A GEOGRAFIA DO AFETO
Permanecer é dar raízes ao instante,
quando o mundo nos ensina a despedida;
é ser abrigo, sem tornar-se dominante,
e pôr ternura nas fissuras desta vida.
Pertencer é ter um porto sem algemas,
um lugar onde o silêncio encontra escuta;
é saber que alguém decifra nossos dilemas
e acende uma janela quando a alma luta.
Compaixão é quando o coração se inclina
sem humilhar a dor que encontra pelo chão;
é uma ponte que, invisível, aproxima
duas margens separadas pela aflição.
Como em Buber, o Eu floresce diante do Tu,
pois ninguém se completa na clausura;
quem permanece faz do afeto um céu azul,
e quem acolhe dá humanidade à criatura.
Aforismo:
“Pertencer é encontrar quem permaneça; compaixão é permanecer sem exigir que o outro deixe de ser quem é.”
Fim
A Domingos
24/09/2026
Comentários
Digno de aplausos e leituras. Maravilha! Destaco o verso: "Ninguém se completa na clausura"
Agradecemos sua gentileza e generosidade na avaliação de nossa poesia Prezada Poetisa Lilian.
Uma honra para nós aqui em casa
De Fernanda e Antonio Domingos
Saudações das Sagas! Um ensino com muita sabedoria e muita convicção sua amigo. Antônio sua essência, vigor, aprendizado, suas experiências, algo que tá muito enxuto e vivo. Admirável! Parabésn! Abraços
Gratidão sempre prezado Poeta Luiz Anthony por sua atenção e leitura e apreciação..
Uma honra para nós.
Abraços fraternos
Antônio, seu poema transmite um afeto bonito e maduro: permanecer sem prender, acolher sem dominar e pertencer sem perder a liberdade.
“Geografia do Afeto” é uma delicada reflexão sobre a importância de encontrar alguém que permaneça e saiba acolher o outro exatamente como ele é.
Parabéns!
DESTACADO
Abraços
Agradeço demais sua atenção e leitura e apreciação de nosso trabalho poético..
Uma honra ter o seu Destaque um incentivo para nós..
Nossos abraços de Fernanda e Antonio Domingos
Antonio, seu poema me fez pensar muito na delicada diferença entre permanecer e possuir. Gostei especialmente da ideia de “um porto sem algemas”, porque traduz pertencimento sem transformar o afeto em prisão. A referência a Buber também se encaixa organicamente no poema, reforçando essa relação em que o Eu só se reconhece verdadeiramente diante do Tu. É um poema sobre afeto, mas, sobretudo, sobre liberdade dentro do vínculo. Uma leitura muito bonita. Parabéns!
Excelente análise prezado Poeta Maurício Hermes Gostamos demais...
Nossos abraços... Fernanda