Posts de Rui do Vale Paiva (291)

Episódio Capitular

 

 

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E aconteceu que explodimos

em um êxtase sublimado

- asteróides nós colidimos! –

feito chuva de papel picado.

 

Cultuamos os deuses ocasionais

antegozamos estações primaveris

imprimimos nossos desejos sazonais

na têmpera dos anseios juvenis.

 

E fez-se azul a cor do nosso sonho

fizemos correnteza em ardis oceanos

dos sargaços imitamos abraço medonho

arfamos ávidos na atmosfera dos altiplanos.

 

Esboçamos o sorriso mágico e triunfal

fitamos as abóbadas do céu e do mar

entoamos versos e os atamos no varal

dos amores eternos na raiz do verbo amar.   

 

 

 Rui Paiva

 

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Cócegas na Alma

 

 

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Rupturas de um sereno estado emocional

interferências que deslocam os pensamentos

lampejos que se dispersam ante o ocasional

ansiedades que nos bloqueiam direcionamentos:

tudo preenche o rol de minudências – bem salientamos –

que engasgam o vocábulo prestes a vir à tona

no marasmo das horas que mentalmente recriamos

para dar azo ao verso que em nossa veia sazona.

 

Pássaro que se esbate na clausura da vil gaiola

assim que se resume o poeta em ação estagnada

quando o seu cântico algum contratempo viola

na composição de sua criatividade ora isolada.

Seja a hora de planejar pertinente e súbita mudança

cativar elementos que se introduzam à paz e à calma

refazer o cenário até onde o nosso imaginário alcança

solenemente produzir afetuosas cócegas na alma.

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

 

 

 

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Frascos e Afrescos

 

 

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Não espero somente a dádiva do teu beijo:

anseio a entrega da tua alma crepuscular

e o bojo inefável, a crisálida do teu desejo,

a amêndoa mística que embalsama teu olhar.

 

Me amparo na ampulheta que se faz sentinela

na insone guarida da tua expectante nudez

magnânima imagem que ao meu peito revela

o princípio da vida edênica – ininterrupta talvez.

 

Eis que ancoro minhas amarras no teu idílico cais

onde balouçam as barcaças de sonhos carregadas

... longarinas de pontes que unem gozos espectrais

ao delírio supremo de nossas buscas energizadas.

 

Peregrino na trilha dos seixos e flores balsâmicas

inalo a fragrância que repousa em teu colo insular

ensejo o sussurro do êxtase afixado nas cerâmicas,

frascos e afrescos que adornam nossa arte de amar.

 

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

 

 

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Poem(a)mor

 

 

 

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Há poesia

no muro passado à grafite

a cal e maresia:

sonda-me um palpite.

 

A arte manha o ato

o peito nu aflora no esteio

palpita o pensamento nato

no cimo de teu intumescido seio.

 

Vigora a flor do teu sexo

um regato, colina, uma angra

um regalo, espelho dágua reflexo

exprime desejo, alma reverbera e sangra.

 

Em teu êxtase exilado

beberico em agonia o beijo ávido

morro docemente e extenuado

e, ao final de tudo, sobrevivo impávido.

 

 

 

 

 

Rui Paiva

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Capricho do Cio

 

 

 

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Aprendi a ser teu

unicamente

sem rompantes de culpa.

E de outras coisas me apercebi

para entender melhor a mudança:

tal como ouvir os guizos do silêncio

no prenúncio das manhãs

ou arremedar o orgasmo noturno

embalado na cadência das marés.

 

Sentir a ogiva do teu corpo

esparso na embriaguez do beijo anunciado

sensível aos arrepios das gramíneas

a violar o segredo da tua carne

insinuante e incendiada

ao capricho do cio que emana dos teus poros.

 

Nativo da tua chama

ensaio a dança que une o ventre

serpeia tuas curvas luzidias

e cinge meu santuário de espasmos

onírico e tão real

qual a luz bruxuleante

que beija a face da lua.

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

 

 

 

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Pingos e Respingos

 

 

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O declive

dos beirais

banha-me

ao cair

da chuva.

 

Nos pingos

e respingos,

a história

em gotas

de amores

possíveis.

 

Verossímeis

desejos,

ardentes

fulgores

escoam

à margem

ribeirinha

das coxias.

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

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Biografia

 

 

 

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Sou plural

se me deparo

com coisas

singulares.

 

Sou oblíquo

longitudinal

rarefeito,

ao avesso

da alma.

 

Me apaziguo

no complexo

contexto

das situações

amenas.

 

Sem alvoroço

ou delongas:

sou poeta,

apenas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

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Seu Carlos

 

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 (A meu pai, in memoriam!)

 

Tece a chuva

o manto molhado

do adeus final.

 

Jaz o herói

que coloriu meu sonho

à hora matinal.

 

Na lápide fria

a cicatriz

do abraço amigo.

 

Helianto a quedar.

O silêncio morno,

guardado comigo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

 

 

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Beco das pobres rimas

 

 

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Há um poema oco

no beco das pobres rimas

onde o pensamento é tosco

pórtico de todas as sinas.

 

Sombras cobrem calçadas

dos passos de homens taciturnos

inebriados nas noites passadas

carregam do vinho bafos noturnos.

 

Ali não vigoram astros celestes

a luz escoa débil e difusa

há o ranço de doenças e pestes

a mente é uma caraminhola, confusa.

 

Espremida, a gente ignora a profecia

de ventos santos e assaz promissores

que trazem bonança à languidez do dia,

e descrê na vinda de possíveis amores.

 

 

 

 

 

 

Rui Paiva

 

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Fandango

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Delinquentes são as horas

que me afastam de ti,

nefastos os momentos

em que nos mantemos distantes.

 

Imaginas a balbúrdia

que assola minha mente

se não estás comigo?

 

Não conjugo o verbo

sozinhar

mesmo defronte

ao imenso vazio,

se tu te vais

e me deixas desolado,

angustiando tua ausência.

 

Hei de amolecer

a ira dos ineptos

e baderneiros da dor alheia

que mitigam e dizimam

os esfaimados

de amor.

 

Vem comigo, Vida!

Deixemos emparedadas

as folias dos deuses

que se contentam

com os desarranjos

e desmantelos

dos que ousam

amar

amar

amar

até a finitude

da imortalidade.

Rui Paiva

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Oficina Poética

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Um canto gregoriano

ecoa no meu recôndito.

Torres de uma catedral

gótica

espicaçam o céu

a apontar o caminho

onde devo ancorar

meus sonhos.

 

Fascínio envolto

em nebulosa nave

helicoidal

que transmigra

meus segredos

e medos

reclusos.

 

Notívago pensar

perdura,

insone,

resquício da noite

anterior.

 

Um sudário

me seca o suor

das espáduas

inquietas e doridas,

ante minha compostura

no enfrentamento

das horas arrastadas:

mortífero elixir,

sobrevida dos poetas

que catam letrinhas

para alimentar

exortações d´alma.

 

Me refugio

dentro de mim,

calabouço silente

onde o musgo

persevera

em adentrar

e ser acolhido

- qual nódoa retinta,-

na lã cardada

da túnica

que reveste

meu insepulto

e vaporoso

poema

que teima

em vir à luz.

 

Rui Paiva

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Sangria

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Ao gerar lemas, temas,

poemas,

minha alma canta

e se encanta

com a ternura dispersa

em meu ser,

é um sempre

renascer!

 

Atmosfera de aloés,

mirra e incenso

mescla-se às idéias

nascedouras

do que penso.

 

Sinto a letra

sutil

que me adorna

e me contorna

a tornar-me

útil.

 

O verso me unifica

ensolara meu universo

apascenta e pacifica

o sonho controverso.

 

Sou poesia...

- entoar de pássaros

canoros ao raiar do dia;

flautins ritmados

a embalar meus sonhos,

embornal de sabores

liquefeitos

a deliciar meus amores

e tanger momentos

inoportunos e enfadonhos.

 

Eu me completo

- e isto me contagia!-,

com o verbo seleto

que do peito

faz sangria.

Rui Paiva

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Pacto Pessoal

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Comungarei:

 

à cantiga mística das oferendas,

à voz rouca dos que sussurram amor,

ao gesto cortês de pedir passagens,

ao pé descalço na incursão da lida,

às correções repletas de emendas,

ao brotar lírico de uma flor,

aos desolados fruindo novas aragens,

ao nascituro, uma bênção à vida.

 

Cultivarei:

 

o ato de desatar o desacato,

a homilia antes da oração de louvor,

o abraço apertado cingindo confiança,

a ternura solene dos ancestrais,

menção honrosa ao talento nato,

a prosperidade do predicado amor,

o relutar incansável em prol da bonança,

o prelúdio cancioneiro dos imortais.

                                                                 Rui Paiva

 

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