🎶Como Você Começou a Escrever?🎶
(Narrado por João Carreira, o poeta do tempo e da ternura!)
Respondendo à pergunta (que alguém muito especial fez) que reverbera em mim como sino antigo, digo: comecei a escrever como toda criança normal começa, ainda com as mãos frágeis apoiadas nos peitoris da infância. Era o abecedário que se erguia diante de mim, capitaneada pela mestra que, com voz enfática, me ensinava a domar as letras como quem doma cavalos bravos. O tempo, entretanto, não cessava sua marcha exacerbada, e como uma ampulheta inevitável, deixava cair seus grãos de areia sobre minha vida.
Escrevi, li, tatuei palavras em cadernos escolares, mas, decerto que, nada de poético havia. Estudei ciências contábeis e economia, esmiuçado entre números e balanços. Em Campinas, minha escrita era fria, quase plasmática: contratos, recibos, memorandos; tudo atabalhoado pelo ofício contábil, sem espaço para o lúdico. E tampouco havia paixão; era como histologia seca, células de papel sem alma.
O gosto pela leitura e talvez até a escrita, surgiu quando minha esposa achou no lixão do nosso condomínio, uma revista, "Você S/A", você, já é interessante para mim e S/A é a sigla de sociedade anônima, tudo a ver comigo, li a revista rapidamente e depois, li novamente, entendo os detalhes. Me apaixonei fazendo uma assinatura por cinco anos. Resumindo, eu li muito.
Mas, foi somente em 2007, após vender meu escritório, que percebi: precisava libertar-me do conluio com a rotina. Parti para o mercado de capitais, e nele descobri outro ápice, a escrita como ferramenta empírica de ensino. Criei meu primeiro blog, analisando a Bolsa de Valores; lia e escrevia todos os dias, nutrindo-me da proficiência técnica. Porém, um episódio inusitado selou o destino: um senhor, antes de adquirir meu curso, leu meu livro e, ao encontrar erros de concordância verbais, digitação e outros, tartamudeou críticas em áudio, humilhando-me com veemência dizendo que jamais compraria meu curso, e que o valor dele R$5.000,00, usaria para aprender sozinho.
Nesse instante, minha filha, como anjo de flanco suave, sussurrou: “Pai, pega esse limão e faz uma limonada”. Foi o bálsamo. O tempo passou, e o mesmo senhor voltou, arrependido, pediu perdão dizendo ter perdido não só os R$5.000,00, mas também, R$ 75.000,00 (seu único capital). A vida, haja visto que, ensina com chicote e ternura. Eu já mergulhava, então, na “Novíssima Gramática” de Cegalla, e cada página era uma asa nova a poisar sobre mim.
No entanto, foi apenas em 2017, ao descobrir a Casa dos Poetas, que as garras da paixão literária me capturaram. Mas, não se iluda, pois, não houve mágica, tampouco banalizei o esforço: escrevo diariamente, na totalidade, mil e quinhentas palavras. Entre crônicas, contos, poemas e pensamentos, já são quase oitocentos trabalhos. De quem lera apenas dois livros até a humilhação, hoje são mais de duzentos e setenta lidos, alguns mais de uma vez.
E assim compreendi: a escrita é lábaro que tremula na ventania da vida. É, sobretudo, simplesmente apaixonante, poisar em palavras como pássaro livre, sem se render ao limbo do ostracismo.
Essência desta crônica: "A vida nos fere para ensinar; a dor não é fim, mas argila moldável. “Transformar limões em limonada” não é mero ditado, é metáfora viva: quem persiste, floresce. Como Ícaro, ousamos o voo; como Dom Quixote, lutamos contra moinhos; e no fim, descobrimos que a poesia é a própria ampulheta da alma — não para medir o tempo, mas para ressignificá-lo!"
Fim!
Que nosso querido —— Deus —— abençoe você ricamente, um forte abraço!
P.S. Nota do Autor: Esta crônica e devaneios, banhados de sol e memória, nasceram da pena sensível de João Carreira — o poeta do tempo e da ternura. Cada palavra é sua, cada silêncio, um eco da alma que escreve com o coração.
Todos os Direitos Autorais Preservados.
©JoaoCarreiraPoeta. —— 10/09/2025. —— 15h54min —— 0786 ——.
Comentários
Querido amigo João, Que crônica linda e profunda!
Cada metáfora que você trouxe do voo de Ícaro à coragem de Dom Quixote nos convida a enxergar a vida além das dores, como argila moldável pelas mãos do tempo. A imagem da poesia como “ampulheta da alma” ficou simplesmente arrebatadora, transformando a leitura em reflexão.
Parabéns, João! Sua escrita toca, inspira e deixa rastros de ternura no coração de quem lê.
Obrigado Therezinha pela linda apreciação incentivadora, acho maravilhoso saber que minha escrita toca seu coração, o meu está simplesmente inundado de gratidão, um carinhoso abraço. ©JoaoCarreiraPoeta.
Sua expressividade é tocante. Somos agraciados na visita a tua página. Parabens
Poxa Lilian, fico encantado com sua expressividade apreciativa, e digo mais lisonjeado estou. Um carinhoso abraço. ©JoaoCarreiraPoeta.
Acompanho e assino em baixo os comentários dos amigos que aqui se manifestaram.
Mas acrescento o meu aplauso e minha admiração ao Poeta e o ser humana que és, João
Meu abraço apertadinho de sempre
Ciducha minha querida, entre os versos que plantei, sua apreciação floresceu, obrigado por regar minha poesia com afeto, um carinhoso abraço.
©JoaoCarreiraPoeta.
Concordo com o poeta Nelson de Medeiros ( Li aqui a alquimia da alma do poeta)
Que leitura extraordinária, empolgante e motivada, tens minha admiração
com certeza,
As dificuldades te fez GRANDE
Quero continuar aprendendo com você!
Parabéns e aplausos
Bjinho
Obrigado Isa
pelo carinho e incentivação, pois,
esta última é um amálgama,
de enleios e escansões onde o tempo se torna permissivo e a memória,
rememorável, portanto,
a gratidão do meu coração é explícita,
um carinhoso abraço.
©JoaoCarreiraPoeta.
Essa sua história e certamente muito bela e poética.
“A poesia é a própria ampulheta da alma — não para medir o tempo, mas para ressignificá-lo!"
Meus parabéns, estimado João, e um grande abraço!
Juan, gratidão por sua visita e apreciação incentivadora, um forte abraço. ©JoaoCarreiraPoeta.
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