M'alma tão triste padece
Das dores da indiferença;
e, mesmo na tua presença,
tu olhas-me apenas por olhar.
Não percebo mais teu carinho,
quando vinhas sorrindo baixinho,
e aquele sublime jeitinho,
tão doce, ao me falar.
M'alma, em algemas, é presa
entre o amor e o ódio,
na imensa masmorra da dor.
E, mesmo que eu tenha certeza,
este ódio invade o meu peito
e destrói este amor.
Entre o amor e o ódio eu me calo:
um terrível fim...
Tenebroso este inverno,
vivendo m'alma no inferno,
por viver assim.
Entre o amor e o ódio, eu me permito,
pois do amor que julguei infinito
apenas restam gemidos
de amor... para mim...
Alexandre Montalvan
Comentários
Espetacular.