Posts de Nina Costa (204)

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TRANSCENDA-ME

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TRANSCENDA-ME

 

Toque-me a alma!

Transcenda-me!

E pairarei sobre o teu abismo

Como eco de tua última inspiração.

 

E na epigrafe deste momento

Repetirei Saramago em tua eternidade:

"Tudo no mundo está dando respostas,

O que falta é o tempo das perguntas"

 

Mas meu silêncio sobre o teu abismo

Gemerá sensações e emoções renitentes

Que jamais esquecerás...

 

E vais lembrar de mim,

Até te esqueceres

Quando foi,

Por que foi,

Como foi

Que eu te perdi em mim?

 

Apesar de trazer-te

Em minha quintessência,

No linear entre minha paz

E a total loucura...

 

By Nina Costa, in 07/01/2022.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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É NATAL

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É NATAL

 

É... É Natal!

Em algum lugar Jesus renasce

Sentindo frio, no abandono

Sem teto, sem consolo, sem proteção

 

Sem pai, sem família estruturada,

Em alguma quebrada,

Algum barracão, 

Numa manjedoura feita de papelão.

 

É...É Natal!

E o menino aprende a fugir 'dos homi'

Cheira cola, pede um trocado,

Lustra o carro, vende no farol,

Embaixo de chuva ou de sol, simplesmente porque tem fome.

 

É... É Natal!

E o pivete cresce e assume a boca

Vive a vida loka, antes que o seu sangue suje a praça

E todos rindo achem graça:

"Menos um! Bandido bom é bandido morto!"

 

É... É Natal!

Não é hora de pensar na paixão de Cristo.

 

By Nina Costa, 21/12/2021.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

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OLHE PRA NÓS!

Pode ser arte de uma ou mais pessoas

 

OLHE PRA NÓS!

 

Olhe para mim! Olhe pra nós!

Quantas pétalas de nossa existência serão desfolhadas

Em teu eterno mal-querer-nos?

 

Até quando teremos que ser adubo à fome voraz

De tua terra infértil?

Ser alvo da tua bala perdida?

Mira certa para teu projétil?

Exceção nos teus planos de paz?

Devido a melanina em nossa epiderme ter-nos-ás, eternamente,

Como substrato de tua ideologia pró-escravidão?

 

Pelo sim, ou pelo não...

Olhe pra mim! Olhe pra nós!

Vamos escurecer o assunto:

 

O problema não é a nossa cor,

Tampouco os evidentes traços negroides,

O aroma ancestral exalando da alma

Mostrando ao mundo nosso real valor,

A perseverança afrodescendente

E a brasilidade se abrindo em flor.

É teu preconceito e racismo excludentes

Repetido e reforçado sem nenhum pudor.

 

Então olhe pra mim! Olhe pra nós!

Somos baobá, somos resistência.

"Nascem milhares dos nossos

Cada vez que um nosso cai."

Mas raízes ficam como teias de Anansi

Na trama do passado, da ancestralidade

Prenunciando a glória do nosso porvir...

By Nina Costa, in 02/12/2021.

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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AMOR GRAMATICAL

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AMOR GRAMATICAL

Dá-me um beijo eloquente

Com concordância ou não

Acredite, eu te peço:

"Desejo de coração!"

Um beijo bem conjugado

Nos meus lábios com paixão.

 

Sonando fonemas vibrantes

Nos verbos da emoção...

Que em nossa morfossintaxe,

Nos sintagmas das vontades

Teu beijo é a verdade que minha alma alicia.

 

Esqueça tua antigramática

E dá-me um beijo, eu repito,

Com metáforas e "metalinguagem"

Hipérboles e sem ironias.

Dá-me um beijo exagerado,

Superlativo absoluto.

 

O preciosismo da língua

Na expressão da norma culta

Meu amor não diminui

Nem torna a emoção oculta.

Amo-te tal qual tua Rosa, linda.

Mas não dá pra ferir a gramática

E te falar "menas ainda"...

 By Nina Costa, in 27/11/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

N.A.:Réplica ou poema "Proclamação do Amor Antigramática", de Mário Lago

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DOR DA SAUDADE

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DOR DA SAUDADE

Levar-te-ei comigo para sempre
Num gesto, numa saudade,
Em um lamento
Na dor que me invade o pensamento
E mesmo na lembranças dos momentos.

Ser-me-ás a verdade renitente
Que acorda quando o sol desperta o dia
E segue-me qual sombra todo o tempo
Enquanto a alma chora à revelia
E dilacera ao peito que implora.

Levar-te-ei na dor que sempre rasga
As cortinas da noite em insônia atróz
Nas horas que, em tristeza, penso em nós
E deixo esvair a minha calma
E até pareço ouvir a tua voz
Chamando-me a ir contigo, amor!

By Nina Costa, 02/11/2021.
Mimoso do Sul, Espírito Santo. Brasil.

 

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PRENUNCIANDO NOVEMBRO

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PRENUNCIANDO NOVEMBRO
 
Hoje, quando amanheci
Olhei para fora de mim
E vi o tempo nublado.
 
 O solo ainda molhado 
Do tanto que em mim choveu
Mas quem chovia não era eu.

Eram as nuvens pesarosas
Banhando o poema e a prosa
Com as águas da saudade...
 
E então chorei de verdade
E as nuvens condensadas
No espelho de minha alma
 
Escoaram torrencialmente
Numa enxurrada de dor
Até passar a trovoada
 
E me sobrar a estiada
De alma lavada e serena
Prenunciando novembro
 
Entre suspiros e respingos
Entre lembranças dos domingos
E os ecos ressoantes do passado que voltou...
 
By Nina Costa, in 31/10/2021.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
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NOSSA SOLIDÃO

Pode ser uma imagem de cardo e natureza
NOSSA SOLIDÃO
 
Sinto saudade de nós
Quando nos vejo assim
Tão solitários, tão sós
Acreditando no fim...
 
E seja do jeito que for
Reinventando um sinal
Pra começar outro amor.
 
Sinto saudade de nós
Ouvindo a música brega
Enquanto alma se entrega
À nostalgia e dor.
 
E o que era você e eu
No aceno de um adeus
Despetalou feito flor...
 
No jardim ora desfeito,
Nos lençóis de nosso leito
Sinto saudades de nós...
 
By Nina Costa, in 12/09/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
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NÃO ESTÁS

 
 Pode ser um close-up de uma ou mais pessoas
 
NÃO ESTÁS
 
Já se desfaz em mim a essência das horas
Quando na alma calejada
De tristeza se amofina e chora
Num misto de querência, vazio e compaixão.
Esvaem-se silenciosos todos os ruídos
E o tic-tac assíncrono do coração
Insiste em me lembrar que já não és comigo...
 
Quisera-me a alma segurar o tempo
Daqueles vãos momentos, juntos, em euforia
Sentados com ternura e os olhos luzindo
Buscando entre estrelas, acalentar a lua.
E os risos casados em rimas de poesia
Faziam mais sentido que o pranto de agora...
 
Onde estão todos aqueles bons momentos?
Em que espaço se perdera, em tão longe infinito?
Eu falo com tua imagem e ela não responde
Eu sinto teu perfume se perder no vento
Parece que a saudade é dor que irradia
E dilacera as forças desse ser aflito
Que sofre em saber que não estás comigo....
 
By Nina Costa, in 13/09/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.
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SONHO & POESIA

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SONHO & POESIA

Quando à noite,

Teu poema me convida a sonhar,

Eu me verso

E me componho

Em figuras

E métrica

E ritmo

E alegorias...

Quando o dia amanhece,

Desperto do sonho

P  o   e   s   i   a . . .

 

 

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SEM A FANTASIA

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SEM A FANTASIA  

 

Sinto-me só porque te vais de mim,

Despindo, do momento, a fantasia.

No peito, em desalento, a agonia

Repica o coração, qual tamborim.

 

Não queria ficar tão triste assim,

Num samba-enredo de desarmonia,

Na avenida, sem cor, brilho, magia.

Como a Cabrocha sem seu Arlequim.

 

Na dor de te ver indo, uma revolta.

Repouso no estandarte da Bandeira

Tua imagem, Nelson, teu nome gravado...

 

Em teus versos, que a negritude exalta,

Serei pra sempre tua Estação Primeira

E entre nós, serás, sempre lembrado.

 

By Nina Costa , in 29/05/2021, Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

N. A.: Soneto em homenagem ao carnavalesco Nelson Sargento da Estação primeira de Mangueira, óbito esta semana., vítima de Covid.

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QUERENTES

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QUERENTES

 

Minha boca, seus segredos, investiga

Sorvendo entre meus lábios

Sua sede

Nas preces de seu corpo

Redimido

A pele aflorada, em combustão.

 

Tão quentes!... Percorrendo a superfície.

A modelar su' alma em chama ardente:

Meus lábios fervorosos e os seus,

'Querentes'.

Em sincronia de desejos e vontades,

Loucura, liberdade e paixão.

 

Sua pele, incendiada, queima meus lábios

Tão grandes e pequenos e encarnados

Na oferta do seu fogo sacrossanto...

 

By Nina Costa, um 26/05/2021. Mimoso do Sul Espírito Santo Brasil.

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ORFANDADE

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ORFANDADE

 

A humanidade te chocou, mas não te assumiu

E entre as suas definhadas penas

A faminta ave racional, tenta te comer no próprio ninho

Nasce sozinho novo homem,

Neo-zigoto lobo de si mesmo.

E tua madre depenada entre guerras

Sangra toda sua miséria capitalista

Sobre a terra...

 

Tua madre de tanto parir esperanças

Entrega-se, com o ventre dilacerado de angústia.

Estás órfão, sem eira nem beira

Marinheiro de primeira viagem, fingindo ser capitão.

 

Em busca de uma nova possessão.

Rasga o continente desse espaço que te aprisiona,

Berra ao mundo seu choro órfão e faminto,

Teu grito pelo poder

Tua ambição te consome.

Proscrito novo homem

No caótico mundo (pós) moderno.

 

Muitos te sondam os sinais vitais,

Mas não há quem te abrace ao colo

No solo árido da ambição

Rastejas novo, desnudo, irracional e só

Sobre os despojos deste mundo cão...

 

E eu, eu só observo...

 

By Nina Costa, in 24/05/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

 

N.A.: Baseado na obra "Criança geopolítica observando o nascimento do homem novo", de Salvador Dali.

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A BÊNÇÃO, MÃE!

 

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A BÊNÇÃO, MÃE!

 

Eu não sou mais uma criança,

Já tenho minha idade...

Mas o tempo não mudou

As formas, o cheiro, o gosto, o calor

Da minha mais doce terna saudade

Lembro teu carinho terno

O som de sua voz, tão materno

E o jeito que me falava...

 

Sei que eu não sou mais criança,

Não tenho mais a idade

De querer estar em teu colo

E dormir em teu abraço.

Mas confesso, sem embaraço,

Queria voltar de novo,

Como o pintinho' saído do ovo

Esconder embaixo de suas asinhas...

 

Queria teu aconchego,

O calor do teu regaço, 

O teu perfume de mãe

No vazio desse espaço, 

Encher do som da sua voz

Voltar no tempo em que havia

Tua presença, tua companhia

E eu ainda podia 

Pedir-te: A bênção, Mãe!...

 

By Nina Costa, 02/05/2021. 

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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SER MÃE

 

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SER MÃE

 

Não é fácil ser mãe,... mas é pra sempre:

Se cria com amor, o fruto de seu ventre

Depositando na frágil e dependente vida

Total dedicação e o sonho de um futuro

Perfeito, abençoado, bonito e seguro.

 

Educa com desvelo e responsabilidade

De quem teve de Deus uma grande missão,

E traz o coração sempre em sobressalto

Pulsando com fervor na palma das mãos.

 

São noites mal dormidas, passando acordadas,

Confundindo-se com as madrugadas

Protegendo a tranquilidade do sono do filho

São os primeiros passos, as grandes descobertas,

Os risos, historinhas, deveres de casa.

 

A vida oferecendo os riscos e as promessas

O mundo com seu brilho e seus desafios

O filho experimenta seus primeiros voos

E sente-se no peito um ninho vazio.

 

O ciclo da esperança na ciranda da vida

Por mais que seja adulto, será sempre criança

E ao colo maternal poderá se acolher e sempre retornar

Porque o amor de mãe é forte e cristalino.

Não é fácil ser mãe, ...mas é divino.

 

Nina Costa, in 09/05/2020.

By Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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ENCANTO


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             Marcos Munrimbau,     Fotógrafo: Marcelo Macaue

ENCANTO

No silenciar escuto seus ruídos

Preenchendo o universo,

É sinergia leve, é força e remanso

Energia que acalma.

 ***

Seu rosto é veste, é luz

Poesia que seduz minhas retinas.

Minhas meninas,

A deslizar nos olhos confidentes

Cada verso que componho.

 ***

Seu ser é a concretude da lembrança

De saudades esquecidas.

Tantas histórias...

Quando elas se inscrevem em sua pele

São memórias destes sonhos.

 ***

Sua voz é como um som de cachoeira

Entoando sentimentos.

E como o vento 

Assopra bem longe os vestígios

De toda infelicidade.

 ***

Seu corpo na penumbra ilumina

E lhe faz desiderato.

Minhas meninas

Se encantam palmeando sua imagem

Na expressão desse retrato.

 

By Nina Costa, in 29/04/2021.M

Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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PREFÁCIO

  • 8876505086?profile=RESIZE_584xPREFÁCIO

Ele apareceu em dia de chuva de cachecol e sobretudo, munido de uma capa e um guarda-chuva. Apertou a campainha e olhava o tempo chovendo enquanto esperava-me abrir a porta.

Por trás do meu metro e meio de altura, olhei de cima a baixo aquela esguia e bela escultura de ébano parada em minha frente.
Não disse um nome que se pudesse crer verdadeiro, apenas pediu-me um minuto de atenção.
Entregou um original de um manuscrito e disse para ler com a alma e depois, dar a minha opinião quando retornasse:

_ Aí me encontro em tuas mãos, cada linha, cada ideia, página ou capítulo sou eu tuas mãos.
Leia-me, diga o que acha desta rude construção.

Dito isso, se fui embora como chuva passageira e deixou comigo sua vida pulsando entre meus pequenos dedos,
escorrendo seus segredos manuscritos.
Passei a ler de pouco a pouco embora os meus olhos tivessem sede, e minhas mãos iam absorvendo-o
nu, com todo o seu negrume preenchendo minha mente, desnudo passeando em meus quintais com a cor da noite estrelada entre os girassóis.
Brindou-me com sua prosa e verso e sua biografia,
numa provocação de topografia de carne, sangue, suor, letras e sinais...
E eu li cada página com gosto de descoberta e sabor de maresia.
Ao final da leitura, já era todo em mim que quando reapareceu em pele de azeviche vestindo sonhos ao luar
Num instante pensei que era eu.
Não sei se fui eu quem cresci ou você que encolheu,
E alma com alma se reconheceu igual...
Na história que se deu depois. Teço prefácio de nós dois.

By Nina Costa , in 01/05/2021.
Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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IRENE DE BANDEIRA

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IRENE DE BANDEIRA

Ela chegou no céu toda faceira

E o Bonachão logo a acolheu

Com um sorriso bem à brasileira.

Disse: "Pretinha, esse céu é seu!"

 

Ela humorada, boa e brejeira,

Imediatamente respondeu:

"Sou a Irene de Manuel Bandeira...

Como o Senhor sabia quem sou eu?"

 

E o São Pedro, sem nenhum problema

Sem nem piscar, resolveu o dilema.

"É que Bandeira me avisou que vinha,

 

Uma pequena preta e graciosa

Com um sorriso aberto como rosa

Em humildade e aura de rainha..."

By Nina Costa, in 10/04/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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SOL E CHUVA

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SOL E CHUVA

Era uma tarde em que chovia

Enquanto o sol se despedia

Cada gota pintava o céu

Com um arco de cores e luz.

 

Minha alma solta brincava

Nesta tarde em que chovia

Corria no tempo e cantava:

"Chuva e sol... Casamento de espanhol!

Sol e chuva... Casamento de viúva!"

 

Os pés nas poças se afogavam,

A noite ia tragando o dia.

E o sol dos anjos se deitava

Na tarde em que o céu chovia.

 

Havia, em mim, tanta alegria

Era um tempo de pureza

Lavava a tarde, a chuva,

Molhava os raios do sol,

Com gotas de cor e poesia.

 

By Nina Costa in 07/04/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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TUA VOLTA

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TUA VOLTA

Há muito que espero tua volta,
Que as ondas do meu mar antes, revoltas
Serenaram-se na angústia de esperar.

E as flores que colhi pro nosso leito
Enfeitando os desejos não desfeitos
No calor da fé que ainda vais voltar.

O oceano antes bravio, ora tristonho
Como os versos de um poeta sem sonhos
E sem poesia para as rimas ao luar,

Este inverno de saudades e emoções
Despetala minhas rosas, em botões
Só não tira-me a esperança de te ver chegar

Quando o outono, desfolhando a primavera
Como fruto doce, te trouxer, minha quimera
Em meu peito, amar-te-ei e hás de me amar...

By Nina Costa, in 22/04/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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NOS POROS DA NEGRA POESIA

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NOS POROS DA NEGRA POESIA

 

Trago demarcada em minha pele

O desenho da história de um povo.

Que espalhado pela terra

Canta, clama e reclama de novo.

 

Na raiz de cada fio do meu cabelo

Como nosso DNA, um verdadeiro selo

O tanto que restara da memória

Depois de tantas dores e tantas guerras...

 

Ecoam ainda as vozes dos meus ancestrais

Que Nzambe dançando nas rodas nos quintais

Trazia imagens do tempo de liberdade e paz,

No calor de nosso solo, no cheiro de nossa terra.

 

E a poesia marca os traços, e o nosso canto a melodia

No transe de amor e alma, com os deuses de nosso panteon

Dos troncos de nossa fé, raízes da nossa omnia...

 

E a mãe África canta e chora, no banzo, na nostalgia,

Em cada rima, em cada história

Nos versos desta saudade, ... Nos poros da negra poesia...

 

By Nina Costa in 31/93/2021. Mimoso do Sul, Espírito Santo, Brasil.

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CPP