Não trago violão,
não trago voz afinada para o luar.
Trago apenas a matemática que aprendi contigo,
a única disciplina
em que fui, de fato, aluno aplicado.
Existe uma soma
que não se ensina em nenhuma escola:
a de um afeto que cresce
mesmo quando o tempo tenta subtraí-lo,
a de uma presença que, multiplicada pela saudade,
não diminui,
se espalha
em cada lembrança pequena.
Minha serenata não tem melodia.
Tem equação.
De um lado, tudo o que vivemos,
os dias inteiros,
os silêncios companheiros.
Do outro, tudo o que ainda sinto,
e que não cabe em nenhuma soma exata.
Porque todo afeto verdadeiro
é, no fim,
uma conta que nunca fecha.
E ainda bem
que não fecha.
Divido minha noite
pela tua ausência ou pela tua presença,
tanto faz.
O resultado é sempre o mesmo número bonito,
aquele que não se escreve com algarismos,
apenas se sente
quando o peito aperta de gratidão.
Há uma aritmética secreta
que só quem ama de verdade conhece.
O infinito, aqui, não assusta.
É o espaço onde cabe
tudo o que quero te dizer
e nunca encontro palavras suficientes.
Multiplico cada gesto teu
por todos os dias que vivemos
ou que ainda vamos viver.
E, de repente,
são mil motivos,
dez mil razões,
um exército de pequenas certezas
ocupando o lugar
onde cabe, inteiro e simples,
o meu carinho por ti.
Não sei se isto é canção.
Sei que é verdade.
E se a poesia é a serenata
que alguém precisa ouvir,
que estas palavras cheguem
como música sem instrumento,
como afeto sem distância,
como um número que,
por mais que se calcule,
nunca deixa de crescer.
Dedico esta serenata a quem, na minha vida,
sempre foi a soma que valeu a pena.