Posts de Mario Sergio de Souza Andrade (55)

EXANGUE

EXANGUE

 

Uma última vez

Vi tuas letras.

Senti tuas mãos trêmulas sobre o papel,

O véu de rimas descendo ao nível das linhas.

As mesmas mãos que sangram o esmalte

Sobre o espelho da alma.

Não severamente letras alinhadas em púrpura,

Curvas e sinais delineados na rubra face,

Mas letras ladrilhadas de saudade

De algo que jamais vai conhecer.

Vi o tecer de sonhos perdidos,

Escondidos sob uma vergonha inalada

Nos ares em que a poesia se espalha

Soprando uma nudez desconhecida.

Vi que a vida que tocaste em frente

Ficou atrás dos próprios pensamentos

Varrida pelos vários e constantes ventos.

Vi a cicatriz que trazes em tua mão esquerda

Causada por teus dentes

Saboreando o próprio sangue.

Morrerás exangue como todos nós

E terás teu pó

Infectando toda terra santa.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 15/05/2017

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ÚLTIMO CICLO DA VIDA

ÚLTIMO CICLO DA VIDA

 

O que me resta.

Apoiar o cotovelo

sobre a mesa e

esperar a vida acabar.

 

Não sei voar,

Então meus sonhos

resumem-se a um

chão onde todos

pisam.

 

Meus pensamentos

são cupins da alma.

 

 A graça da Lua hoje

me machuca,

Estrelas pontiagudas

atravessam meu

peito.

 

Estaciono as horas

no pavilhão da

saudade e fecho a

porta atrás de mim.

 

Entre o fim e o

começo

a vírgula dominante

da dúvida surge

impiedosa como

a lâmina

da consciência.

 

São tantos desvios

no labirinto da vida

que não sei mais

onde podem

se cruzar antes da

morte.

 

Sem a sabedoria

dos astros, entrego a

luz que brilhava em

meus olhos e visto

a mortalha que me

devolverá ao lugar

onde tudo começou.

 

Aposto meus dedos

que vou perder,

Mesmo não tendo

nada a perder.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 15/05/2017

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RESISTÊNCIA

Tenho joelhos frágeis,

Não me ajoelho.

Minhas mãos estão gastas

E meus olhos, secos.

 

Foram-se as curvas do caminho,

A vida tornou-se uma reta interminável.

 

Os sonhos se perdem no espaço,

Coitada da minha aorta...

 

É faca, foice,

Bisturi,

O último que ri.

 

São vorazes os ursos do paraíso,

Presas afiadas, pedras colocadas

Entre a mentira e a verdade.

 

Nada é verdade

Além da minha face avermelhada,

Luto nos olhos,

Vergonha na cara.

 

A tristeza remete à poesia,

A rara ciência do desconhecido,

O viver, mesmo sem valer a pena,

Apenas por ter vivido.

 

 

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DEPOIS DO TEMPO

DEPOIS DO TEMPO

 

Não há nada de moderno em usar cabelos compridos,

Nós já o fizemos.

Não há avanço nos protestos,

Nós já o fizemos.

Colocamos flores em bocas de canhões,

Servimos de café nossos algozes.

Caminhamos e cantamos,

Erguemos o nome da razão,

Em nossos corações,

A bandeira colorida,

Baluarte da vida...

Sangue derramado,

Heróis crucificados.

Intenções desvirtuadas,

Estradas perdidas.

Erguemo-nos em sinais,

Nossas mãos agitando-se ao vento,

A tempestade um momento

Que o tempo não pôde apagar.

Sonhávamos, como se sonha agora

Com a hora de termos a paz

Bem à frente dos nossos narizes,

Comparamo-nos aos outros países,

Julgamos a tantas pessoas,

Quais as boas ideias

Que nos trouxeram os idealistas?

Nossas vistas cansadas

Das pernadas que esta vida nos dá

Apenas no preparou para o novo futuro,

O problema é que mudaram as pedras,

Mas não destruíram os muros...

 

 

Mário Sérgio de Souza Andrade    01-05-2017

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TEMPO PERDIDO

O terno que eu vestia

Tinha o tamanho do seu abraço.

Meus sonhos

Davam nós na minha gravata.

Os sapatos lustrados

Refletiam o que seria o futuro.

Meus olhos quadrados

Iriam ver de tudo nesta vida.

Eu nem sabia da distância

Entre minhas mãos

E a fechadura da porta.

Não tinha medo,

Tinha esperança.

Nasci de uma criança

E me criei antes de um mês.

Tornei-me a rotina cansativa dos dias,

Ensimesmado no grampeador vermelho.

Eu já nasci velho,

Caminhava entre as janelas

Com medo do reflexo do Sol.

Meu arrebol era um aquário.

Sentia as dores que ninguém merece sentir,

E vivia as mentiras que jamais criei.

Pensava em ser grande, e não me tornei,

Ser grande era um pensamento~

De me tornar rei.

Errei todas as equações,

Tornei-me matematicamente indecifrável,

Um notável ninguém.

Nada se narrava em minha história

Que não fosse a parca memória

De quando eu ainda vestia azul.

As membranas de meus dedos

Tinham medo de se expor

Em um papel inexpressivo

E sem amor.

Quieto, como o sapo observador

Que espia a pedra

E sabe que ela tem sabor.

Mas os cordões dos meus sapatos

Juravam a minha queda ao chão,

Equilibrava-me apenas com uma mão

Sobre os móveis que não eram meus

E de nenhum dos meus irmãos.

Achava que o tempo me daria

A necessária sabedoria,

Mas o tempo passou,

Passou a minha infância,

E continuo na ignorância.

Sem muita relevância

A distância entre mim e os outros

Cresceu silenciosamente,

E eu só tinha na mente um pensamento,

Apenas um pedido,

Por favor,

Devolvam-me o tempo perdido...

 

 

Mário Sérgio de Souza Andrade       01-05-2017

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POEMA DE AMOR MODERNO

POEMA DE AMOR MODERNO

Por sermos tão diferentes, somos iguais.

É o humor da natureza

Manifestando-se em nós.

Héteros,

Heterogêneos,

Luz da alma.

O amor.

Etéreo,

Eterno.

E assim vamos lambendo

O mesmo oxigênio.

Os nossos corpos,

Mostrando os dentes,

Dentro

Da carne.

Os lábios procurando

Ventres livres.

Ventos livres

Para os nossos sonhos.

Dê-me uma mão

E lhe darei um gesto.

Dois corpos irrequietos

Refletindo no teto.

O céu

Está tão perto.

Parto

Do riso.

O verde e o castanho

Cobertos pelos lençóis da noite.

E a Lua dizendo_

Eu os consagro,

Em nome das estrelas.

 

Mário  Sérgio de Souza Andrade – 22/04/2017

 

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FINALIS


O mundo acabará
Antes que o amor acabe.

Para os loucos, para os lúcidos,
Aos pares,
Antes que o amor acabe.

O espetáculo da vida
Em monumental orquestração.
A alma ouvirá
O timbre do coração.

A Terra sempre será redonda,
Aos olhos da magia, não,
A Terra sempre será
Amante da Lua, então.

Ao belo e sempre sorriso,
Uma flor desperterá de um sonho
E florirá contente,
O amor
Será de toda a gente.

Não haverá
Necessidade da lógica.

Não será preciso
Fórmulas inequacionáves.

Não existirá
Moedas de consumo.

O universo,
Será pleno.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 20/04/2017

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EXCUSARE

EXCUSARE

A sombra
em disfarce do corpo
acompanha os passos da manhã

Jurei que o mundo me daria o tempo,
Cheguei ao hoje com as mãos vazias.

Maria, Maria, Maria,
Onde tu andas?

O sol é árvore celeste,
Seus frutos alimentam a alma.
E qual o sentido dos planetas
que se escondem atrás das estrelas?

O sonho é o deflagar da vida
no parto do amor sem despedida.

Ninguém pensa em mim
quando uma lágrima desponta
na triste beirada de um cílio.

Não sou a sobra que nasceu
do espasmo de um deus,
O que é demais intenso
navega nas águas da eternidade.

Planto uma cruz na próxima esquina.

Espia, Maria,
É teu filho a perdoar os nossos erros.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 10/04/2017

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SONHOS

SONHOS

Toda a vida, a poesia
foi um sonho.

Todavia,

Um grande sonho.

Fragmentos silábicos
juntando-se à inspiração.

O coração faz parte desse sonho.

Assim como as lembranças,
O que os olhos vêem
e jamais esquecem.

A poesia
é o desejo da boca
e alimento da alma.

Pura, e simplesmente
única,
A palavra.

Os quatro elementos
em constante
movimento.

A terra,
Que nos tornará eternos.

O fogo,
Que nos inspira à febre.

A água,
Onde flutuam
Os pensamentos.

O ar,
Poesia que nos faz
respirar.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 08/04/2017.

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CHAMADO

CHAMADO

Poetas de todo mundo, versejem por nós!

Em nome de todas as palavras, versejem por nós!

Para livrar-nos da ignorância,

Versejem por nós.

Pelo som de nossas vozes,

Versejem por nós.

Com as mãos abençoadas, versejem por nós!

Pelo grito forte das letras, versejem por nós!

Poetas de todo mundo,

Versejem a liberdade, a caridade,

A igualdade, a verdade,

Versejem por todos nós!

Pela sagrada iniquidade,

Versejem por nós.

Façam do amor o seu escudo,

E versejem por nós.

Por nada e por tudo,

Versejem por nós.

Pelo simples e o absurdo,

Versejem por nós.

Pelo líquido desejo, por sonhos, os beijos,

Versejem por nós...

Versejem pelo sopro da vida,

Ou o encanto da morte.

Por sobreviver a este mundo,

Versejem por nós.

Versejem pela Lua

Que tão distante,

Simples e nua,

Encanta a tantos

Que nem os prantos da saudade

Fazem doer a solidão.

Pela rima que combina

A sutileza e a calma.

Pela leveza da alma

Versejem por todos nós.

                                                                                                                                        Mário Sérgio de Souza Andrade    - 01/04/2017

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SAUDADE

SAUDADE

Ai, amor, ainda vives no meu peito !
Para mim, tu és a razão da física e do inexplicável!
Estas lágrimas?
São para ela, e para ela, sempre serão.
Ela, que cometeu o pecado de me amar
E pensar que um dia
Pudesse acabar.
Ai, amor!
Adoro essa dor!!
E pensar que sonhei...
O que hoje sei sobre o amor é abstrato,
Um traço entre hemisférios desconhecidos
E um coração severamente ferido.
O que se sente uma vez, jamais será esquecido.
Caminhei tantos dias, até chegar o dia de hoje,
Ainda inconclusivo,
Para que eu vivo?
Se não por ela, mesmo oculta face do milagre,
Ainda encantamento.
O tempo se distraiu em minhas retinas,
Mas não houve tempo que não amasse,
E por mais tempo que passe,
Serei o meticuloso inseto cozendo o casulo
Até chegar o momento de abrir as asas.
Ela? Indiferente...
E que continue,
O tempo dilue a dor e purifica a alma.
A calma do mar será lembrada
Em cada pegada na areia.
Em suas veias correrá mais o sangue vermelho
Do que o velho tom desbotado da solidão.
O botão da flor de cor intensa brilhará
Na realização do sonho realizado.
O passado serve para nos servir,
Nos eximir das perdas
E nos recompensar com o futuro.
E hoje é para ser vivido
Como se nunca tivesse acontecido
E tudo se torne algo novo
Com o sabor de uma saudade antiga.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 25/03/2017

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CANTO DOS VENTOS

CANTO DOS VENTOS

Não acredito no esquecimento,
São fingimentos da memória.

A vida é feita de fragmentos,
Lacunas que oclusam os pensamentos.

Rastros do tempo não se apagam,
Caminham ao lado dos sonhos
Que não conseguimos realizar.

Os ventos cantam
O momento de seguir em frente
nos guiam por outros lugares
Que julgamos sermos impotentes
Para caminhar.

Mas nada se interpõe
Entre o desejo e a realidade,
Vontade seja feita.

Mesmo com todos os defeitos
Que a natureza sã nos impôs.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 25/03/2017

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NOITE

NOITE


Nossa noite não se desfaz ao amanhecer,
Nosso amor é o eterno renascer,
Não o "não o ser, ou não ser"
Simplesmente, "é".

O ontem, o agora,
A sonora magia
Que não acaba com dia.
É poesia que exige
A permanência da Lua.

O que nós somos,
Ou ainda seremos,
É assunto pequeno
Diante de tanta magia.

É tempo de contar estrelas,
Dar-lhes nossos nomes,
O casamento
Entre o espaço e o tempo.

Mas que seja sempre noite,
Afinal,
É nela que estão os nossos sonhos.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 20/03/2017

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OS IMPERFEITOS

OS IMPERFEITOS

Arrepender-me por que?
Arrepender-se é abrir a porta para o fracasso.
Arrepender-me por amar?

Arrepender-me desse sentimento intenso
Que acende a força interior?
Arrepender-me de fazer do amor
A mola que sustenta o meu mundo?

O arrependimento acredita no passado
E amor vive no presente.
É melhor o amor depois
do que uma solidão a dois.

O arrependimento é a certeza da incerteza.

Quem ama desconhece o perdão,
Porque a alma de quem ama é limpa,
Mesmo nos realces do imperfeito.

Perdoar é o alicerce do arrependimento.
É preciso descobrir, aos poucos,
O que nos revela o diálogo interior.

O amor é uma brincadeira arteira,
Deixa-nos feliz por um instante,
Um instante antes de ser conhecido,
Mas o melhor instante já vivido.

Arrepender-me de que?

Se até o sofrimento se vai com o vento
E uma linda lua nua se coloca em seu lugar.
Arrepender-me de ter ofertado o mar,
Mesmo sabendo tratar-se do impossível?

Impossível é não ter o mar quando se ama,
O mar é a paz reinante do amor
E as ondas inconstantes da vida.

Não existe esquecimento,
O que existe é o momento de não lembrar
E ter somente no olhar
O que de melhor se reservou.

O que acabou, nem sempre acaba,
Respira, na tênue linha entre a vida e a morte,
Quando o filme de tudo o que passamos
Passa em quadros coloridos nas nossas mentes.

Os inteligentes, amam,
Os outros, se arrependem,
Os demais, perdoam.

Quantas sombras já estiveram
Nos corredores em que caminhamos?
Mas apenas a sombra
De dois corpos que se amam
Jamais deixará de ser
A sombra que impregna a alma.

Versos, eu escrevo,
Amor, eu vivo.

Ainda que a distância,
E do outro, a indiferença,
Insista em permanecer no ar,
Eu sempre vou procurar
Um novo ar para respirar.

E meu contento, a felicidade,
É saber feliz
Quem amo de verdade.

E minha tristeza,
Meu coração sabe,
E de quem vive em falsidade.

Do que me arrepender?
Quero viver a eternidade
Que meu espiríto permitir
E meu corpo suportar.

Nem perdoar, nem arrepender-me,
Aprender a esperar, reconhecer,
Que nem tudo ou todos são o que são,
Uns vivem com os pés no chão,
Outros, somente com o coração.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 18/03/2017

"Gratidão eu dedico somente aos meus pais, aos demais, meu agradecimento"

Saiba mais…

GRATIDÃO X AMOR

Gratidão não é amor, amizade não é amor.

Gratidão é dívida que se paga,

Amizade é abraço que se guarda.

Pode-se viver do altruísmo,

Cedendo ao outro um tanto de si mesmo,

Mas nunca será completo

Quem cede mais ao outro, do que a si mesmo.

Estranha felicidade, a que oculta a sua verdadeira,

É um sorriso que escorre dos lábios,

Mas não o beijo, prazer por inteiro.

As mãos representam a gratidão

Quando juntas devolvem o bem feito,

Porém, um bem feito não se eleva

À dádiva do amor perfeito.

E quem somos nós

Para usarmos e ousarmos que a fé

Nos eximirá da culpa

De sermos o que realmente não somos?

Sim, somos pequenos, e assim seguimos a vida,

Corrigindo os erros cometidos

Na esperança de um perdão divino.

Mas os sonhos, estes não nos enganam,

Trazem-nos, do adormecer,

O prazer da vida que buscamos.

O que dirão nossos filhos

Quando lhes constarmos a realidade,

Que sob o manto da gratidão,

Guardamos um tanto de saudade.

Amor não é gratidão, nem amizade.

A verdade está oculta no coração

A recordar das palavras tão sinceras,

Que inundaram nosso corpo e alma,

Trazendo-nos a calma que buscamos:

- Eu te amo.

Três palavrinhas tão pequenas e tão gigantes,

Tão diferentes do que sentimos agora,

Mas chegará a hora de nos arrependermos

Por termos perdidos

O que de melhor poderíamos ter vivido.

Mesmo à sombra das dores,

Ainda no calçar do medo,

Medo maior é morrer

Sem ter tido o prazer de viver.

Não importa quantas viagens faremos,

A sombra do que somos continuará perdida,

Nos procurando nesta,

E em todas as nossas vidas.

Sim, porque não somos um só,

Somos tantos quando amamos,

Que podemos enfrentar o mundo

Apenas com a força dos sentimentos.

E você, e nós,

Que vivemos sob a égide

Da gratidão e da amizade,

Nunca, finalmente,

Seremos felizes de verdade.

 

Para alguém.

Mário Sérgio de Souza Andrade – 13-03-2017

Saiba mais…

REGALO

Escuto o desejo bolinando com o silêncio da alma.

 

Vozes nuas penetrando nos sentidos,

Prevaricando a castidade dos ouvidos.

 

Aura em cerca dos devaneios,

Os seios da poesia enrijecidos,

A língua sorvendo todos os idiomas.

 

Os olhos somam visões ventrais,

Júbilo dos sonhos.

Fluídos astrais

Escorrem sobre a nudez adormecida.

 

Vivas,

Papilas gustativas.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 13/03/2017

 

Saiba mais…

VENTO NORTE

VENTO NORTE

O que me pesa é o passado.
Foram dias longos,
Madrugadas intensas.

Uma vida,
Verdadeira...

Com todas as chances e perdas,
Os erros no tempo errado,
Os acertos, flutuando no quando.

Tentei evitar o corte,
Mas a lâmina curva da foice
Teve como destino as minhas entranhas.

Criaturas estranhas cruzaram meu caminho.
Fingindo amor, transformaram dentes em presas,
Rasgando minha pele e sangrando minha alma.

Perdi as minhas digitais
Acariciando o couro invisível da falsidade.

Quantas horas contei, perdidas,
Nos cantos em que me escondi,
Da vida...

Ah, meus olhos!

Eu não sabia
Que a nudez
Fosse capaz
De cegar o homem.

O céu tornou-se apenas senhor das chuvas,
O mar, tristemente, afogou a esperança,
O que flutua agora
É o reflexo que não se firmou no espelho.

Torna-me-ei velho
E sem a sabedoria dos anciãos,
Meu coração será o símbolo
Da flecha que trespassa
O músculo que insiste
Em palpitar,
Aquém de qualquer motivo.

Eu pisei nos sonhos que plantei.

A lógica matemática dos pensamentos
Não definiu o resultado
Dessa equação sem fim.

O amor é o lírio despedaçado
Que brotou das minhas lágrimas.

Páginas futuras
Poderão vir a ser um livro,
Mas agora,

Quando sopra o vento norte,
A morte vem a galope.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 09-03-2017

"Quem deve para a vida, será cobrado pela morte"

Saiba mais…
CPP