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HORA DE RECOMEÇAR

HORA DE RECOMEÇAR

 

Depois de uma noite chuvosa

Vem um dia luminoso de sol

Assim quando se pensa chegado o fim

É hora de recomeçar:

Refazendo esperanças,

Renovando votos de fé,

Reavaliando perspectivas,

Reestruturando o que de bom ficou e

Desfazendo-se do que não presta...

 

Recomecar é aparar as arestas,

Faxinar a alma com calma e sem pressa,

Iluminar o pensamento com otimismo,

Abrir as janelas para a vida e o amor

Pondo o coração para secar ao sol da alegria

E ao vento do entendimento,

Fazer-se poesia nos versos do dia a dia...

 

Recomeça-se, principalmente entendendo, enfim

Que o que é bom para você,

É diferente para mim

E nessa diferença toda

Cada um é especial, vive dias bons e maus

Mas foi feito obra divida, criado eterno aprendiz

Da arte de ser feliz...

 

Nina Costa, in 21/04/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil

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CORES

 

 

 

                                               CORES

 

                             Pintar-me-ei nas cores mais vibrantes,

                             Desfilarei nuances e tons na tela de teus olhos.

                             Notar-me-ás em todos os ocultos mistérios, 

                             Escondidos desde a minha criação

 

                             Aos teus olhos cegos, ao teu pálido juízo.

                             Meu corpo, como aparição, 

                             Ser-te-á a mais perfeita pintura,

                             La madona negra esculpida a carvão

                             Acesa em brasa à tua combustão...

 

                            Esquecerei teus frágeis votos de paz,

                            Invadirei  teus flancos, tomarei os teus sentidos.

                            Até que, inglório em tuas lutas e remido,

                            Renda-te às forças igneas de minha sedução.

                            Mudarei os rumos de tua história e,

                            No falso abismo deste teu pudor, far-te-ei amor.

                            Clonarei minha imagem, nua e multicor, na tua memória,

                            Sem que possas deletar-me de teu coração.

 

                           Far-me-ei latente em tuas sinapses cerebrais,

                           Em teus sonhos quentes, como em termais.

                           No fundo de teu lago inconsciente,

                           Render-me-às teus insanos rituais 

                           Em gestos profanos à minha pictoridade

                           Até que derrames em minhas cores quentes

                          Tua louca devoção, renitente e difusa

                          E te quedes,  enfim sublimado,

                          Coberto de cores, tons e luz,

                          Ante a idolatria a esta tua musa.

 

                          By Nina Costa, in 08/04/2018

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CALAIS, EM CALAIS

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CALAIS, em CALAIS...

 

Admoesta-me a alma ver

Que enquanto a guerra inflama

A morte é o único perdão dos inocentes

Calais, em Calais, ó multidão de gentes!

Quem os isentará da dor?

Quem efetuará a isenção de sua sorte?

Ou de seu azar, enquanto a vida pede arrego em Calais?

Repreensão,... Reprimenda,... Indiferença, talvez...

A Selva de Calais é pimenta aos olhos do mundo,

E quando seu lobo francês dá na Veneta

O ataque vem à francesa ou vem do mar...

Calais, calais em seu acesso de loucura!

É insanidade pura

Sua irrupção no ponto mais estreito do Canal da Mancha.

Porque a guerra é no planeta

E nem o gás utilizado pelas forças policiais,

Nem a entrada violenta do mar,

Nem a pancada forte da impiedade humana,...

os faz recuar.

Calais em Calais, favela globalizada.

No Rio, todas elas já foram ‘pacificadas’...

Pedante, o governo diz, a sua moda francesa:

“_A crise migratória que a tantos já matou

no Oriente Médio e na África

Não é um problema meu”.

Que se danem! Quem se importa?

Se manchas brancas ficam a boiar

Ou se negras manchas ficam a marcar o chão da intolerância...

Calais, vozes em Calais...

Se todo o horror da tragédia humana

E o nojento da ação desumana, permite,

Seja exibido em todos os jornais.

Ainda que audacioso o suscitar dos sonhos

Foi o frágil corpinho de uma criança

Que ao mundo revelou

A fazer surgir, encorajar e provocar a esperança.

Mesmo na dor de Calais

Ainda há vozes a mais

Que a indiferença não calou...

By Nina Costa, in 07/09/2015

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DISFARCE

 

 

 DISFARCE

 

Lábios encarnados cor de amora,

Dentes alvos feito marfim,

Hálito quente num desenho fátuo de felicidade...

Verdade necessária no rosto, feito maquiagem...

O sorriso fácil e raso esconde a dor que a alma mente

E sente.

 

Ninguém precisa saber que por dentro

Ela sangra e chora,

Que em lutas interiores impera, soberana,

A angústia, a solidão, ... e a necessidade de, ‘inda que fera

Parecer bela como faz agora.

 

O batom delineia a forma do sorriso largo e bonito

Enquanto a alma, em grito, se alimenta de torpor:

A dor é pink, cor de canela ou carmim,

Uma mistura de tons rubentes

E brilho falso.

Mas a alma por trás da face, pálida desfalece

No fundo do lábio que sorri como uma flor

Que logo desabrocha

E tão cedo fenece...

 

Quem conhece a beleza da rosa,

Simplesmente ignora

Ou desconhece,

Que a mesma flor que emociona e alegra

Traz consigo o rito de dor

Na crueza dos espinhos...

By Nina Costa, in 07/03/2018
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

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MEDO DA CHUVA...

 

 MEDO DA CHUVA...

 

                                                 (Noite de 26 de dezembro de 2010, ocorreu uma enchente assolou o                                                           município de Muqui e inundou parcialmente algumas ruas de Mimoso do Sul)
 
 
 
          Medo da chuva... minha cidade, nas épocas de verão vive intenso medo da chuva, porque é uma
 
cidade plantada em um vale, cercada de montanhas por todos os lados e as águas da chuva sem ter como
 
rapidamente escoar,  se acumulam causando enchentes ... é portanto comum, pelo menos uma vez por ano,
 
perder tudo e depois reconstruir,... só não se perde o medo de quando o tempo fecha a cara , encobre de
 
pesarosas nuvens o céu e desaba em constante e  torrencial  chuva de verão, transbordando os leitos,
 
acampando de água lamacenta as praças, as ruas, os quintais, as casas, a alma do povo... Quando, seja
 
qual  for a hora do dia ou da noite, o sino da matriz soa insistente, o povo se agita e se solidariza e tenta
 
sem demora salvar o que pode, mesmo quando o que pode é a sua vida.
 
          Hoje, andando pelas ruas da cidade e vendo o resultado da enchente da noite passada, desviando
 
aqui e ali dos entulhos trazidos pela água, vendo as pessoas retirando o barro e lavando  suas casas,  o
 
carro pipa lavando as ruas... penso:  que rotina triste!!!... Raul Seixas em sua música diz ter perdido  o “
 
medo da chuva vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar...”
 
          Eu sei que ele não falava de pedras nem de chuvas no sentido próprio das palavras, eram metáforas
 
de pessoas que se acomodam em seu marasmo e seus preconceitos, em sua rotina e seus tabus...
 
estagnadas no mesmo lugar imposto pela moralidade, a vida toda... mas eu, diante desse quadro triste e
 
lamentável que meus olhos são obrigados a ver, reflito nessa música de outra forma, com o sentimento de
 
quem experimenta ser “pedra parada no mesmo lugar” por não ter outra opção, por estar plantado nesse
 
chão que ama, por não ter condições financeiras de buscar outro lugar,... seja qual for a razão vive-se
 
intensamente essa dor e essa angustia...
 
          Qual será, pois,  “o segredo da vida”, inesquecível Rauzito, dessas “pedras que choram sozinhas no
 
mesmo lugar...” ?  o lugar é a cidade que amamos, é nosso chão, nossa identidade, as pedras somos nós,
 
que lamentamos as perdas que cada enchente traz, mas que não nos  arredamos daqui, porque somos
 
parte dessa terra, somos filhos deste chão,... partículas de uma existência da qual não abrimos mão. Ser
 
mimosense, é portanto ser  pedra que resiste ao tempo, à chuva, ao vento, à erosão,...  mas nunca desiste
 
de existir, ainda que seja uma  pedra bruta, ainda que seja aparentemente uma pedra de pouco valor, seu
 
 segredo da vida, de sua existência é permanecer, é a perseverança e a eterna vontade de ficar sempre no
 
mesmo lugar, Mimoso do Sul...
 
 

                                        (Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 27/12/2010)
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VOO SOBRE O ABISMO...

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VOO SOBRE O ABISMO...

         

          Subíamos de mãos dadas a íngreme montanha. Eu, inocente criança, não sabia onde aquelas mãos

ávidas a me segurar para não cair, me levavam... mas eu seguia confiante entre pedras, cascalhos e uma

relva rasteira e úmida de orvalho. O vento batendo no rosto e o sol aquecendo a alma.

          _ Onde vamos, papai? Perguntei-lhe curiosa.

          _ Lá em cima, minha filha, no alto ... Respondeu-me misterioso.

          Silenciei e procurei aproveitar aquele passeio inusitado que nos levava ao cume do monte...

          _Chegamos?

          _Sim, minha filha... daqui agora eu sigo sozinho, foi muito bom dispor de sua companhia até aqui, lhe

amo...Disse meu pai emocionado,... esticou as asas e voou sobre o abismo...

          Com gritos entrecortados de soluços eu pedia:

          _ Me deixa ir com o senhor? Me deixa, pai?

          Ele dizia:

          _Daqui, filhinha, eu sigo viagem sozinho...

           Entre soluços e lágrimas e em sobressalto acordei com aquela nítida imagem de meu pai pairando

sobre o abismo e eu, ainda sem asas, não podendo acompanhá-lo neste voo. Foi assim, que em sonho,

meu velho pai veio me avisar que ia embora, me ensinando que a morte não é o fim, mas o começo de uma

nova história. Até o cume do monte ele me levou pela mão, ajudou-me a desviar das pedras e cascalhos,

secou o suor do meu rosto e me apoiou. Mas ao chegar no cume do monte e içar voo, ele foi e eu fiquei.     

          Porque cada um tem seu tempo e seu momento.

          Há pessoas que se desesperam quando lhes advêm uma doença grave, se amofinam, entram em

depressão, porque lhes falta essa noção sublime de que a vida não acaba com o fim da matéria... quando o

corpo fenece, a alma voa sobre o abismo e sobe ao trono de DEUS onde descansará em repouso sagrado.

          O corpo, a limitação da alma, vai ser exaurido na caminhada até o cume do monte para que a alma se

fortaleça e as suas asas cresçam para poder voar até o céu. No caminho, muitos serão os percalços em

forma de cascalhos e pedras; o sol se tornará, em algum momento, inclemente, e haverá outros tantos

momentos em que se queira desistir, mas o Pai sempre estará presente apoiando com suas mãos ávidas e

seu amor, e ainda que queiramos ir antes da hora, antes de estarmos prontos para voar, Ele não permite,

porque nos quer pairando sobre o grande infinito, não estatelados no chão...

          Hoje compreendo exatamente o significado daquele sonho e sei que há tempo para tudo nessa nossa

existência, tempo para sorrir, tempo para chorar, para amar e tempo para desamar, tempo para viver e

tempo para morrer, e seja vivendo ou morrendo, nosso destino é o alto e quando chegamos ao cume do

monte e não há mais para onde subir, nossas asas fortalecidas por DEUS nos permitem voar sobre o

grande abismo ganhando o céu. Esse grande abismo, a morte, não é o fim, é o começo...

                             

                               By Nina Costa, in 10/01/2011 

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A VELHA CASTANHEIRA

A velha castanheira

             Todos os dia, passando pela castanheira, mês após mês, ano após

ano,   sem nunca me aperceber de suas constantes mutações.

          A castanheira inerte em seu lugar, sempre ali, plantada àquele cantinho

simples de praça, fazendo sombra para os transeuntes, e dando-se por ninho

aos passarinhos.

          Hoje, eu sentei sob sua copa, olhei para cima e vi como ela cresceu... E

eu?,... Eu continuo a mesma, com os mesmos defeitos de sempre, com as

mesmas manias de sempre, com os mesmos

sonhos...

          Ela, a castanheira, tem alguns galhos secos, poucas folhas e em seu

redor, no chão, um tapete avermelhado que se tornará humo para o solo. Na

solidão desse silêncio fresco de sua sombra, me consolo, pois sei que assim

como a castanheira envelhece e morre só, seus frutos, levados por morcegos e

aves, farão nascer novas mudas e futuras árvores. Eu semeei sonhos onde

passei, plantei quimeras em alguns canteiros de minha vida, e não importa se

verei seus frutos e/ou suas flores, certamente um dia, elas nascerão.

          Resta-me o consolo de saber que nada acontece por acaso nesta vida,

que tudo tem seu propósito e sua finalidade. E enquanto eu observo a velha

castanheira, reflito sobre a efemeridade da vida... Mas também sobre seus

legados aos que vierem depois.

          Venham ventos, chuvas, trovões, sóis, luas, estrelas, venha o inverno

inclemente e o verão escaldante,... ela estará ali, até que se cumpram os

propósitos que lhe são inerentes. Assim será comigo e mesmo com você que

talvez, neste momento, esteja perdendo seu precioso tempo para ler esta minha

crônica. No momento certo, tudo passa, todos passam e eu (já dizia o poeta), "eu

passarinho..."

By Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, in 07/08/2013

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SE TEUS VERSOS...

           

 

  Se teus versos...

 
 
Se teus versos me levam a navegar
 
Vou livre por esse mar
 
Navego em ondas poesia
 
E o cheiro de maresia
 
Respiro até extasiar.
 
 
Se teus versos quebram-me em tormentas
 
Quando me ventas saudades e solidões
 
Turva-me as visões e enche-me de ais
 
Busco o teu cais
 
Para me consolar.
 
 
Mas se teus versos, esses que molham-me a alma
 
E banham-me os sonhos
 
Levarem-me a mergulhar
 
No âmago, esse oceano
 
Mergulho em silêncio e som
 
Sereia - mulher...
 
No fundo desse ser humano.
 
By Nina Costa, in 08/11/2014

                 
                Feito em interação ao poema "PORTO FINDO"
                            do poeta amigo FACURI
     http://www.recantodasletras.com.br/poesias/5027418
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EM TEUS ALTARES




EM TEUS ALTARES

 

 No ritual do amor,                  
Na consagração do amor                  
Unem-se nossos corpos em oração...                  
Nina Costa, 30/06/2012                  

 

 

 

                         Em teus altares derramo meus manjares,


                         Meus beijos,


                         Sagrados suspiros,


                         Eternos desejos,


                         Delírios,


                         Fervor...


                         Meu sacrifício santo


                         Pelo teu amor:


                         Meu corpo,


                         Minh'alma,


                         Meu sangue e suor,


                         Meus gemidos inexpremíveis,


                         Meus ganidos de furor...


                         Deito-te a taça


                         Entrego-me em oferta...


                         Faço-te de mim, senhor


                         Aceita-me oferenda


                         Tua prenda...


                         Aprenda-me,


                         Prenda-me


                         No celeiro santo


                         Na luz do teu enleio e paixão


                         Veste-me teu manto


                         Toma-me em tuas mãos


                         E faze-me AMOR...



            Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 30/06/2012




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A PALAVRA

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A PALAVRA

 

A palavra, essa falada

Ou calada entre os lábios...

A palavra, grafada

No momento em que fere o papel de tinta e pensamento...

Ela é efêmera se lançada ao vento,

Mas tem tanto poder

Quando penetra a estrutura de nosso sentido e atinge o coração...

Quem pode suplantar o seu poder?

Quem pode resistir aos seus açoites, quando elas querem ferir?

Quem pode ser insensível, quando elas querem seduzir e encantar?

"Ai palavras, ai palavras, que estranho poder o vosso!"...

É ferro e arma nos lábios do tirano,

É magia nas mãos dos poetas,

É aprendizagem e mundo aos analfabetos,

É possibilidade na criação do artista,

"É lâmpada para os pés e luz para o caminho"

É pedra quebrando vidraça,

É o fogo e também a fumaça,

É tempestade, é tsunami, é furação Irene, La niña...

É nuvem e cimento para a construção de castelos de sonhos...

Com as palavras invento versos,

Com as palavras canto a vida, e a efemeridade da flor

Com as palavras, choro meus dias, canto meu (des)amor...

Delas, as palavras, eu me visto e me desnudo, sem pudor

Com as palavras, sim, com as palavras, eu faço amor

E gozo o prazer da poesia, nas entrelinhas de meus versos...

 

 


Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 14/10/2012

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MIMOSA

 

 

MIMOSA

 

De onde vem esse teu doce encanto
Cuja beleza se desenha nos olhos de amar
Entre o céu azul e verdejados campos
E a afinada orquestra da passarada a cantar?

 

Quem compôs harmoniosamente a linda melodia
E pôs nesses cantores afinados versos?
Quem pintou a tela matinal em cores esmeradas
E sinuosas formas em montes diversos?

 

Quem desenhou teu céu de beleza matizado
C'um sol amarelo dourado e luz por todos os cantos
Os morros de ternura cobertos, espalhando as verduras,
Renovo e sentimentos em suntuosos mantos.

 

A brisa desliza suave desvirginando teus montes
Namora em tuas curvas, teus veios, sem compostura
E brinca de amar no entardecer, em tuas fontes
Qual o artista extasiado ante sua melhor pintura.

 

E a natureza revela vaidosa toda tua graça
Na noite em que se passeia pelas tuas praças
Desperta com a láctea lua todo teu enlevo

 

É tanta poesia em tua geografia,
É tanto mistério neste teu relevo
Que o coração te ama e a alma se enlaça...

By Nina Costa, in 03/04/2018.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

Amcl - Academia Mundial De Cultura E Literatura - Autor
Publicado por Irene Cristina Dos Santos Costa

ACADÊMICA:Nina Costa
PATRONA:Maria Antonieta Tatagiba
CADEIRA: 62
POSTAGEM AUTORAL OFICIAL DO DIA 03/04/2018

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FELIZ PÁSCOA!

Hoje, mais uma vez, o sol nasceu

O dia amanheceu,

Trazendo-nos uma promessa de vida,

De esperança e amor...

Apesar de mim, apesar de você,

Independente das agruras do mundo,

À revelia dos nossos pessimismos,

Que tornam nossos dias áridos.

A flor da esperança desabrocha no meio do caos.

Páscoa é isso...

Renovação

Não podemos olhar para o hoje com os olhos do ontem

Porque o ontem já passou,

E por mais que queiramos trazer de volta,

Ele não volta mais...

Porque mesmo que pareça não ser verdade

Tudo se renova dentro da misericórdia divina.

E DEUS

Nos presenteia com promessas de vida...

Feliz Páscoa!!!

 

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NO ÉDEN

 

NO ÉDEN

 

Tu me destes de comer todas as frutas

As ácidas, as doces, as amargas, as suculentas

E me ordenastes  apenas uma sentença

"Daquela que está no meio do jardim não comerás."

Só olharás  com os olhos e lamberás com a testa...

 

Eu que andava desnudo, sem pudor pelo jardim,

E que brincava inocente com os querubins

E ainda não me sabia pelado, nem experimentava as cores do pecado...

Minha pele era a tela em branco em tons de inocência,

Sur tons de pureza e castidade à luz do sol...

 

Mas de minha costela fizestes Eva e a destes-me por minha companheira

E ela me ofereceu o fruto do meio, e eu comi a fruta sem receio

E descobri o bem e a maldade, e me envergonhei de minha vaidade

E vi meu corpo nu, tão descoberto, e o gosto daquela fruta nos lábios quentes

Mostrou-me o sabor do errado e o certo, tirou-me o paraíso, deu-me o deserto.

 

Quando eu sinto saudades lá de casa, rasgo humildemente as minhas vestes

Cubro de cinzas meu orgulho e vaidade, peço perdão por minha insanidade

Por não ter resistido ao fruto do meio, e ter ferrado toda humanidade

Por eu ter me rendido ao segundo sexo, e ter me lambusado por inteiro...

 

By Nina Costa, in 03/03/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil

 

      *****

 

 

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JANELAS ABERTAS

 

 

 

 

 

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JANELAS ABERTAS

 

 A primeira vez em que foram abertas as janelas,...
Em que o primeiro raio do sol visitou meu quarto
e enfebresceu meu corpo
Transpirei gotículas de sonhos,
Inspirei odores da vida lá fora
Senti que poderia subir no parapeito
Estender minhas asas
E voar...


A segunda vez em que foram abertas...
Quando o hálito morno da tarde se emaranhou em meus cabelos
e assoviou em meus ouvidos antigas canções
Pensei que poderia ulular de uma quimera a outra
E revisitar a Inocência ainda menina...
 

A terceira vez...
Quando o esguio olhar da Lua refletido no espelho
desceu do pescoço ao colo
E as lascivas mãos das estrelas lésbicas
penetraram minha camisola
Acordei sentindo frias volúpias de sensações jamais sentidas
Guardei no criado mudo minhas aniquiladas asas
Fechei as janelas
E dormi...
 

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, in 10/12/2010.
 
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
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ONDE SE ESCONDEM OS MONSTROS?

 
 

 
 
 
ONDE SE ESCONDEM OS MONSTROS?
 
 

          Assistindo com meus filhos a um filme de título sugestivo “Onde moram os monstros” de Spike Jonze, baseado no livro infantil de Maurice Sendak, peguei-me a refletir sobre os monstros individuais, escondidos dentro de cada um de nós... estes, não se mostram facilmente, logo de cara, porque aprendemos, desde as mais tenras idades, a camuflar sua existência, mas isso não significa dizer que eles não existam, ao contrário, estão lá dentro, sempre a espreita, esperando uma oportunidade para colocar as garras de fora, em um momento de distração de nossa consciência, para revelar de modo ímpar, aquilo que queremos ocultar.

          São como o lixo colocado embaixo do tapete na aparente limpeza da casa esmeradamente cuidada, quem olha pensa “tudo está perfeito, não há sujeiras”, mas na obscura outra face do tapete varrido, encontra-se a podridão disfarçada pela hipocrisia.

          Porque é mais fácil vestir a capa de cordeiro sobre a pele do lobo voraz, e agir como cordeiro agiria, pensar como pensaria um cordeiro, e se fazer cordeiro por algum tempo, enquanto a natureza de lobo não se impõe? Se existe uma resposta a esta pergunta, talvez esteja no fato de que a vida em sociedade imponha atitudes e comportamentos tais que imperativamente não admitem a idéia de que a perversidade faz parte da natureza humana, e esta característica nos aproxima da condição de irracionalidade humana, e mais, mostra que não somos perfeitos, e essa imperfeição fere, maltrata, destrói.

          Desde que o ser humano descobriu-se humano, vem tentando camuflar sua desumanidade sob um grande tapete chamado moralidade, e quando os tênue fios deste tapete se rompem desgastados pelo atrito contínuo da razão sobre os resíduos do inconsciente, vem à tona o que não poderia ser revelado, assim aparecem os grandes e os pequenos escândalos das tragédias do dia a dia: Um traidor que para comprovar sua teoria sobre seu mestre, com um beijo acaba levando-o a ser condenado à morte na cruz; um louco que tenta dominar o mundo e fazer imperar sua raça ariana e dizima milhares de vidas judias, outros tantos loucos que para dominar com mãos ditadoras, perseguem, torturam e matam músicos, estudantes, artistas e pessoas civis inocentes em geral; outro que alegando proteger seu país de invasões terroristas ordena ataques violentos e mortais à população desprotegida do país inimigo...

          Muitos são os lobos disfarçados de cordeiros, muitos são os monstros que tentam se esconder por trás da desculpa de boa vontade, de falso patriotismo, de bons moços movidos por paixões, ou de súbitos de ira, alucinação ou descontrole emocional por pressão ou stress. Onde estavam escondidos os monstros de nossos políticos que usam do patrimônio público para benefícios pessoais?; em que lugares escusos criminosos que matam friamente suas ex-namoradas ou ex-amantes (esquartejando os corpos, dando os pedaços aos cães, consumindo com vestígios incriminatórios), onde, meu Deus, onde eles escondiam seus monstros?... numa família desestruturada?, na falta de amor dos pais na infância?, na ausência total de limites?, na permissividade exagerada?, no distanciamento das coisas de Deus?...

          Há muitas desculpas, teorias, hipóteses... , mas uma coisa é certa, independente de qual seja a resposta ou a explicação que se dê, o certo é que ninguém pode fugir da própria sombra... e por mais que se tente, ela estará lá...
 

( By Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, in 02/12/2010)
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
 
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CPP