A Fome Invisível do Tempo
O tempo mastiga rochas silenciosas,
Depois semeia areias misteriosas.
Passa depressa, sem pedir licença,
não tem empatia, piedade ou clemência.
Somos passageiros de sua sentença.
Um furacão derruba árvores centenárias.
O tempo enterra nossas horas ordinárias.
Homens envelhecem entre calendários,
carregando retratos, afetos, relicários.
Ontem éramos jovens, quase visionários.
Hoje temos memórias nos itinerários.
O tempo nunca pede perdão.
Há relógios cegos dentro das pedras,
há séculos dormindo pelas frestas.
Minha infância virou distante fotografia,
Meu primeiro amor, secreta geografia.
Tudo que passou ainda principia.
A memória desobedece ao tempo.
O corpo aprende rugas e despedidas,
enquanto a alma contabiliza antigas vidas.
“Tudo tem o seu tempo determinado”,
ensina Eclesiastes ao homem apressado.
Mas ninguém conhece o minuto derradeiro.
Somos eternidade num corpo passageiro.
E o tempo passa … nós, lembranças.
Fim
A Domingos
12 de Dezembro de 2025
Comentários
Sábios e profícuos versos, A. Domingos.
Nobre poeta Antonio Domingos
Quanta sabedoria contem os belos versos compartilhados.
Parabéns!
Abraços
Nossa! Quanta verdade e beleza em seus versos. Parabéns, Antônio!
Abraços
Gratidão amiga Poetisa Marcia por seu generoso comentário.
Gosto muito de escrever sobre o Tempo e a Vida.... Sempre senti o tempo correr demais..
Muitos filósofos debatem sobre o tempo e muitos deles acham o tempo cruel... tempo temerário..
Abraços fraternos sempre
Saudações das Sagas! Poema altamente construido e com performance de Antônio bem aguçada. Meu amigo mais do que reflexão, é brincar de filosofia.Parabéns! Abraços
Gratidão sempre Poeta amigo Luiz Anthony.
Gosto de escrever sobre o tempo...um desafiador ... já que somos um mero espectador do tempo que não perdoa.
Abraços fraternos
Antonio
o tempo é complexo
o tempo é rapido
o tempo é demorado
o tempo muda tudo
o tempo conserva tudo
um versar reflexivo
um abraço
Que belíssimo comentário prezado Poeta Davi..
Uma honra para nós aqui em casa.
Abraços fraternos