esfera,

O corpo em terra é somente matéria.

Morrer é uma janela para o hemisfério

Que define o tempo e a história.

 

Pensamentos, são só memória.

 

Morrer é a arte plena de encerrar o tempo

Ocluso no cubículo deste universo.

 

Morrer é presente e futuro,

Viver é apenas o passado.

 

Entre o claro e o escuro,

A sombra e o iluminado,

O lado perfeito do fim

E o imperfeito das horas.

 

As demoras que somamos

A tudo que amamos,

E o que temos deixado

Do lado obscuro que vivemos.

 

Morrer é emprestar os segundos

Aos próximos que virão,

Ceder o coração

Ao próximo irmão.

 

Confiar que haverá o mesmo chão

Em que pisamos solenemente,

E não somente

As pequenas pedras que carregamos

 

Morrer é o ato melhor conjugado

De um momento sem pecado,

Quando o maior silêncio é saber-se amado

No adeus delicadamente desenhado.

 

 

(O que você me diria, seu eu fosse morrer amanhã?)

Mário Sérgio de Souza Andrade – 28-01-2017

Saiba mais…

MEÂNDRICO

Então, ao misturar-me aos outros, que escondem o rosto,

Sou apenas mais uma face tatuada no hemisfério urbano,

Mas isso não me tira o sono.

 

No fio onde o pássaro ejeta dejetos nas cabeças,

Os pensamentos são o que são.

Nenhuma questão será definida

Enquanto houver um sopro de vida.

 

Vejo tantos prédios impiedosos querendo furar as nuvens,

Seus elevadores vão cada vez mais longe,

Cada vez mais alto,

Os homens sem asas querem voar.

Eles passam quebrando os vidros sozinhos,

Sozinhos eles quebram a monotonia,

Mas não se despedem da solidão.

 

Pneu preto marca o fim da rua,

A mulher desconfia do próximo transeunte,

É mentira que pisamos na lua,

Metade de nós não sabe o que é o PI.

 

Tem um poste no meio do caminho,

Essa poesia é mais moderna que Drummond,

Não se usa mais lenço de pano,

Não se joga mais bituca no chão.

 

As pessoas se reúnem no bar, às seis,

Alguns bebem café, outros lêem,

Outros apenas se sentam

Para olhar os pombos esfomeados,

Ou para saborear os salgados,

Cortesia da casa.

 

Ninguém  mais se casa,

Ninguém mais reza,

Ninguém mais fala,

Ninguém mais chora,

Ninguém mais ri,

O computador está

Na ponta de seus narizes.

 

Elas são atrizes, eles são atores,

Fingem o orgasmo,

Até mesmo,

Seus amores.

 

O troco é dado em balas que ferem,

Esperem...

Nenhuma teoria é fato

Sem assinatura no contrato.

 

Seus olhos inclinam-se para um mundo

Onde seus olhos se limitam a ver

Que este velho mundo não pode mais

Ser o mesmo mundo em que vivem agora.

 

Os mares se manifestam em ondas,

O fogo se espalha em silêncio,

Os mortos estão em seus quartos,

Um quarto de água,

Um pouco de terra.

 

A esfera continuará dando voltas

Em torno de seu eixo imaginários,

Enquanto falsos escapulários

Pulam de seus pescoços.

 

Quieto, moço, estou pensando!

 

Séculos a fio com o pavio aceso,

E a bomba não explode.

 

O futuro não tem nome,

Seus filhos não terão,

Suas mulheres não serão,

Eles mesmos não saberão,

Para que serve esse coração

Que está ocupando espaço em seus peitos.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 22-01-2017

Saiba mais…

INSPIRAR

Com os dissabores das rimas,

Minhas palavras seguem na palidez do ofício.

 

Entre o branco das folhas inertes,

As vertentes do esquecimento.

O que penso não flutua

Nas linhas que comandam os ventos.

 

Companheiro dos pássaros noturnos,

Escolho a estrela que irá me guiar,

Ela será meus olhos na jornada

De tudo ser,

Ou nada...

 

Versos se escondem nos pensamentos

E as sombras acompanham a dúvida_

Será o tempo que me traz a morte

Ou a poesia que me entrega à vida?

 

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 15-01-2017

 

Saiba mais…
CPP