Posts de Ronnaldo Andrade (9)

O PENOSO EFEITO DO EGOCENTRISMO

Encontro-me nesse páramo

Dedilhando minha cítara

Enquanto meu corpo em frêmito

(De uma forma incontrolável)

Tenta adaptar-se na ambiência

Antes que eu me torne apóstata.

 

Já abandonei à paróquia

Hoje sou um ser apátrida

Nessa posição excêntrica

Desse meu eu geográfico.

 

Minha atitude etnocêntrica

Privou-me de ser seráfico!

 

  Ronnaldo Andrade

 

 

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MEU TÁLAMO É MEU TÚMULO

                                                                                                                           
É primavera! E o jardim
Completamente florido,
Afaga, aqui dentro em mim,
Meu coração dolorido.
 
O inverno se foi, enfim,
Sem nada ter resolvido,
E deixou-me bem assim:
Como se houvesse morrido!
 
O seu frio permanece,
Ferindo e fazendo acúmulo,
Meu coração não merece...!
 
Isso é, primavera, um cúmulo:
Ele fez, sem que eu soubesse,
Do meu tálamo, meu túmulo!
 
Ronnaldo Andrade
 
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TROVA

                                         

                                                               Você apareceu, Querida,
                                                                     muito altiva e majestosa,
                                                                     e perfumou minha vida
                                                                     com a fragrância de rosa!

                                                                     Ronnaldo Andrade

 

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AMOR HIPERBÓLICO

                             

Quero dar a você, meu Amor,

O amor mais puro, leve e bonito.

O amor maior que todo o infinito,

O amor bem maior que o próprio amor.

 

Quero ser no frio seu cobertor,

 Seu refúgio na hora do conflito;

Toda sua calma e seu agito,

Quem me refrescará no calor.

 

Quero lhe dar pela vida inteira,

A certeza que está sendo amada,

E que ninguém é desta maneira.

 

Você foi por mim idealizada:

A mulher, a musa e a verdadeira

Princesa do meu conto de fada.

 

Ronnaldo Andrade

 

 

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UMA MIGALHA DE CARINHO

Sem os toques, sem os carinhos;

sem a presença e o calor

do corpo da pessoa amada,

sou muito mais solitário e pobre

do que qualquer mendigo,

pois, não ganho um olhar

de compaixão nem de piedade.

 

Como alguém que tem tanto

para oferecer,

pode negar um pouco do que tem?

 

Santo Deus! Por quê? O que há?

Será que não mereço...?

 

Pago por algum ou alguns

dos inúmeros pecados

que cometi na vida passada?

 

Só estou pedindo uma migalha

de carinho! Nada mais!

Não reinvendico minha humilde

e desastrosa entrada no reino

do céu,

nem tampouco a ausência

de fortuna terrena.

 

Eu gostaria de ao menos, Senhor,

em algum momento,

ser tratado como um cachorro

de morador de rua:

ele tem a companhia e o carinho

do seu dono!

 

Quanto a mim, é equânime

vociferar que, trago a alma maltrapilha

e, me sinto invisível entre tanta gente,

e que invejo, envergonhadamente,

os cães dos mendigos...!

 

Ronnaldo Andrade ( R. A)

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VOLÚPIA

 

 

 

 
Entregue à volúpia planetária
dos zodíacos,
galguei por planetas álacres,
microscópicos e sucedêneos,
até estancar com sucesso e senil
no meu hemofílico e lúgubre
e refratário e santo calvário;
de onde passei a contar estrelas
como o pastor seu rebanho.
 
Ronnaldo Andrade

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TROVAS

 

01

 

Solidão, não me judia,

nem ria como os palhaços...

Que dolorosa ironia

ver quem amo em outros braços!

 

02

Vejo em cada amanhecer,

nascer a nova esperança

que me alegra e me faz crer

que com fé tudo se alcança!

 

Ronnaldo Andrade

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NA BUSCA DA PAZ

Sigo hoje o caminho,
Que leva ao calvário,
E bebo do vinho,
Que Satã produz.
 
Mas creio em Jesus,
E não desanimo,
Na busca da paz
Divina, que eu primo.
 
Cauteloso eu limo.
A pedra da vida,
E venço a batalha,
Já quase perdida.
 
No peito a ferida,
Em sangue pisando,
É carro sem frio
E desgovernado.
 
Recordo o passado,
E o vejo presente,
Mas tudo mudou:
Está diferente!
 
Amei tanta gente,
Porém, só me lembro,
Daquela que amei,
De julho a setembro.
 
Sonhava ser membro,
De sua família,
Comprei uma casa,
E toda a mobília.
 
Fiquei em vigília,
E fiz oração,
Ofertei-lhe todo,
O meu coração.
 
Pedi sua mão,
Com muita ternura,
Mas ela me disse,
Ser isso loucura.
 
Nessa noite escura,
Sigo à estrada a pé,
Pisando os espinhos,
Sem perder a fé
 
Sua ausência me é,
Uma kriptonita:
Ela me faz fraco,
E a dor infinita.
 
Minha alma grita,
Um grito agressivo,
E nós não sabemos,
Se ainda estou vivo!
 
Ronnaldo Andrade




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