Poesias

Partilho convosco o meu artigo na revista Ponto & Vírgula, da qual sou colaboradora.

No link seguinte pode assistir ao programa Ponto & Vírgula, sobre Ride the Wind Ranch:http://www.paixaoporribeirao.com.br/programa/ponto-e-virgula/samira-braga-no-programa-ponto-virgula-01-04-2016/

Pode visitar o site do rancho aqui:

Ride the Wind Ranch

         A duzentos e dezoito quilómetros de Edmonton, no centro-oeste de Alberta, Canadá, na confluência dos rios Clearwater e North Saskatchewan e com uma longa história que vem desde o século XVIII, fica situada a pequena cidade Rocky Mountain House. Ela serve de marco na mudança, não apenas da estrada mas de toda a paisagem que nos conduz em direção ao Ride the Wind Ranch. Funciona como um filtro, esvaziando-nos da poluição sonora e de toda a correria do dia a dia, a estrada de gravilha que rompe léguas e léguas da frondosa e extensa floresta. 
Vinte e um quilômetro depois de Rocky Mountain House,  surge a indicação; ´´Ride the Wind Ranch``. Quanta vida palpita protegida por toda aquela extensão de árvores! Do lado esquerdo os grous-canadianos convivem em paz com os bois. Do lado direito, dois coelhinhos brincam livremente. Paramos ao lado da casa. No cimo das curtas escadas de madeira, à porta de entrada, surge Kathy Rissi que acolhe-nos calorosamente. 
      Depois de dizermos olá à nossa cabine, vamos até ao alpendre do escritório do Sheriff, onde nos espera uma churrasqueira ao ar livre. Enquanto os alimentos libertam os seus aromas, alguns cervos olham-nos curiosos, e sobre as nossas cabeças as irrequietas andorinhas batem energicamente as longas asas. 

             Saboreamos o jantar enquanto o sol vai dourando as copas das árvores. Devagarinho vai deixando o céu, meio violeta, meio alaranjado. Sem pressa chega a noite. E a lua é o lampião para que as magníficas silhuetas dos cavalos, lentamente e graciosamente, se misturem nas sombras.

  Dez da noite e nós descansamos na confortável cama da cabine, onde a Internet e a televisão não ocupam espaço. Pela mão do silêncio, a quieta noite anima a nossa imaginação infantil; rimos e cochichamos histórias imaginando-nos crianças assustadas.
São dez da manhã e enquanto degustamos o pequeno almoço preparado por Kathy, as palavras fluem. Kathy explica o que os  movera, a ela e ao marido, a sair da Suíça: mais espaço, silêncio, contacto com a terra e com a vida animal. Conta-nos uma história engraçada:
``- Um verão, o nosso gado pastava nas nossas terras, do outro lado da estrada. Como o  pasto é muito grande, com algumas partes dentro da floresta, nem sempre eu os conseguia ver. A um dado momento o telefone tocou. Era um vizinho a informar-nos que vira o nosso gado a uma milha daqui. Eu e Marty selamos os cavalos, e durante meia hora, cavalgamos pela floresta pública. Um tempo depois, já na estrada de cascalho, encontramos um outro vizinho de carro que nos informou que vira os nossos animais. Quando os encontramos, eles já estavam perto de casa. Eles caminharam quase em círculo, cerca de seis milhas, através da floresta espessa. Foi comovente sentir como eles encontraram o nosso lar.´´
  Hora de dizer adeus aos gentis cavalos que nos cercam amistosamente. Faço amizade com ´´Night``. Ele segue-me e pede carícias. Kathy explica:
- Ele nasceu no nosso rancho, há oito anos. Seu pai é o cavalo preto e branco Mescalero e sua mãe é a égua preta, Dakota. Temos um livro, enviado pela própria autora, Lucia St.Clair Robson, que fala sobre os índios Comanche e há um cavalo chamado ´´Night``. O livro tem o nome do nosso rancho e está muito bem escrito.
      Entramos no carro. Um último olhar.  Kathy, a gentil anfitriã, vai ficando para trás. Imagino-a a cuidar da sua família com a paz e o amor que a ampla paisagem, que entra pelas janelas da casa, lhe oferece. Talvez na magnífica varanda lendo um livro ou simplesmente descansando, ou ainda, cavalgando livre pelos prados e florestas. Eu vou entrando numa outra sociedade, barulhenta e surda, prometendo a mim mesma que voltarei e trarei comigo a revista Ponto & Vírgula que fará parte da biblioteca do rancho, onde a escrita em língua portuguesa, esperará por outros hóspedes que gostem e saibam ler em português.
Para além do fantástico silêncio podemos caminhar, cavalgar, nadar ou andar de barco pelos lagos, apreciando toda a vida selvagem. No entanto, para além da beleza do lugar, há a essência encantadora desta família que que nos faz voltar e voltar...

Fernanda R. Mesquita
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Comentários

  • Belo artigo, parabéns por escreve-lo.
  • Muito obrigado a todos. Aqui em Edmonton o fogo que houve foi extinto rapidamente, embora tenha levado 3 moradias. Foi bonito de ver todos ajudando, subindo aos telhados com mangueiras para que as outras casas não ardessem. Quanto ao resto do Canada, continua a arder em muitas partes. Esperemos que pelo menos não faça vitimas nem derrube mais casas. Penso muito na vida animal extinta. O sofrimento de tantos animais sem oportunidade para fugir. Muitas felicidades e paz no coração de todos Muito obrigado!

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  • Penso muito em si Fernanda e em todas as pessoas que ficam com toda uma vida destruida, para não falar das consequencias ecologicas. Rezo por sua familia e toda a população, beijinhos. Gostei da revista , parabéns.
  • Obrigado Nieves. É muito lindo sim, mas neste momento , desde o inicio da semana que a provincia de Alberta, onde vivo tem sofrido com um fogo que não para e desvasta tudo. Preveem que o fogo va durar meses. As  florestas são enormes. Há muitas casas, como este rancho por essas florestas fora. O fogo tem apanhado cidades. Hoje comecou um fogo aqui em Edmonton e espero que consigam controlar. Ha muito vento. Mas ha mais de 80.000 pessoas desalojadas e aumenta o n. a cada instante. Uma tristeza!

    • Santo Deus!

       Sinto muito, Fernanda!

       Espero que seja controlado pronto!

       Nada é perfeito ...

       Oro por vocês, amiga.

       Beijos!

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  • Muito bom artigo, querida Fernanda!

     E qué bela descripção de tudo!

     Até sinto desejos de deixar tudo aqui e ficar na aventura...Até encontrar  um site assim.

     Deve ser belo demais. muito belo

     Parabéns de coração.

    Conhesco a Revista Ponto e Vírgula, e é boa demais.

    Sucesso!

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