Posts de Rui do Vale Paiva (269)

Apego - 2

Rumino tua voz qual o vento vadiando em conchas. Não me dou conta do tempo - que jamais enguiça e para - e passo a antefruir a noite pr’a envolver-te nos lençóis do meu abraço.
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Exortação a um Mundo Possível

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Oxalá vivamos o suficiente para dizermos sempre: eu te amo!

Sem a intervenção do ocaso do amor, do perdão, do carinho.

Integremos nossos circuitos neurais para expelir o ódio insano,

E obtenhamos de maneira sólida nossos pares sem desalinho...

 

Que prospere a dádiva de recebermos e retribuirmos atenção

Aos que ignoram e desconhecem a energia de um amplexo

Sem tapinhas escusas às costas, sem uma segunda intenção

Sem auspiciarmos nada em troca, seja propina ou sede de sexo.

 

Desvencilhemos todo o véu que encobre a nossa perene lucidez

E encantemos o próximo com o advento sublime da solidariedade

Alcemos, enérgicos, o topo da humildade ante a ilusão que se esfez,

Livres, abriguemos em nossa tenda quem nos inoculou a maldade.

 

Comunhemos da mesma refeição onde se refestelam os convivas

Saudemos à família como vínculo indissolúvel e gerador da raça

Sejamos fiéis aos nossos desígnios e com as mentes sempre ativas

Façamos deste meio um oásis para se viver mediante divina graça.

Rui Paiva

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Acontecência

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Passaste...

Te vi ao molejo de tuas ancas

Enunciado passo influenciador

Pensaste:

“Ardoroso olhar-me lanças

Coração combalido de amor!”

Acertaste:

Entranhei-me em teus abraços

Liquido mel adoçou-me tua boca,

Qual rocha emaranhada de sargaços,

Ficaste presa a mim feita louca...

Contraste...

Deduzi que o amor era passageiro,

Qual nuvem deslizante no vasto azulado

Dos meus olhos dissiparam o nevoeiro,

Em meu peito há ressonante retumbado...

 

Rui Paiva

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Sobrevida

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Somos pequeninos, minúsculos...

Só talvez a nossa grandeza emocional

ultrapasse o nosso recurso dos músculos

e nos refaça um ser racional.

Não perdi a onda de minha época,

nem me desfiz dos laços juvenis.

Sou de uma geração inequívoca

onde a experiência provém dos senis.

Pensar o inexato requer vivência,

contrariando estatísticas minuciosas

a exaltar a salutar sobrevivência

em meio a intenções maliciosas.

Tenciono ser exemplo para os normais,

que filhos e netos oxalá me exaltem,

enquanto vivamos, meros mortais,

na continuidade deste suportável Éden.

 

Rui Paiva

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Versos Esparsos - 2

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Meu coração é um tambor

onde o assobio dos ventos

- e do trompete o clangor –

orquestram veros sentimentos.

 

Minha aldeia possui flores:

gardênia, lírio do vale, jasmim

para perfumar meus amores

de tão importantes para mim.

 

A nascente de um rio, um filete,

aflui nas vertentes do meu peito

onde pomposo e adestrado ginete

jaz à sombra da pradaria, seu leito.

 

O céu azula a partir do horizonte,

o sol ladrilha de luz seu caminhar

doura, encanta, e atrás do monte

se esconde e oculto vai relaxar...

 

Rui Paiva

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Meu Sol Interior

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Ouvi o badalar

Da catedral um sino,

Temperatura a esbaldar

Calor de sol a pino.

 

Errante nas dobras do destino,

Ousei desafiar os meandros da saudade;

Por severo contrassenso ou desatino,

Não me esquivei de melindrosa insanidade.

 

Permissão para invadir tua intimidade, não pedi

Fluiu a força do amor qual rio regurgitante

Às tuas imolações dos desejos secretamente cedi

E me tornei em um ávido e sequioso amante.

 

Intermitente pulsar acelerou no imo do meu peito

Minha mente sorveu toda a sensibilidade plausível.

Amei – e grande o sentimento! – parecia ar rarefeito

Um sol a queimar-me por dentro, oblíquo e invisível.

 

Rui Paiva

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Versos Esparsos

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Pensei

E propus

Reinado de luz

A quem amei.

 

Um oboé assoprou,

Assobiou brandamente

Pois amei solenemente

E o vento nunca levou.

 

A velha viola

Arranhou uma composição:

Era a demarcação

Do meu amor em uma vitrola.

 

A vida cativa

E aviva

Mas não sobreviva

À deriva...

 

Tosca é a ideia

De abraçarmos a amada

Em uma relva esparramada

Ao redor de uma aleia.

 

Ame

Proclame

Não reclame

O tempo infame.

 

Alô! O poeta está?

- Não, saiu...

E onde andará?

- Lá aonde o poema caiu... 

 

Preciso de poeta... Urgente!

Apetece-me uma ideia boa:

Afogar o coração da gente

No fundo de uma lagoa.

 

Oitava maravilha de mundo:

Teu beijo em uma moldura

Minha mão na tua cintura

Encobertos por um céu

- Cobrindo como se fora um véu –

Vestido de seu real azul profundo.

 

Rui Paiva

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Olhos de Maga

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Me espia com olhos de maga,

Uma nesga de lua

Em um céu polvilhado de estrelas.

- Brame ao longe uma e outra vaga, -

Os ventos de julho silvam na rua,

E cismam, adiante, às dunas removê-las.

 

O crocitar de um pássaro noturno

Mescla-se aos barulhos intermitentes

Junta-se ao burilar dos meus pensamentos

- Onde tua imagem prevalece a seu turno –

Sonhos, devaneios, todos tão presentes!

Interagem de forma indelével aos sentimentos.

 

Quisera esmiuçar o tempo, cortá-lo em fatias

Daí contemplar as atitudes nossas, juntinhos,

E paralisar a Grande Ampulheta dos deuses

- Que impera conspirando contra doces dias –

Se nos importa o cálice bento dos justinhos,

Coletores do amor a afugentar os temerários adeuses.

 

Sinuosos são os caminhos dos emparedados

Íngremes as escaladas dos que não amam,

Suas sandálias sequer pisam o solo da eternidade

- Disto nós somos peregrinos inveterados!-

Somos das laias que da satisfação nada reclamam

Antegozamos nosso abnegado enlevo, com serenidade.

 

 Rui Paiva

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Festa na Roça

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Desfalece a última rosa no martírio do ocaso

e no bojo da praia o mar brame toda a sanha

o horizonte curva o oceano qual um prato raso

o vento furibundo serpenteia toda a montanha.

 

Fatias de nuvens laminadas por raios mortiços,

encobrem aves que desertam rumo aos ninhos

a noite promete seresta de piados entre caniços

do lago de bambus apontados para os astrinhos.

 

Nas lonjuras arrebentam turbulentos os trovões

a listra corcovada da serrania perfila em quintais

parece tremer juntamente com abrasados balões,

que balançam em cordéis feito lenços nos varais.

 

Ribomba o zabumba, tilinta o triângulo, a sanfona

geme o fole até passar a madrugada e o alvorecer

acontece realçando o terreiro, e o sol vem à tona:

casais roçam chão agarradinhos, fazendo-o tremer.

Rui Paiva

 

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Traços de Amor

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Na palma da minha mão

tem algo de muito valor:

o esboço de um coração

e pertence ao meu amor.

 

Em meus dedos há digitais

que acessam o teu carinho,

pois me evolve mais e mais,

inda quero mais um tantinho.

 

Em meus braços há o abraço

e te veste com maior ternura,

se ao teu corpo eu me enlaço

cingindo-te com toda brandura.

 

Meu peito palpita o sentimento

que te gosta e tanto te admira;

aloja-te no mais imo pensamento

e por ele nosso encanto transpira.

Rui Paiva

 

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Conchas ao Ocaso

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Céu laranja-escarlate magistralmente pronto

para o mórbido ocaso.

Nuvens emparedam à passagem do rei

exaurido.

Na praia, teu corpo estendido, a pele morena

reluz às luzes agonizantes.

Dois montículos se sobressaem em tuas linhas

sensuais: teus seios esperam o ardor

dos meus beijos, feito conchas paralisadas,

à espera do deslize das ondas marinhas.

Rui Paiva

 

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Lágrimas Estagnadas

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Levas as mãos ao rosto, lágrimas estagnadas

um soluço vago teima em sair, mas tu o reténs

perseveras com a tua indignação, e abaladas,

as tuas vontades aprisionas e teus sentidos, reféns.

 

Divagas na amplidão e nem sequer colhes flores

ignoras o acenar das estrelas, o requinte da lua

a maré beijando teus pés descalços em rumores

nada, nada desvia o teu senso aos golpes da rua.

 

És fada e teu passo deixa meu coração incendiado

para ti, abro a porta da minha humilde moradia

vem comigo: todos os males, tudo será remediado

terás conforto de panos quentes e ausente a rebeldia.

 

Vencerás o receio de contemplar o encanto da vida

e verei tuas singelas expressões sorrindo, extasiada!

Seremos felizes e saudáveis, prometo minha querida,

e eu te farei de todas as mulheres, a mais bem amada.

 

Rui  Paiva

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