A Saudade que Canta

 

Aprendi a ser rio: não retenho a água,

deixo que ela passe e me leve um pouco também.

O que foi, foi, e mesmo assim não há mágoa,

fica apenas leve, como quem sabe que vem.

 

Há um jeito manso de guardar o que se perdeu:

não numa gaveta, não num nó na garganta,

mas num canto simples, quase meu,

que não chora a ausência, apenas a canta.

 

As coisas pequenas ainda estão comigo:

o vapor do café, a luz de certa hora,

o som de um nome que já não digo,

mas que a manhã, sem querer, ecoa.

 

Não se trata de esquecer nem de sofrer.

É aprender que o tempo também é morada,

que dentro do rio há sempre onde viver,

mesmo quando a margem já ficou vazia e calada.

 

E assim eu sigo, devagar, sem alarme,

colhendo o que foi doce no que passou,

porque a saudade, quando não pede que se ame,

apenas lembra, baixinho, o que ficou.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Belíssimo!!!! Parabéns 

  • Caro poeta Kleber

    Um poema que retrata o que nosso eu consegue viver

    Com versos como: 

    "Não se trata de esquecer nem de sofrer.

    É aprender que o tempo também é morada,

    que dentro do rio há sempre onde viver,

    mesmo quando a margem já ficou vazia e calada".

    Parabéns!

    Abraços

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