Há uma xícara na mesa
e ela não sabe
que é apenas uma xícara.
Eu é que sei
e essa é a minha desgraça,
saber o nome das coisas
enquanto elas continuam sendo,
inteiras,
sem precisar de mim.
Bebo o café frio
como quem cumpre
uma sentença pequena.
O mundo não pediu explicação
e eu ofereço mesmo assim,
palavra por palavra,
como quem tapa um buraco
com areia.
Há um jeito de estar vivo
que se parece com estar quieto demais
numa sala onde tudo se move.
Eu sou o resto da conta
que ninguém veio buscar.
E no entanto,
pasme-se,
isto também é festa:
o resto que sobra é meu,
e é nele que eu moro.
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Sempre espetacular poesia do autor.