Posts de Mario Sergio de Souza Andrade (87)

INEVITÁVEL

Eu teria sido, quem sabe, um advogado,

Desses engravatados, cabelos penteados,

Que ganha muito dinheiro,

E nunca está feliz.

Seria, talvez, um engenheiro,

Construiria um mundo inteiro

E ainda assim não saberia onde morar.

Se funcionário público fosse,

Morreria de tédio.

Um agricultor até,

Plantaria um pé de mangas

E dormiria eternamente à sua sombra.

Motorista, eu não seria,

Não saberia a distância

Entre a terra e o céu.

Cardiologista, não,

Não poderia tratar o coração dos outros

Se não consigo tratar meu próprio coração.

Ainda se fosse um colecionador,

Ao invés de coisas,

Colecionaria amores.

Mas a vida quis

Que eu fosse poeta,

Pois só com poesia a vida se completa.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 02/09/2017

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FIM DE UM MUNDO

O FIM DE UM MUNDO

sim, o mundo acaba amanhã.

acorde mais cedo ,

antes do fim da manhã,

escove os dentes e veja_

este no espelho é você.

arrume bem sua cama,

diga eu te amo para alguém

que compartilha o adeus

nas mesma casa dos seus.

em cima da mesa,

o leite o pão o café,

o beijo guardado da noite,

um jornal qualquer.

a Lua em cima do muro,

a flor pisada no chão,

o coração da palavra

sobre o papel do pão.

calce os sapatos depressa,

escolha o que vier,

se tiver sede, beba água,

o tempo está contra você.

para garantir

dê duas voltas

na gravata

sobre o pescoço.

junte as fotos guardadas

leve o terço e a cruz

reze tres vezes dobrado

abra a janela azul,

o céu não é mais,

ao longe,

nenhum oceano.

sinta o asfalto

ruir sob seus pés,

olhe fundo,

olhe a fenda,

defenda-se.

esqueça os planos

os donos da sua casa,

a aluguel,

o documento  assinado.

o compromisso é outro

que chamem de louco,

que acendam o fogo,

que seu corpo queime

na fogueira mística.

o mistério dos óculos escuros,

o que havia nas prateleiras,

as coisas que se espalhavam

como cobras cascavéis

bailando sobre os papeis...

Mário Sérgio de Souza Andrade – 27/08/2017

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CANDELABRO

não conheço seus pensamentos,
onde seus olhos se escondem,
mas aos ecos das lembranças
o passado responde

de repente brilha
o candelabro da noite

chove em algum lugar do mundo,
quebra o silêncio que morre
no canto esquerdo dos lábios

o assovio do vento
entoa madrugada,
nuvem cansada do dia
repousa em suave poesia

sua ânsia de me querer
entre os lírios e folhas
do amanhecer.

Mário Sergio de Souza Andrade - 26/08/2017

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OU NÃO...

OU NÃO

 

Porque dizer eu te amo se não te amo?

Se não te amo,

Porque disse eu te amo?

Se não amei,

Como pensei em amar?

O amor não era o mar

Que inundaria meu coração,

O amor não era a dádiva divina

De minha vida mesquinha,

O amor não chegou à minha janela,

O sol se escondeu nesse dia.

A Lua mentiu para as estrelas

E as belas coisas que existiam

Murcharam como as flores nuas do quintal.

A amor não era mal, mas não era normal,

Como o sal que ardia a ferida,

Como os dentes que mordiam as gengivas.

Mas eu não saberia amar,

Não consigo olhar sobre os muros

Para chegar ao teu quarto,

Quanto mais ao seu coração.

Coço as mãos para ter mais dinheiro,

Amarro patuá nos bolsos das calças,

Não tenho espelhos em minha casa,

Não passo sob escadas suspeitas,

Meus sonhos são tão ruins

Que acordo com medo de morrer,

Então porque

Ainda penso em te amar

Mesmo sem nunca

Ter te amado?

 

Mário Sérgio de Souza Andrade -  25/08/2017

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CARINHOS

SOU DEFENSOR FERRENHO DA VERDADEIRA AMIZADE, CONVIVO E VIVO COM ELA TODOS DOS DIAS DE MINHA VIDA, AQUELA AMIZADE GOSTOSA, DE CEDER E RECEBER, DE VIVER INTENSAMENTE A FELICIDADE DO AMIGO, AO MESMO TEMPO CHORAR COM ELE, DOAR MUITO MAIS DO QUE ME É POSSÍVEL, POIS CONSIDERO O SACRIFÍCIO POR UMA BOA AMIZADE COMO ALGO QUE NOS FORTALECE, FAZ COM QUE O CORAÇÃO BOMBEIE MAIS RAPIDAMENTE TODA A ENERGIA QUE É NECESSÁRIA PARA PREENCHER NOSSAS VIDAS, INCLUSIVE AQUELAS LACUNAS .... ESTOU DIZENDO ISSO PORQUE QUERO AGRADECER A TODOS A IMENSA DEMONSTRAÇÃO DE CARINHO QUE RECEBI NO MEU ANIVERSÁRIO E QUE SEMPRE VENHO RECEBENDO DE TODOS. DIZER OBRIGADO É MUITO POUCO, POR ISSO RESPONDO EM POESIA!!! (AMIZADE É O AMOR QUE DEU CERTO...)

PEÇO DESCULPAS POR UMA COISINHA: POR TOTAL FALTA DE TEMPO, NÃO CONSIGO APRENDER NOS INSTRUMENTOS TÃO PRIMOROSOS QUE ESTE SITE CONTÉM, POR ISSO PARECE QUE ESTOU DISTANTE OU QUE NÃO RESPONDO OS COMENTÁRIOS,  É VELHICE MESMO...RS 

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INUMANO


Cobramos mudanças, sem mudarmos,
Cobramos amor, sem amarmos,
Cobramos o que temos
E não doamos.

Nós não somos humanos.

Cremos nos valores
Abaixo dos verdadeiros valores,
Os homens tarifados,
Os homens carimbados,
Os homens chancelados.

Nada se leva nesse compasso,
A passagem é estreita,
Do outro lado não tem jargão,
Nada será de ninguém,
Além de um crivo na alma.

Aonde está o passarinho
Que cantava sozinho no ninho
Com saudade daquela flor?

Morreu entre os espinhos
Que acreditava
Que eram amor...

Afora as contas matemáticas
E a evolução das turbinas dos aviões,
Mesmo assim aquém do consumo de combustível,
O homem passa perto da mulher bonita
E ainda faz um breve elogio.


Mário Sérgio de Souza Andrade - 22/08/2017

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BRASIL

Onde eu cuspo
nasce uma flor de sangue
meus olhos também sangram
A cidade sangra
não vou fazer nada mudar
não vou plantar sonhos
não vou cantar os hinos
Vou queimar bandeiras

nem que eu me foda

Poemas que eu vomito
são os gritos das almas que se corrompem
No vil sistema de vida que não há
Não há
Não há
Verso o que converso com Deus
e nem os meus palavrões absurdos
largam o luto de meu coração preto

Não sou poeta
Sou abstrato
Não tenho contrato firmado
Não tiro foto de gravata
Bebida não me mata
Não me mata estar vivo

Não preciso dessa reza
Não preciso dessa merda
Não preciso desligar
o rock que está tocando

Toca o diabo
Toca a fuça do ladrão
Na minha terra
não nasce um grão
da grande vergonha
do meu País

Para que ser feliz
se eu gosto
Eu trato
melhor os animais
que os homens

Minha voz, ai que dor,
O amor mata mais
que um poema de amor

Nada disso
é tão complexo
quanto plexo neural

Decúbito dorsal
Sal na língua
Na saída
Morte linda
para quem vai
na festa do amanhã

O barro que eu moldei
é o rei da minha história
Se quebra na memória
daquilo que não quero ser


Mário Sérgio de Souza Andrade - 04/08/2017

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LIBERDADE

Liberdade...

Mãos abertas sobre o chão,
Coração nas nuvens,
Sabor de chuva nos lábios,
Intenso brilho no olhar.

Estar só e superar a dor,
Amar, sabendo que o amor
Nos alimenta
Para alimentarmos o mundo.

E tão profundo o próprio amor
Que suas asas nos permite
Alcançar o céu.

Liberdade...

Ato de cortar as rédeas
E correr nas loucas avenidas,
Chegar ao tôpo da pirâmide
Que chamamos de "vida".

Não precisar do perfume
De todas as flores,
Poder escolher
O aroma que nos faz levitar.

Vestir-nos da cor
Que completa nossa pele
E não impede
O respirar de nossos poros.

A força que nos move
E nos faz refletir
O que realmente somos
Sem precisarmos de espelhos.

A certeza que viver
Não é apenas ceder,
Sofrer, doar,
Mas receber
Deste vasto universo
O dom de vencer
E ser feliz.

Liberdade...

Caminho do Sol,
Alvorecer da vida,
Chave dos sonhos,
Renascer da alma.

Mário Sérgio de Souza Andrade - 04/08/2017

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SÓ O PÓ

Os dentes mordem comida fria.

Os sonhos se perdem ao adormecer.

Os olhos choram sem saber porque.

A lua foge antes do amanhecer.

 

Falta coragem para ferir o verbo.

Falta coragem para abrir a porta.

Falta coragem para abrir os olhos.

 

Aranha ressabiada descendo pelo lustre do quarto,

Parece desistir de suas escaladas

Para sucumbir sob a sola do meu sapato.

 

Junto a poeira que se confunde com meus olhos

Sobre a prateleira que se confunde com os livros.

 

Repito dez vezes que não vou morrer.

 

E o que é proibido

Rasteja no assoalho,

Valha-me Deus desse destino!

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 01/08/2017

 

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ATMOSFERA DO MEDO

ATMOSFERA DO MEDO

Estava no colo de Deus, questionando minhas culpas.

Aos olhos do mundo foram julgadas e sentenciadas.

Perguntei aonde estava o perdão, clamando absolvição.

Minhas mãos são culpadas pelos erros,

Mas incapazes de ferir.

Sou filho do mar e da Lua,

Minha alma é nua.

Ergui meus olhos ressabiados

Procurando então a semente do meu pecado.

Deus estava calado.

Eu, em meus sonhos,

Transitando na vastidão do universo,

Clausura celestial.

Meu corpo equilibrando-se entre a paz e o castigo,

Chagas nos pensamentos.

Mas o tempo de Deus é diferente do meu,

Passa nas lágrimas das chuvas.

Às vezes a discórdia adormece no silêncio.

Tento não sucumbir sobre o Seu manto,

Ainda preciso do perdão.

Meu coração responde em palpitares espaçados,

Sorvo o humor da atmosfera.

A Terra me condena.

Levanto-me do seu colo

E carrego minhas culpas para outra dimensão.

 

Mário Sérgio de Souza Andrade – 26/07/2017

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CPP