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A CRIANÇA

A CRIANÇA

 

Era uma noite de muitas estrelas no céu,

Noite clara de dezembro,

Lua alta e quase transparente.

 

Um vento leve soprava vindo de setembro

Trazendo um aroma de primavera no ar.

 

A casa era pequena,

Poucas paredes separavam as pessoas

Do mundo exterior.

 

Sempre havia uma panela no fogão de lenha

E nela todos podiam se servir.

 

Era pintada na cor do tempo

Para que o tempo não se notasse passar.

 

Era o que se podia chamar de lar.

 

Um homem e uma mulher de risos fáceis

Pisavam descalços no seu chão,

Contavam a quem viesse visitar

Ter construído a casa

Com as próprias mãos.

 

A mulher cozia

Juntando pedaços de tecido

Criando vestes

Que se transformavam em aquarela

Ao cobrir seus corpos.

 

Enquanto isso,

O homem e seu capricho

Colhia flores no quintal.

 

E qualquer coisa lhe servia

Pois assim sabia,

Agradecer é mais do que ter.

 

Quantos anos se passaram...

O homem e a mulher se amaram,

Como a toda gente amaram também.

 

Assim seguiram-se os dias,

Em completa sintonia com a vida,

Regados de alegria e amor.

 

Mas seus corações questionavam

Se nada lhes faltava.

 

Certa noite,

Sob o olhar sereno

De uma única estrela no céu

Aquela criança nasceu.

 

E desse dia

O mundo jamais esqueceu.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 29/12/2017

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AMOR, QUEM SABE...

AMOR, QUEM SABE...

Dentro de meus olhos guardo um segredo
Lembrado a cada lágrima perdida,
Segredos que a vida nos reserva
Quando não se ama na hora certa.

Tantas coisas a se pensar,
O amar passa sorrateiro...
Primeiro, causa medo,
Aos poucos
Nos faz perder a lucidez.

Talvez amar fosse mais fácil
Se tudo pudesse ser dito,
Se os sentimentos
Que explodem pelos poros
Fossem revelados no primeiro beijo.

Ainda insistimos em explicar o amor,
Falamos de sonhos,
Das alegrias e dores,
Da insensatez,
Que talvez
Seja a única coisa em comum
Para todos os que amam.

No amor não “estamos”,
No amor nós “somos”,
Não o inventamos,
Apenas, vivemos...

Ser somente amor é impossível,
O amor é por demais cativo.
Neste mundo o ser passivo
É engolido pelo destino.

Nem os sinos da primeira vez
Ressoam tão fortemente
Quanto o amor, ainda quente,
Que ferve no coração da gente.

O amor é a nudez da alma,
E a nudez se julga impura,
Toda criatura se veste
Com o tecido de passar o tempo.

Amar é momento da loucura,
A força de vencer o mundo,
Ceder o próprio corpo às chamas
Que queimam em forma de paixão.

E como dizê-lo sem saber se é único,
Se os dias passam, se as horas voam,
Sequer sabemos se de outro lado da rua
Está o maior amor da nossa vida.

Mário Sérgio de Souza Andrade – 18/12/2017

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