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Respostas

  • Ainda é Inverno

    Ainda é inverno. A tarde cai gelada, e o sol não conseguiu derreter o gelo que cobre o banco à beira do lago. Os cisnes passeiam serenamente; creio que não sintam frio. A noite promete uma lareira acesa para aquecer quem trabalhou o dia inteiro sobre a neve.

    A rotina da lida não pode parar. Na fazenda, há animais que precisam de cuidados. A vaca não pode esperar para ser ordenhada. A vida no campo não interrompe seu curso nem por um segundo.

    Embora a previsão diga que o nevoeiro será passageiro, a plantação sofre com o rigor do inverno. Há plantas que não resistem ao frio intenso.

    Da janela, vejo o banco que tantas vezes foi meu lugar preferido nas tardes tranquilas. Agora, coberto pela neve, tornou-se impossível alcançá-lo.

    A estrada desaparece sob o nevoeiro, dificultando a passagem de quem dela depende para seguir a lida diária.

    Vista de longe, a paisagem parece um sonho, uma pintura perfeita. Mas quem vive dentro dela conhece as dificuldades que o inverno impõe.

    As luzes se apagam. É hora de dormir para, ao amanhecer, recomeçar o mesmo trabalho de hoje.

    Reviro-me na cama. Embora ela esteja aquecida, o pensamento insiste em seguir para aqueles que enfrentam a noite sem um agasalho suficiente. É nesse momento que compreendo que o frio mais severo nem sempre é o da neve, mas o da ausência de amparo.

    Márcia Aparecida Mancebo
    22/07/26

  • Lilian,a imagem para mim aparece.

    Vê agora. 

     

  • Doce Afago

    Aqui aprendi o que é doce afago
    O banco no mesmo lugar de outrora,
    Os cisnes num gesto terno no lago,
    A cabana ainda brilha à aurora.

    Minha alma quer escapar pela boca,
    emoção sem palavras é meu alimento,
    o desvario deixa-me louca,
    ai, que saudade desses momentos!

    A noite tem sabor de juventude,
    de tempos sem retorno, mas de presença,
    de conversas à luz da quietude,
    de encontros que nem a neve impedia.

    A cena é a mesma, não mudou nada.
    Eu já não sou. Mudei completamente.
    Sua ausência pesa quando é madrugada,
    mas as suas palavras me sustentam:
    — o tempo cura, ensina a crescer.

    E penso no quanto foi maravilhoso
    tê-lo perto, meu pai companheiro,
    quando não havia solução:
    Você era o meu travesseiro!

    Lembrando de todo o passado,
    em silêncio faço uma oração.
    Aceitando o que me fora outorgado,
    junto a mim, ouço o teu coração!

    Márcia Aparecida Mancebo
    03/06/26

  • Lembranças

            No inverno, em junho, é sempre o mesmo cenário lá no rincão. As noites são geladas, com a neve a cobrir o banco que me traz a saudade. A casa, com luzes acesas ao entardecer, anuncia que a madrugada será longa — como sempre se espera.

           O banco, com uma lanterna ao lado, sinaliza a ausência. O silêncio toma conta da minha alma e meus olhos marejam ao olhar pela janela o lago com os cisnes, num afago suave assim que a noite adentra lenta.

           Nesse instante, as lembranças vêm à tona com tamanha força que não consigo contê-las. Ah, doces e belas recordações desse lugar que Deus criou para momentos de reflexão.

           Ainda me vejo sentada no banco, toda agasalhada, quando morria o dia. A neve não impedia que eu permanecesse ali, desfrutando desse lugar tão amado.

          As árvores, envergadas sobre o lago, mostravam a marca do tempo, embora eu não soubesse o que viria pelos anos.

              Agora em mim habita um silêncio que contamina meus pensamentos. Divago e revejo tudo o que vivi de bom naquele lugarejo. Somente as lembranças me fazem um afago.

    Márcia Aparecida Mancebo
    02/06/26

  • Saudade

            Volto para rever o lugar onde aprendi sobre a vida.
    Hoje, mergulhado na neve, ainda guarda a luz da cabana
    e os cisnes que deslizam pelo lago, mesmo no frio.

             Ao ver o banco, sinto que minha alma quer escapar pela boca.
    É uma emoção tão intensa que não encontro palavras para descrevê-la.

            A noite aqui tem sabor de saudade,
    de tempos que não voltam mais,
    de conversas à beira do lago
    e das horas intermináveis de alegria.
    Mesmo em meio à neve, nada impedia um encontro.

               A cena permanece a mesma; apenas eu mudei.
    Sua companhia já não existe,
    mas as palavras que ouvi de você foram alicerce
    para que eu seguisse meus dias.
    Sábias palavras que mostraram que o tempo segue, cura, ensina e traz crescimento.

              Olhando tudo, penso no quanto foi essencial tê-lo perto
    nos momentos tristonhos em que eu acreditava não haver solução.

    Márcia Aparecida Mancebo
    02/06/26

     

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