A CONTA CHEGOU

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A CONTA CHEGOU:

 

Longe se vão os tempos encantados
Da infância livre e alheia à clausura,
Do jogo de botões bem alinhados
Na rude mesa de madeira pura.

Também se foram dias mais ousados,
Da juventude ardente e sem censura,
Que, entre desejos vãos, descompassados,
Vivi no impulso incerto da loucura.

Mas o tempo é senhor das ilusões,
E a vida, austera, impõe sua vontade
Na dura estrada feita de emoções.

E hoje, ao pagar da escolha o preço,
Refaço, em mim, a conta da verdade,
E vejo que comprei o que mereço!

                                                                                                                                          Nelson de Medeiros, 20/04/2026

 

 

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Nelson de Medeiros

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Comentários

  • Gestores

    Nossaaaaaa... Comovente e reflexivo.
    Eu ás vezes penso que Deus é tão bom que nos dá demais, além do que merecemos.
    E a conta chega para todos, em momentos, muitas vezes, imperceptíveis.

     

  • Belo soneto, caro Medeiros, com bela chave de ouro, fazendo, por assim dizer, o papel da (já olvidada hoje) "prova" dos nove! A conclusão cabal do somatório de nossas inúmeras escolhas...

    Abraço. 

  • Parabéns poeta Nelson! Um soneto lindo!

  • lINDO E CHEIO DE VERDADES;; PARABÉNS POETA..

  • Prezado Poeta Nelson Medeiros.

    Segue um simplório comentário acerca de sua bela poesia “A Conta Chegou”.

    Seus versos revelam uma lúcida reflexão sobre o tempo e as escolhas, com destaque para “Mas o tempo é senhor das ilusões”, que sintetiza a maturidade alcançada.

    À luz da reencarnação, a “conta” sugerida transcende esta vida, indicando um contínuo ajuste da alma em sua jornada evolutiva.

    O fecho  “E vejo que comprei o que mereço!”  reforça a ideia de responsabilidade espiritual e colheita justa.

    Uma poesia concisa, profunda e carregada de consciência existencial.

    Abraços fraternos Fernanda e Antonio Domingos 

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