Oficina de verso livre sobre tema - Sem métrica e sem rima - XIV

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A proposta, nesta oficina, é trabalharmos a inspiração sobre um tema proposto, onde todos o-s membros podem participar postando quantos poemas fizerem sobre o mesmo tema.

Tema

"A saudade perfuma minha estrada"

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Regras

1.Os poemas devem ser postados dentro da oficina na caixa de resposta principal.

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2.Todos os membros podem participar.

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3.Todos os poemas podem ser postados em seus blogs pessoais.

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4. É proibido o uso do tema como título da obra criada

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5. Não é permitido postar o poema em arte e, sim, em texto.

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6. O tema acima é para inspiração, o uso dos versos em qualquer parte do poema deve ser enquadrado com aspas.

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7. É permitido apreciação nos poemas postados.

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A prática serve para aperfeiçoar o aprendizado.

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Sejam bem vindos e boas composições.

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Respostas

  • Aqui Não Volto Mais…

     

    Vou-me embora, não para Pasárgada.

    Vou-me embora no rabo do cometa.

    Direção a Éfeso, a um passado eterno.

    Meu holograma comigo viaja na janela.

     

    De argolas, a vidente dos lábios de mel

    Lê mãos sem tocá-las, apenas por altivez.

     

    Vou-me embora inocente, ainda de meias.

    Com as fraldas debaixo, levo meu casaco.

    Aqui querem sugar minha poética.

    As lembranças são amarguras de jiló.

     

    A saudade perfuma minha estrada.

    Versão de outrora sigo trilhas largas 

     

    O café que me assombra é frio e frágil.

    Acondicionado no vazio oco da garrafa.

    O chá que experimentei de maxixe.

    Não era boa dança, apenas horror ao paladar.

     

    Haxixe, extrato, resina do curandeiro.

    Um encontrar na sina do emérito pagé 

     

    Sinto-me fraco nesta falsa cidade.

    Nem tenho saudades, nem amor.

    Neste espaço de digitar versos.

    Digito meu fracasso e minha decepção.

     

    A gente se revela nas bravatas e na desfaçatez.

    Através do olhar, dos gestos e das palavras vazia

     

    Fim

    A Domingos

    Julho de 2026

    • Belo demais! Parabéns.

    • Referências intertextuais sempre enriquecem o texto  e ampliam o przer da leitura pelas conexões que estabelecem.

      Assim mesmo ocorreu comigo eenquantolia seu poema, Antonio!

      Um abraço!

    • Muito obrigado por sua avaliação..São expressões um tanto surreais.....Como tal e qual o cérebro não quer parar de escrever fora de uma poética...Mas no fim é prazeroso como disse nosso nobre Poeta Edvaldo 

    • Parabéns Antônio. Belo poema. 

      Um abraço carinhoso 

    • Muito obrigado amiga Poetisa Marcia por valioso comentário.

      Uma honra para mim..

  • CANTEIROS

    Já não era sem tempo.
    Ficaram longe todas as falas,
    E todos os gestos, e todos os desejos.
    Já não era sem tempo...
    Agora que a vida um tanto gasta
    Sustenta-se mais do já vivido
    Que da expectativa de novidade,
    Voltam as flores de antanho,
    Sem peso, nem forma, nem volume,
    A ladear a estrada das minhas memórias,
    Solitária via para andante solitário,
    Mas nela é que, em transe, recolho
    Dálias, zínias, magnólias…
    As flores de antanho.
    Gladíolos, goivos, miosótis…
    Eram assim de invulgar formosura,
    De tez macia e resplendente,
    Heráldicas no porte altivo,
    Singelas no garbo de existir
    Simplesmente – e morrer
    Da mesma única maneira:
    Como quem aceita seu destino.
    As flores de antanho…
    Os amores de antanho…
    Assaz e amiúde me acompanham
    Pondo perfume e formosura
    Numa estrada que nada mais tem
    Além da saudade, muita saudade
    Das flores de antanho.

    (E. Rofatto)

    • Parabéns por belíssima Poesia..

      Flores de Antanho lembra Machado de Assis..

      Belo uso de flores menos divulgadas ou conhecidas.

      Um belo cardápio para nós leitores.

      Abraços fraternos prezado Poeta Edvaldo 

    • Grato, Antonio!  Que bela observação! Realmente, em "Memórias póstumas de Brás Cubas",  ao citar o filho não nascido da sua relação com Virgília, o narrador cita as tais flores. Isso me faz também lembrar da ausência de "flores jucundas" na casa de Mestre Romão, de "Cantiga de esponsais", do mesmo autor. Mais um termo arcaico que ainda vou inserir na minha coleção de arcaísmos.

      Um abraço!

    • Muito obrigado por sua atenção...

      Você tem uma vasta cultura e eu admiro isto demais..

      Sempre fui uma pessoa de pouca leitura..Claro, que li muitos livros mas eu precisava ter lido mais..

      Tenho uma certa frustração por isso..

      Compenso com muita pesquisa.

      Abraços fraternos e Parabéns por eu trabalho poético prezado Poeta Edvaldo 

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