Inspirações

DIFERENÇA X IGUALDADE

Diferença  x  igualdade

 

A natureza é sábia em tudo que faz e, em sua sapiência, criou o homem e a mulher anatomicamente diferentes, mas não para diferenciá-los e sim para completá-los. Separados, eles são metades. Juntos, torna-se um e geram outros, função geneticamente impossível de se processar sem a participação direta de espermatozoide e óvulo.Mesmo com todo avanço da engenharia genética, o princípio básico para uma inseminação artificial, ainda é um homem e uma mulher. Isto prova que a diferença anatômica é apenas uma necessidade biológica e não uma diferença radical entre sexos, direitos e deveres.
Houve época em que o homem de seu “alto pedestal de sabedoria” , acreditava piamente que a mulher era apenas uma incubadora para gerar os filhos que ele quisesse ter. Ele tinha certeza que dos seus “sagrados testículos”, o filho já saia pronto e que era depositado na mulher pelo período necessário de incubação, onde se desenvolveria sem que, geneticamente, ela tivesse nenhuma participação hereditária com o próprio filho. O homem acreditava também, que do testículo esquerdo gerava a filha mulher e que do testículo direito gerava os filhos homens. Mais uma prova de superioridade masculina, já que, o lado esquerdo era visto e pensado como o lado ruim do corpo. Tudo que derivava do lado esquerdo era de certa forma, desvalorizado.( Filosofia Aristotélica)
A ciência provou (séculos depois) que para uma criança ser gerada perfeita, ela precisa dos cromossomos do pai e da mãe e que, por isto, a herança genética recebida por esta criança é do casal. Ainda assim, o homem continua vendo na mulher não um complemento no sentido profundo da palavra, ou uma diferença que os assemelha, os iguala porque os completam, mas apenas uma diferença sexual , que continua a prevalecer até hoje, com a visionária figura do “macho” superior em tudo.
A diferença real entre homem e mulher, que os separa em grupos extremamente opostos, é uma construção cultural que foi sendo instituída ao longo da história da humanidade, constituição essa, que não só os diferencia, mas também privilegia um em detrimento do outro, enaltecendo uma supremacia masculina, transformando uma função biológica, especificada através de uma diferença anatômica, em inferioridade feminina.
É claro que existe uma grande diferença entre um homem e uma mulher! Mas não é a anatomia humana que os diferencia e sim, a individualidade de cada um. Não se deve diferenciar pessoas pela diferença sexual, mas por serem diferentes como indivíduos, já que, um homem não é igual a outro homem, mesmo que biologicamente, eles tenham a mesma estrutura física, os mesmos atributos sexuais. Os pais, por exemplo, erram muito com os filhos, por não perceberem a individualidade de cada um. Quando têm filhos homens, trata-os igual como se eles fossem iguais. E quando os filhos são mistos, trata-os diferentes pela diferença sexual e não pela individualidade de cada um. Isto ocorre em todos os setores da sociedade. É uma relação que inferiorizou a mulher fazendo-a buscar uma igualdade que ela jamais terá, porque a igualdade já existe na diferença anatômica biológica que a natureza se encarregou de fazer e mostrar, mas que a superficialidade da visão masculina, impede que ele enxergue uma verdade tão óbvia.
Eu não nasci homem nem quero ser igual a nenhum homem. Mesmo, sentindo na pele essa radical diferença, eu me orgulho de ser mulher. Mulher que também passou por esta construção cultural e que, por mais que esta cultura tenha influenciado no meu comportamento, no meu modo de ser e de ver o mundo, antes de ser mulher, eu sou um ser que pensa. E ser não tem sexo. E é com esta visão que não tem sexo que eu penso o mundo e sou capaz de entendê-lo, livre de qualquer preconceito, de qualquer algema que a construção cultural tenha tentado me impingir.
Na liberdade do meu pensamento eu olho para homens e mulheres e só vejo pessoas, gente independente de sexo, condição social, cultura, raça, cor ou religião. São apenas pessoas como eu que, na maioria das vezes, não me vêm como os vejo, e esta é a única diferença: eu penso. A maioria deles não se dá ao trabalho de pensar.
Às vezes, eu me entristeço quando vejo mentes brilhantes, inteligências privilegiadas, atadas a uma realidade medíocre, presos dentro de uma construção sociocultural que bitola, limita, padroniza e engarrafa pra consumo, sem que se deem conta de que estão sendo manipulados porque aceitam verdades prontas que lhes são impingidas sem serem questionadas, avaliadas profundamente.Não quero dizer com isto, que pensar é brigar com o mundo, ao contrário, pensar é compreender o mundo. Mas compreender no sentindo real da palavra, buscando a verdade de si e não verdades pessoais ou de grupos. E pensar não é privilégio de alguns é mais uma condição biológica da qual a natureza dotou homens e mulheres, identificando-os e diferenciando-os dos outros animais, mas igualando-os entre si. Esta é uma verdade universal não uma verdade específica, minha que eu criei. Isto é pensar. Se eu não pensasse, a minha construção cultural jamais me permitiria chegar a esta verdade, já que, derivo e estou inserida no contexto de uma sociedade extremamente machista. E foi pensando que descobri e aprendi que a mulher não precisa querer ser igual ao homem, tentar imitá-lo, copiá-lo em tudo, até no que ele tem de pior, para provar a sua capacidade, o seu valor. Quanto mais ela se iguala, mais perde a igualdade natural. Porque deixa de ser ela mesma para ser outra pessoa perdendo a própria referência e individualidade, tornando-se não igual, mas uma mulher que precisa agir como homem para competir como duas forças opostas ou como animais de espécie diferentes que delimitam o seu território para mostrar quem é o mais forte. Este tipo de enfrentamento, de competição, que a própria construção cultural faz desigual, gera na mulher, mais complexos e muitos conflitos que, internamente, transformam-se e se exteriorizam em forma de doenças como hipertensão, infarto, estresse, depressão, etc.
Como falei antes, eu sou mulher e me orgulho de sê-lo. E acredito que a mulher, quando aprender a pensar, vai encontrar o seu lugar no mundo. Ou seja, quando ela aprender a ser o que é. Pois, é como ser com capacidade de abstração que ela está em pé de igualdade com o homem. Só sendo ela mesma, a mulher pode se livrar deste estigma que a sua condição sexual e a construção cultural lhe impingiram. E não é tentando ser uma cópia do homem que ela irá conseguir, pois, o homem nunca irá respeitá-la se, ela mesma, tentando copiá-lo, imitá-lo não respeita a condição maravilhosa com que a natureza lhe presenteou que é a condição de ser mulher.

 

Marsoalex – 11/07/2002

 

 

 

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Marsoalex

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Comentários

  • Está completamente errado mulher comparar ao homem e querer ser igual.

    Jamais seremos iguais. Somos iguais pela Criação, mas com funções e destinos diferenciados.

    O segredo é o que você colocou Marso: P E N S A R.

  • Adm

    Terminei de ler seu artigo e olhei a data de construção, e olha só, muito atual. Concordo contigo sobre esta questão da mulher tentar se igualar ao homem, quando ainda nem valorizou os seus próprios direitos. A mulher não será menor em nada se assumir a sua condição mulher que é, por demasiadamente, importante em todo esse processo de emancipanção do próprio ser humano como ser que pensa, que reflete sobre o que lhe rodeia, que realiza, que modifica, que planeja, enfin que tem atuante participação na transformação do mundo em que atua.

    Excelente artigo, Marso.

  • Magistral excelente parabéns 

    Belíssimo 

    Abraço 

  • Que maravilha de construção sobre a mulher,querida!

    Amei,endosso e aplaudo de pé

    Beijossss

  • Marsoalex, somos no mundo, somos na vida , somos de forma única no cotidiano de cada um que vamos encontrando ao longo da nossa existência.Não importa se homens ou mulheres.somos únicos/as, semeados / as por informações passadas por nosso ancestrais a respeito de tudo que aos poucos vamos aprendendo.Aprendemos nesta vida as culturas que nos colocam defronte os  valores, recheados de egoismo, orgulho, medos, vaidades. No dia que todos e todas, atentamente observarem o quanto somos vulneráveis e isto independe do gênero, saberemos cudar uns dos outros, com amor e respeito.

    • Obigada, pela presença e comentário, Gilcelia!

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