🎶A Aula de Três Palavras, o Amor também se Conjulga!🎶

(Crônica Poética de João Carreira, o — Poeta do Tempo e da Ternura —, no Vale Encantado da Patagônia)

Era uma manhã gelada — daquelas em que até o verbo ser duvida de si. O vento, notívago e tagarela, solfejava pelos beirais da "Faculdade Casa Dos Poetas e da Poesia" no Vale Encantado, enquanto o mestre Juão Karapuça ajeitava o cachecol e afiava o giz como quem prepara uma epifania.

Juanito Karapuça, seu filho e aprendiz, equilibrava-se na carteira do meio, rascunhando corações no vidro embaçado e mastigando versos com ar de quem já flertava com as metáforas. Tinha nos olhos faiscantes um déjà-vu da poesia paterna — e nos gestos inquietos, um arquétipo de travessura intelectual.

Foi então que a porta rangeu devagar, e o frio da manhã cedeu passagem a uma presença cálida: Rachèll, a bela, elegante e enigmática poetisa recém-chegada à aldeia.
Tinha um sorriso branco e angelical, lábios carnudos e avermelhados, olhos tristes e acastanhados como folhas no outono, e mãos pálidas que pareciam feitas para segurar versos. Sua entrada foi silenciosa, porém veemente — como um poema que se impõe sem precisar rimar.

Juão Karapuça, que até então discorria sobre verbos transitivos, perdeu por instantes o fio da sintaxe. O coração, que nunca foi anódino, ensaiou um compasso de rima interna. “Deem-me serenidade”, pensou, tentando esconder o rubor que lhe subia às faces.

Juanito, percebendo o eclipse do pai, cochichou com malĂ­cia:
— Pai… “Seção”, “Sessão” e “Cessão” são trigêmeas, né?

Juão retomou o prumo, com voz grave e poética:
— Não, meu rapaz! São primas, parecidas, mas com almas distintas.
E começou a lição:
— Seção é parte de um todo — “A seção de poesia é o côncavo onde mora a emoção.”
— Já, sessão é o instante que reverbera — “Ontem tivemos uma sessão de cinema e, entre risos, cedi o braço à tua mãe.”
Rachèll sorriu — e aquele sorriso, branco e angelical, fez o giz tremular em sua mão.
— E cessão é o ato generoso de doar — “Fiz cessão do meu tempo para escutar o silêncio do amor.”

O quadro negro parecia sorrir também, factual e cúmplice do encantamento.

— Portanto, — disse Juão Karapuça, enfático, — aprender é ressignificar o óbvio. Isso por quê? Porque a beleza mora nas entrelinhas e nos detalhes.

Juanito, parvo e poético (diria eu), levantou-se:
— Então, posso fazer cessão do meu dever para Rachèll?
A turma gargalhou.
— Só se for cessão de afeto, meu filho. Amor não se cobra, tampouco se cópia!

Arrefecendo o riso, Juão Karapuça concluiu, com olhar ainda preso à poetisa:
— Reitero, é de fato auspicioso compreender que palavras, como corações, têm nuances. Algumas se encontram no côncavo, outras no convexo. No todo, do tudo, do seu nada — eis a dualidade do verbo e da vida!

E por fim, finalizando, pousou o giz, olhou Rachèll e murmurou, quase num sussurro que apenas o vento ouviu:
— Haja visto que ensinar é doar, rir e amar… tudo na mesma sessão.

Essência desta crônica: "Quem distingue palavras, distingue sentimentos. A língua é espelho da alma — às vezes côncava, às vezes convexa. E quando o verbo ama, ele se faz seção de luz, sessão de riso e cessão de ternura!"

Fim!

(Metáforas usadas: “O verbo duvidava de si”; “O frio cedeu passagem à presença cálida”; “O coração ensaiou rima interna”; “O quadro negro sorria”; “No todo do tudo do seu nada.”)

©JoaoCarreiraPoeta.
P.S. Nota do Autor: Crônica original, sem plágio, nascida da pena sensível e poética de Joao Carreira — o Poeta do Tempo e da Ternura — onde cada palavra foi burilada com alma própria.
Todos os Direitos Autorais Reservados.
06/11/2025 —— 10h04min —— 0817 ——.

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Comentários

  • Na tua aula de trĂŞs palavras,
    o vento virou poesia.

    Entre seção e sessão,
    vi a beleza do instante.

    E na cessĂŁo,
    aprendi que doar Ă© verbo de luz.

    Rachèll entrou
    como poema que nasce sem rima.

    O giz tremeu,
    o coração rimou por dentro.

    E o quadro negro sorriu
    como cĂşmplice da ternura.

    Obrigada, poeta,
    por ensinar que a lĂ­ngua ama
    antes mesmo de falar.

    Teeh Sant’Anna

    • Olá minha querida Therezinha,

      Tua belíssima apreciação em forma de poema

      me tocou bastante, Ă© uma sinfonia lexical:

      Transfigura vento em verbo,

      giz em emoção,

      quadro em cĂşmplice.

      A tessitura semântica revela ternura inaugural,

      onde a língua, antes de pronunciar-se, já floresce em amor iluminado.

      Sou muito grato pelo carinho, um afetuoso abraço.

      ©JoaoCarreiraPoeta.

  • Finalmente cheguei na página do nosso Poeta versátil, pomposo, cheio das manhas que alegra e envaidece cada um de nĂłs...

    Seu vocábulo é imenso que as vezes preciso "consultar os universitários"

    Parabéns por mais essa (como direi?) crônica deliciosa

    Meus aplausos e meu abraço apertadinho 

    • “AlvĂ­ssaras, minha cara amiga Ciducha,

      que bom que você chegou até aqui!

      E que inusitado louvor,

      digno de ressignificar aqueloutra vidĂŞncia que habita os versos e em nĂłs.

      Se fonfonar Ă© arte,

      que seja conosco

      — e que tua gentileza para comigo ecoe como um incognoscível aplauso.”

      E eu como um, gentleman te abraço carinhosamente

      — O Poeta do Tempo e da Ternura — 

      ©JoaoCarreiraPoeta.

  • Fico realmente admirado da sua maestria, querido amigo. Uma crĂ´nica cheia de arte e poesia.

    Meus sinceros parabéns e um grande abraço!

    • E eu, fico lisonjeado com a honra de sua visita e apreciação incentivadora — um forte abraço Juan o poeta caminhante dos versos encantados — ©JoaoCarreiraPoeta.

  • JoĂŁo

    poeta

    professor

    cada dia aprendo um pouco mais

    um abraço

    • Que bom Davi, o poeta  precisa estar em constante aprendizado, um forte abraço — ©JoaoCarreiraPoeta.

  • Olá Poeta,  quanto aprendizado, eloquĂŞncia, amor e requinte em um sĂł texto! 

    Preciso me colocar de pé para aplaudir!

    Parabéns 👏🏼 Bjinho 

    • Aplausos recebidos poĂ©tesse — como meu pai (poeta) sempre dizia — "Uma palavra bem escolhida, vale mais que mil imagens!" Obrigado pelo carinho, visita e apreciação — ©JoaoCarreiraPoeta.

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