Posts de Nina Costa (113)

NO NINHO

 

 

NO  NINHO

 

O chão é seu ninho, seu leito ao relento

Na rua, na praça, na vida que passa

Da sorte sem graça que a graça esqueceu...

 

São filhos do homem largados no mundo

São filhos do mundo esquecidos de deus

São anjos sem asas perdidos de casa,

 

Perdidos do amor, num triste abandono

No ninho, sozinhos, tais quais passarinhos

Sem céu, sem poleiros, gaiolas ou donos.

 

No ninho, com frio, seus corpos descansam

Tão frágeis, pequenos, no leito da dor

Sem mãe, sem carinho, de peles tão nuas...

 

De carnes tão cruas, vidas sem sabor

Somente a lua vigia seu sono

Aquece seus sonhos e acende quimeras

 

De  histórias,  sofreres, memórias de eras

Qu’as pobres crianças, o sono amainou

[Em sonho, co’as asas, retornem pra casa,

Anjinhos proscritos que o céu exilou...]

 

Nina Costa, in 29/06/2018.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

 

 

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DOS VENTOS, DE TUA POESIA

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DOS VENTOS, DE TUA POESIA

(soneto)

 

Sonhei conduzir-te por todos os caminhos,

Guiando-te os passos e os teus pensamentos

Mostrando-te a bússola dos meus carinhos,

Quisera ser a rosa dos teus vários ventos...

 

Cruzando céus e mares, seguindo as estrelas

A fim de desvendares minhas secretas ilhas

E aportares tua nau na que te for mais bela

Ganhando o território o qual arrodilhas.

 

Se acaso perdesses o rumo, a direção

Eu, rosa dos teus ventos, t’o indicaria

Como a inspiração que conduz o poeta

 

De ti, tornar-me-ia a musa predileta

Mapearia os versos de tua poesia

Te mostraria o norte d' amor, da paixão...

 

By Nina Costa, in 09/06/2018.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil

 

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N.A.: Agradeço às pessoas que generosamente leram e votaram em mim, não sei quem nem quantas, mas sei que cada pessoa que assim o fez, alegrou minha alma. Grata por sua gentileza com esta amiga de Casa!

Beijos!

Nina

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O DESPERTAR DO AMOR

 

 

 

 

O DESPERTAR DO AMOR

 

Quem é que  cala o coração,

 

Quando o silêncio fala por nós?

Se nada clama mais  à emoção

Que o toque dos olhares e das mãos

 

Trazendo alegria, luz  e sabor

 

Quando a paixão ecoa sua voz...

Nada é tão expressivo e acolhedor

Que o doce despertar do amor.

 

By Nina Costa, in 02/07/2018.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

 

PRIMEIRO AMOR

 

Sei que  nossos corações sussuram

Em meio a este silêncio

Calar o amor é impossível

Pois, ele é em nossa vida  encantamento

Em nossa retina ou no toque da pele

reflete a luz Divina

Do amor puro... alvo feito neve

A voz do nosso amado

Em nada remete pecado

É cântico angelical

Aos nosso ouvidos entoado

Que nos embala e nos faz sonhar

Mesmo quando estamos acordados

****                  

ANA LUCIA MENDES DOS SANTOS SAMPAIO

CLARA FÊNIX           

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SILÊNCIO E FANTASIA

 

 

Silêncio e fantasia

 

Quando o silêncio fala por nós, ... enfim

E a noite cala ao beijo, nossas vozes

E os sentimentos fluem tão velozes

E nos entregamos sem pensar no fim.

 

Só ouve-se o compasso quase tresloucado

Batendo e respondendo no peito da gente

No ritmo de um repinique sensual e eloquente

Na harmonia de dois seres apaixonados...

 

E o silêncio acende a chama, faz a melodia

 

O amor escreve o enredo de nossa fantasia...

 

By Nina Costa, in 02/07/2018.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

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Em tua face

 

 

Em tua face

Com suave beijo em tua face, digo adeus
E penso ver, que refletida aos olhos teus
O brilho d'uma premeditada saudade.

Eis qu'eu não creio na ilusão dos olhos meus
Buscando alguma fé no coração ateu
Querendo amor onde sequer há amizade.

Mas a suavidade tatuada no beijo,

Não nega minha esperança e o meu desejo...

 

Nina Costa, in 31/03/2018

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ANDEI POR AÍ

 

ANDEI POR AÍ...

 

Embaixo deste céu de cobre

E deste sol flamejante

Andei por aí, sem destino, distante

Calquei os cascos do cavalo no solo árido

Levantei poeira e suei saudade e solidão...

 

Tal qual os canyons que se avolumam no horizonte deserto

Tão longe e tão perto,  ante os meus olhos

Com os ventos que uivam incertos,

Sou eu cowboy sem pátria, sem oeste

Embaixo deste céu, sobre este chão...

 

Andei por aí colhendo folhas secas

Rasgando as campinas, palmeando noites frias, sem lua

Ouvindo o choro triste de uma gaita manhosa

Lembrando de casa, da dona que lá eu deixei...

O cheiro quente do café, o perfume da mulher, o riso das crianças...

 

Tanta lembrança levo comigo no lombo deste meu cavalo

E num estalo, meu coração cria asas, eu volto pra lá.

Atrás de mim,

Um rastro de silêncio e poeira vermelha

Marcando os caminhos por onde passei

Enquanto sozinho, 

Andei por aí...

 

By Nina Costa, in 03/06/2018.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

 

 

N.A.: Agradeço aos amigos que leram e votaram em meu texto e convido-os a virem participar também deste evento que é um estímulo à criatividade e inspiração, além de nos envolver  e em algo conjunto.

Beijão para vocês!

Nina Costa

 

 

 

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AINDA

 

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AINDA

 

Ainda me arde na boca 


o beijo que não te dei,


A noite de amor tão louca 


que sequer insinuei.


Eras-me toda vontade 


que a pele 'inda me queima

 
E o coração inda me teima


te fingir só amizade.


Ainda me sofre ao peito 


esse mar que me invade.


Essa coisa qu'é sem jeito.


Essa força em alarde


Quando na boca 'inda me arde


o beijo que não te dei...

 

By Nina Costa, in 19/06/2018.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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PEQUENA BABY

 

PEQUENA BABY

 

Venha aqui, pequena baby

Conte-me o seu segredo mais profundo

Aquele que a faz sentir os pés enraizados

E a emoção doer perdida no olho do furacão.

Não me diga que tudo está perfeito

E que não tem medo da escuridão.

Sente-se ao meu lado e chore sua lágrima

Deite-se em meu ombro

Que eu irei ouvir sua respiração.

Eu sei que você chora como criança com fome

Quando a noite vem rasgando a tarde

E os lobos a perseguem na trilha de seus medos,

Seguindo o rastro de sua incessante dor.

E que, nesse momento, você só deseja um gole de cicuta 

Pra encontrar o fim,

Ou uma dose de tequila pra aquecer a alma.

Sente aqui, conte pra mim, pequena baby.

E ouviremos juntos Janis Joplin e Jimi Hendrix.

Naquele blues que você gosta.

E cada lágrima sua cristalizarei um verso

                 de meu poema de amor.

 

               By Nina Costa, in 13/06/2018.

         Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

https://youtu.be/p7vhtdejjGc

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QUEM EMBALSAMOU O AMOR?

 

QUEM EMBALSAMOU O AMOR?

 

Este amor que jaz embalsamado
Que iluminara os olhos abrasados,
Que incendiara ao fogo do pecado,
E em nós se tornara a chama do sagrado...

Fora o primor das juras em primavera,
A expressão dos sonhos em quimeras
E a sublimação do amor em tantas eras
Que se perdera, embora eu não quisera...

Não fora eu, nos incontáveis beijos
Que esquecera do amor, a flor do desejo
Ou a sutileza dos sonhos e dos ensejos
E o entregara ao fúnebre e atróz cortejo...

Eu perfumei o leito, reguei as flores,
Lutei batalhas, dei-te meus primores,
Ignorei do amor, as suas dores,
Sequer me importei com os valores 
           [ao soante som de tua doce voz...]

Mas acabou, morreu o seu ardor...
Insensíveis amantes ao peito doador.
E eu pergunto a mim e à Deus, nosso Senhor:
Quem de nós dois embalsamou o amor?

By Nina Costa, in 21/05/2018.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

 

 

Obrigada a todos(as) que votaram em mim!

Beijos!

Nina

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HORIZONTE LÚDICO

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HORIZONTE LÚDICO

 

No  LÚDICO espaço que pra nós criei

Um HORIZONTE  feito de amor e amizade

Verdadeira EXPRESSÃO do que pra nós sonhei

A IMAGEM da magia que agora me invade.

 

E o  qu'era brincadeira pra nós virou lei:

Sonhar, brincar, amar, não importa a idade

No LÚDICO espaço que pra nós criei

Um HORIZONTE  feito de amor e amizade.

 

A lei é o carinho, EXPRESSÃO da verdade

 Relembra o paraíso a IMAGEM que sonhei

Resgatamos o céu, não temos mais saudade

No tempo, o sonho mor em nós eternizei

Um HORIZONTE feito de amor e amizade.

 

By Nina Costa, in 09/06/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

N.A.:  poema resultante do DESAFIO POÉTICO.  Palavras em tela eram: LÚDICO, HORIZONTE, EXPRESSÃO, IMAGEM, propostas por Marso

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PEDIDO

 

PEDIDO

 

Minh'alma, meu ser, meu corpo  TE DOU

Se pouco, dar-te-ei MEU CORAÇÃO

Não me importa tanto quanto TE SOU

Pra sempre  em fé, amor e EM UNIÃO.

 

E ter-te assim em toda MINHA VIDA

Eternizando o sonho A TEU LADO

Faz d'alma um jardim, É MAIS FLORIDA

Aos quatro cantos eu TENHO FALADO.

 

Isso é tão forte em MEU PENSAMENTO

Que está em mim e VIAJA CONTIGO

Na emoção e A TODO MOMENTO

 

Sou tua morada, tu ÉS MEU ABRIGO

Sou tua amada, tu ÉS MEU ALENTO

Dou-te minha casa e tu: CASAs COMIGO?

 

 By Nina Costa, in 02/06/2018.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

N.A.:  ENLAÇADO, proposto pelo nobre amigo ZKFELIZ, em 02/06/2018

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SOMOS TODOS CAMINHONEIROS???

 

 

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SOMOS TODOS CAMINHONEIROS???

 

A corrupção é nosso pior problema, não a falta do combustível, remédios, alimentos, devido a paralização. Alimentos, remédio, saúde, educação e condição de vida digna ao pobre sempre faltou. 
A falta do combustível não atinge somente aos pobres, esse é o eixo de tudo, por esse motivo "TODOS SÃO CAMINHONEIROS" agora. E o oportunismo, a deslealdade, a ganância, a corrupção se mostra mais evidente nesse momento em que nossos amigos caminhoneiros conseguiram, com sua coragem, arrancar algumas máscaras da realidade. 
Quem movimenta de fato o 
país, são 'os loucos que o abastecem enquanto os normais dormem'; são os professores que enfrentam diariamente condições adversas para levar o mínimo possível de conhecimento aos alunos, quando o governo só quer estatísticas; são os médicos, enfermeiros, agentes de saúde que tentam fazer saúde com uma saúde pública doente e sem recursos; são os policiais que arriscam diariamente suas vidas (desarmados e acuados) frente uma bandidagem muito bem aparatada e organizada e, que quando fazem greve ou ferem ou matam alguém em defesa da população, são processados e criminalizados pelo seu ato profissional para o qual foram preparados; somos nós, povo, que servimos como massa de manobra ante uma mídia corrúpta e políticos inescrupulosos; somos nós, POVO: sou eu e é você... que vende seu voto por alguma regalia ou privilégio; que está se aproveitando do desespero das pessoas para vender seus produtos com preços absurdos; de você que critica, mas continua em sua inércia; que discute com os amigos, bloqueia e exclui nas suas redes sociais por diferenças políticas, quando os políticos não estão nem aí para a sua existência, só querem saber daquele voto que você vai vender ...
Basta entender isso e fazer valer nosso poder, unindo-nos verdadeiramente àqueles que querem o bem do país. Vamos vestir nossas camisas vermelhas, verde/amarelas, vamos barulhar panelas, vamos para as ruas, vamos retomar o poder que emana do POVO, pelo POVO e para o POVO, e refazer nosso país. Metamorfoseemo-nos  de "SOMOS TODOS CAMINHONEIROS" para "SOMOS TODOS BRASILEIROS"... Esta é a hora.
Confesso: apesar que quase morta, minha ESPERANÇA ainda respira.

 

Irene Cristina dos Santos Costa, 27/05/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil

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MATERNAR

 

 

MATERNAR

 

Eu era  ainda menina, cheia de inocência

Mas já sabia o nome que eu daria

Àquele ou àquela que de mim nascesse...

 

Eu  bem desconhecia o que era desejo

As sensações  do toque, as coisas da emoção

Ou o simples gosto, o sabor de um beijo...

Nunca havia tido um sonho romântico

Ou sequer imaginara ter um namorado.

 

Mas brincando de bonecas eu já maternava

Em minhas pueris brincadeiras de casinha,

E ao peito feito de laranjinha  eu amamentava

Meu rebento imaginário, qu’eu acalentava

Como mãe consciente que em seu seio doa vida

À vida que no ventre traz como semente...

 

E o tempo deu-me a graça de me tornar mulher

Fazendo acontecer meu sonho de criança,

E ao solo de meu útero fez brotar o amor

Enchendo-me o ser de luz e esperança...

 

Só posso agradecer à Deus esse mistério,

Ao homem que cedeu-me sua seiva de vida

E a chance de ser mãe, gestar o amor, dar a luz

Sorrir, chorar, intensamente viver meu puerpério...

 

E assim como Maria ao ventre encarnou o verbo

Meus filhos são a mim, a encarnação do sonho,

O meu presente santo, razão de minha alegria.

 

 

By Nina Costa, in 22/04/2018

Mimoso do Sul, Espírito  Santo, Brasil.

 

N.A.: Emocionada, dedico aos meus filhos Odilon dos Santos Costa da Mata e Pablo dos Santos Costa da Mata, que nasceram no mês de Abril, e ao pai deles José Fernando da Mata (in memoriam), que me cedeu sua seiva de vida.

 

 

 

 

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NA MESMA LÍNGUA

 

NA MESMA LÍNGUA

 

Não temos mais o beijo prolongado

O fulgor do amor perdeu-se no passado

Fecho os olhos e lembro com dor e nostalgia

Quando éramos ciência exata de nossa alegria...

 

Quando tuas mãos cobriam a extensão nua dos meus territórios

E teus dedos demarcavam aventureiros

As fronteiras infinitas de meu quase virginal amor

E desenhavam com expressiva arte os traços do desejo.

 

Quando teus braços eram o maior espaço entre dois corpos

Que meu corpo gostava, sempre, de ocupar

Na química perfeita de nossos sentimentos

Na consumação física dos nossos ensejos...

 

Quando o universo conspirava por nós

E o simples sussurro de tua inconfundível voz

Era melodia para todos os meus sentidos

Vibrando aos sutis acordes em doces arpejos.

 

Quando bebias nos meus lábios minha alma entregue

No toque, nas delícias, no perder das horas

Sem pressa de se ir, sem tempo pra ir embora

Falando na mesma língua, no enlace, no beijo...

 

By Nina Costa, in 11/04/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

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(Lo)ComoVIDA

 

(Lo)ComoVIDA

 

Ando assim com tanta fome

Fome de amor,

de paz,

de alegria,

de vida...

E de tanto esfaimada com essa fome  

[que me consome]

E não some.

Louca com a fome

[que me come]

Sinto-me locomovida.

E ela me rói o abdome,

Ela me toma a alma

Muito mais que a barriga

Se a  gente é o que o que come

[céu, mar, constelações, biomas, mundo,...]

Sentimentos, 

Emoções

Mais que moqueca ou tutu...

Eu sou amor,

Paz,

Alegria,

Vida,

Sou quem come

E sou comida,

Prato Feito,

Quentinha,

Banquete posto,

Um cardápio variado,

Regalo na justa medida

Pra sempre (lo)ComoVIDA...

 

Nina Costa, in 16/05/2018

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

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N.A.: Brincando com o termo "locomovida" de um discurso da Filósofa, Psicóloga, Psicanalista e Poetisa capixaba Viviane Mosé.

 

 

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O QUE VAI SER QUANDO CRESCER???

 
 
 

 
 
 
O que vai ser quando crescer???


Testando a inteligência do filhinho, os pais começaram a indagar o que ele vai ser quando crescer...
Até que um dia, em sua inocência, ele respondeu:
_ Eu telo sê gandi igol o tio qui icondi no gada opa da mamã!

Criança diz cada coisa!...

Moral da história:
*Quem muito questiona acaba tendo resposta!!!


Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 21/02/2012.
Mimoso doSul, Espírito Santo, Brasil
 
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NASCIMENTO DE ARABEL

 

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Nascimento de Arabel

 

          Arabel nasceu num desses dias de verão... Uma tarde quente, ensolarada, mas com uns filetes de uma chuva temporã que caiam zombeteiros, aqui e ali. A chuva caia numa ruidosa sinfonia no telhado das simples casas, enquanto o sol teimava em brilhar atrás de umas nuvens brincalhonas.
     Era assim o dia de sol e chuva, calor e umidade, com as águas teimosas correndo pelo chão, quando Arabel nasceu...
     Ele vinha caindo vertiginosamente, com as asas encolhidas para trás, de olhinhos fechados com medo de bater no chão... Quando uma mão firme, calçada de luva o segurou pelos pés, e Arabel, com aquele medo, sequer respirava... encolhidinho, frágil, sem entender como entrava neste mundo.
     Aquela mão desejava fazer Arabel respirar o oxigênio, encher seus pulmões de ar, oxigenar seu cérebro, então aquela mão firme que lhe segurava os pés, recorreu à sua companheira e deu um tapinha no bumbum de Arabel. E Arabel sentindo a primeira dor do mundo, então chorou... Abriu os olhos, olhou em volta tentando reconhecer onde estava.
     Ai, o corpo lhe doía, ...
     Sentia-se tão pequenino. Antes era grande e forte, agora tão frágil... O que fazer nessa nova casca, nesse corpinho minúsculo? Chorar? Sentir o cheiro desta que vai acolhê-lo nos braços, amamentar ao seio e chamar de filho? Reaprender a viver?...
     Arabel naquele visgo vermelho que estavam tentando tirar de si. Introduziram uma sonda em seu nariz aspirando um líquido que ele sequer reconhecia, lavaram-no, vestiram-no e o colocaram numa máquina quentinha, mas não era quente como o céu, de onde ele viera... Não sei se pobre, não sei se feliz. Mas era Arabel no primeiro dia em que aqui nascia...
     Arabel sugou o seio daquela mulher. Arabel sentiu o carinho e a proteção daquelas mãos maternas.  Arabel começou a olhar em volta e descobrir, agora, que mesmo sem as asas que se lhe quebraram na queda, poderia voar: voar na imaginação, voar no tempo, voar, ...  mesmo sem sair do chão. Uns diziam que isso era brincadeira lúdica, outros diziam que era fantasia...
     Arabel hoje crescido, assina, e os outros chamam de poesia...
     Ahhh, Arabel!
     Ahhh, Arabel! Tu és um anjo perdido do céu...

 
By Nina Costa in 21/09/2014.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
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ORAÇÃO PELAS MÃES


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Para todas as mães e seus(suas) filhos(as)

Senhor, abençoe às Mães:

Aquela que carrega no ventre a vida que teu Espírito abençoou com o sopro de novidade...

Aquela que o ventre não soube fazer essa acolhida, mas nos braços se fez por merecer a bênção rejeitada de outra (e adotou)...

Aquela que espera com carinho na porta da escola, a que joga bola, a que brinca de boneca

Aquela que ainda criança, espera outra criança e aprende a ser mulher junto da própria filha...

Aquela que chora pelas madrugadas, e preocupada, busca o filho nas ruas incertas...

Aquela que escolhe ser e o é bem planejado, e a que é sem ter sequer querido...

Aquela deseja ser o que as outras são e sonha acalentar ao seio o filho esperado ...

Aquela que já não se encontra nessa vida, e a que os anos já cicatrizou...

Aquela que é menina, avó, sogra, mulher, a que cuida da casa, que trabalha fora...

Aquela que é letrada, a que é pai e mãe, a que nunca foi na escola ...

Meu Deus, na sua bondade infinita forjou amor tão próximo do seu dentro do coração de uma mulher,

Abençoe Senhor, todas as Mães!... Inclusive a Mãe que hoje sou...

*******

Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 07/05/2011

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EU NÃO QUERIA RECORDAR...

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EU NÃO QUERIA RECORDAR....

 

Confesso!... Eu não queria recordar...

Qu'andei sorrindo risos fáceis ao léu

E eles pairavam no ar feito bolas de sabão no céu

Até desaparecerem leves e fátuos em seu olhar...

 

Qu'edifiquei castelos de sonhos em adensas nuvens

Só para vê-los flutuarem até o infinito,

Metamorfoseando-se bonitos, ao sabor dos ventos...

 

Qu'arquitetei pontes entre estrelas

Mapeando luzentes territórios entre nós

Fingindo, de contente, co'encanto de tê-las...

 

Que conquistei cada partícula do brilho do luar

Fiz-me como veleiro nas ondas de seu mar

Com maestria regi um coral de sereias...

 

Que teci do próprio tempo, suas infindas teias

Simplesmente para lh'encantar

Mas tudo e nada na tecitura do tempo

 

É puro alento que ele mesmo desfaz...

Para quem necessita dar sentido à emoção

E entender a singularidade do coração

No linear entre a loucura e a razão...

 

Então, recordei-me mesmo sem querer

Qu'eu necessito enfim

Da concretude de sua presença em mim

Nesses meus lássidos dias de pura fruição...

 

By Nina Costa, in 28/04/2018. Mimoso do Sul, Espírito SantoBrasil.

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A ENCICLOPÉDIA NOSSA VIDA SEXUAL

 
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 A ENCICLOPÉDIA  NOSSA VIDA SEXUAL
 

          Ele era como um filho de minha mãe e mais um irmão para meus irmãos, não para mim... Eu não gostava dele como irmão, não o queria como irmão... mas ele me tratava como a irmãzinha caçula.
          Quando ele chegava, meu coração quase pulava pela boca, mas por não conseguir sair, se agitava dentro do peito, e eu não podia entender porque,... O porquê de aqueles grandes olhos azuis naquele rosto moreno queimado de sol me faziam tão desconcertada, aquele sorriso de lábios fartos me deixavam tão emocionada e a presença dele me dava tanta felicidade... Não era algo que eu soubesse explicar, apenas sentia...
          Quando ele bebia água, café ou suco, eu tomava no mesmo copo, para sentir o gosto dos lábios  dele... Quando aos finais de semana, ia lá pra casa  com suas tralhas, e me pedia pra passar sua roupa para sair com meus irmãos, eu alisava como se o acariciasse dentro delas e escondido cheirava suas camisas...
          Ele não tinha nenhuma orientação da mãe, e vendo uns livros que minha irmã comprara _ ENCICLOPÉDIA  NOSSA VIDA SEXUAL _, ele pediu para levar e ler (claro que eu já havia lido os três volumes da enciclopédia).
          Então, colocando em prática o que havia escrito nela, entre alguns poemas românticos de Goethe, ele um dia me trouxe uma flor de graxa vermelha e me deu escondido..., e eu, escondido, apanhei e a coloquei em um copo dágua e dentro do coração. Esse foi o sinal que me fez descobrir que aquilo que eu inocentemente experimentava era o sabor magnífico do meu primeiro amor.
          Deitado no sofá da sala entre dormindo e vendo TV, vez em quando ele me olhava com aqueles olhos de céu e mar, e eu sentia aquele azul  como que me envolvesse numa cortina de fogo, e eu fugia daquele olhar por não saber lidar com aquela combustão que só ardia dentro de mim...
          Quando ele completou seus dezenove anos, resolveu ir embora para o Rio de Janeiro, tentar a vida lá, e eu fiquei esperando que um dia voltasse...  quando voltou,eu agora com dezoito anos e ele com vinte e dois,  veio sem avisar, e me encontrou na rua e me perguntou de sopetão se eu estava namorando ou paquerando alguém, ao que eu respondi que não. Perguntou ainda se podia ir pedir minha mãe para me namorar...
          'Depois de quase quatro anos sem dar nenhuma notícia...', eu disse que fizesse o que bem pensasse, dando de ombro. Ele foi embora e em pouco tempo depois, recebi a notícia de que ele estava namorando a filha do patrão, foi quando eu comecei também a namorar aquele que se tornou depois, meu esposo. Neste mesmo ano, no dia 23 de setembro, ele veio e deu uma festa de aniversário para a mãe, sendo eu uma  convidada, fui com meu namorado...
          Ele, no meio da festa, mesmo vendo-me com o namorado do lado, convidou-me pra dançar, e falou em meus ouvidos: "Broto, como você está bonita!", abraçando-me. Eu me afastei e disse que ia embora, esperando que ele dissesse "não vai, meu amor, eu te quero, te amo..." ou outra coisa assim. No entanto ele só disse que ainda era cedo. E eu disse "não" e me fui...
          Nesse dia eu dei ao meu namorado aquilo que guardava há tanto tempo para ele, rompeu-se o lacre de uma história, um himen, um sonho... e eu que sonhei dar a ele minha pureza virginal, senti doer na alma meu defloramento, me vinguei de mim por amá-lo demais... A ENCICLOPÉDIA NOSSA VIDA SEXUAL não nos  ensinou lidar com nossos sentimentos...
          A última vez que nos vimos, nos abraçamos forte como se quiséssemos comprimir o tempo e a distância que haviam crescido entre nós dois, eu senti o tremor e arrepios nos percorrer os corpos, e os corações baterem ambos em um compasso acelerado, e ele, olhando-me com aquels olhos de céu e mar, disse: "Broto, você continua muito bonita!" 
          Falamo-nos de nossas famílias e nos despedimos mais uma vez...
Irene Cristina dos Santos Costa - Nina Costa, 10/02/2012

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