Se eu fechar a janela

Se eu fechar a janela

Se eu fechar a janela da madrugada,
de olhos que já vão ficando cansados,
de tanto girar lençóis embolados,
como sentirei teu beijo na alvorada?

Se eu fechar a janela da madrugada,
com medo de entrar uma aragem gelada,
que me roube a paz de uma noite calada,
como ouvirei teu sussurro e tua risada?

Se eu fechar a janela da madrugada,
e uma beija-flor pairar frente ao vidro,
querendo entrar, em busca de abrigo,
como saberei quando é a hora marcada?

Tenho desejado esse beijo molhado,
sob o brilho da lua em seu ocaso,
deixando a boca à mercê do acaso,
sem saber se foi sonho ou pecado.

E se eu estiver fechando a janela
justamente quando a lua
vier iluminar
tua chegada?

 

MHermes.

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MHermes

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Comentários

  • O frio da madrugada perturba, machuca, atormenta...

    Mas... se não quiser perder o encanto da luz,

    mantenha a janela aberta.

  • Mauricio

    lindo versar

    aconselho deixar a janela aberta

    um abraço

  • Quanta inspiração! Adorei o seu poema! Parabéns!

  • Maravilhoso poema, Maurício!!! Me encantei com teus versos. Parabéns.

    Um abraço 

    DESTACADO 

  •  

    Prezado Poeta Maurício Hermes 

     

    Segue uma breve avaliação de sua belíssima Poesia "Se eu fechar a janela" . É uma Simplória Síntese que escrevemos..

    Vosso Poema explora o limiar entre a vulnerabilidade do afeto e o desejo de proteção, usando a janela uma forte metáfora na abertura da alma. 

    A noite provoca hesitação diante do frio e da incerteza e tudo isso expressa o medo humano do abandono ou da frustração amorosa. 

    O seu Eu lírico reconhece que se fechar para os riscos do mundo é também trancar a porta para o encanto, o beijo e a chegada do ser amado. 

    A imagem do beija-flor e da Lua esperada são delicadezas de instantes efêmeros cuja vontade é necessária para serem vividas. 

    Romântico, a obra celebra a espera confiante no amor, superando a percepção do isolamento.

     

    Aforismo da Poesia.

    Quem fecha as janelas para se proteger do frio, tranca o próprio peito para a iluminação do amor.

    Nossos abraços fraternos prezado Poeta Maurício Hermes de Fernanda e Antonio Domingos 

     

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