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O que é viver com intensidade?
Às vezes me pergunto se aquilo que acontece dentro da minha mente também pode ser chamado de vida
Porque há pensamentos que não consigo externar
Eles permanecem escondidos em algum lugar entre o silêncio e a imaginação,
esperando a hora de escapar pelas palavras.
Talvez seja por isso que gosto tanto do devaneio.
Quando escrevo, mergulho em um lugar onde as fronteiras deixam de existir
Não sei exatamente onde termina a realidade e começa a invenção
Ali, meus pensamentos ganham pernas, meus sentimentos ganham
voz e meus versos correm soltos, sem pedir licença.
Não cobiço aquilo que não posso ter
Mas confesso que, quando escrevo, posso imaginar
Posso inventar encontros, olhares, despedidas, mãos que quase se tocam, amores que talvez nunca tenham existido.
Posso criar histórias onde o impossível encontra abrigo e onde o coração pode
experimentar aquilo que a vida, por alguma razão, não lhe permitiu viver.
Será isso intensidade?
Ou será apenas a liberdade de uma mente que
encontrou na escrita uma maneira de respirar?
Tenho dentro de mim uma espécie de contadora de histórias.
Talvez seja esse o meu maior mistério.
Às vezes começo uma frase sem saber onde ela vai terminar.
Uma palavra puxa outra, um sentimento chama uma lembrança,
uma lembrança se transforma em personagem e,
quando percebo, já existe uma história inteira acontecendo diante de mim.
Mas será que é apenas história?
Talvez nada seja real.
Ou talvez seja tudo real demais.
Porque mesmo quando invento, alguma coisa minha se revela.
Talvez a ficção seja apenas uma forma delicada de confessar aquilo
que não conseguimos dizer diretamente.
Escrevo sobre amor e amores.
Sobre aquilo que poderia ter sido.
Sobre aquilo que nunca aconteceu.
Sobre aquilo que talvez tenha acontecido somente dentro de mim.
E não sei se isso me torna intensa, sonhadora ou apenas uma mulher
que encontrou nos próprios pensamentos um território onde pode ser inteira.
Gosto desse lugar.
Gosto de não precisar explicar tudo.
Gosto de deixar uma fresta aberta para que o leitor entre e caminhe pelas entrelinhas.
Talvez ele encontre ali uma história que nunca vivi
Talvez encontre uma que vivi em silêncio. Talvez encontre a própria história disfarçada nas minhas palavras.
Então deixo o grande mistério sobre a mesa
é a minha imaginação que cria esses mundos
ou são esses mundos que revelam quem eu sou?
Talvez eu nunca descubra.
E talvez seja justamente isso que torna a escrita tão fascinante.
Porque quando termino um texto, já não sei mais se a história nasceu de mim...
ou se, de alguma maneira inexplicável,
eu nasci dentro dela.
Cadernos de Isa
Comentários
Belo texto, Isa! Parabéns.
Escrever, às vezes, é uma terapia saudável.
DESTACADO
Bjs
Lindo texto! Escreve com intensidae! Parabéns!
E não sei se isso me torna intensa, sonhadora ou apenas uma mulher - te torna às vezes uma pintura tranquila que se admira e outras vezes te torna tempestade. Deus a abençoe. Belo texto
WoW WoW
Gratidão por suas palavras,
Uma honra tê-lo aqui, bjinho meu amigo!
Saudações das Sagas! Isa mui interessante e possante seu enredo poético e ao mesmo tempo fascinante. Abordagem suas sobre personagens e muitas outras com algo bem bacana de ler. Gostei bastante! Parabéns!!!
Ei amigo, saudações retribuída,
Obrigada pelo carinho com minhas letras
Bjinhoo
Rocha, gostei muito da tua reflexão. É uma prosa poética que vai entrando devagar na cabeça de quem escreve e mostrando como a imaginação pode se misturar com aquilo que sentimos e vivemos. Gostei especialmente dessa dúvida que fica no final: se a história nasce de nós ou se, de alguma maneira, nós nascemos dentro dela. É uma bela reflexão sobre o próprio ato de escrever. Parabéns!
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Olá Maurício, muito obrigada pela leitura e apreciação!
Prezada amiga Poetisa Rocha (Isa)
Vossa Bela poesia “Talvez” percorre, com delicadeza e profundidade, a frágil fronteira entre realidade, imaginação e criação literária.
O texto transforma os sonhos em território de liberdade, onde sentimentos escondidos encontram voz e existência.
Há especial beleza na dúvida que atravessa toda a composição: escrevemos aquilo que vivemos ou também vivemos aquilo que escrevemos?
O protagonista “talvez” não demonstra incerteza; ao contrário, amplia as possibilidades interpretativas e convida o leitor às entrelinhas.
Você Poetisa faz da palavra uma passagem entre o vivido, o sonhado e o possível.
Uma reflexão:
"... .às vezes, o escritor inventa a história; outras vezes, é a própria história que reinventa o escritor"
Uma escrita no fio da navalha da sensibilidade e introspectiva e filosófica.
Nossos abraços fraternos amiga Poetisa Isa de Fernanda e
Antonio Domingos
Que lindo...me sinto honrada por tanto carinho
Vocês são incríveis, linda reflexão amei!
Bjinho aos dois amigos Antônio e Fernanda