ENTRE O SONO E O DESEJO

 

ENTRE O SONO E O DESEJO

No limiar da noite, ela surgia,
e vinha envolta em véus de claridade;
seus olhos, dois abismos de saudade,
tinham a cor da dor que não se esfria!

Jamais tocada, sempre se esvaía,
na dança lenta da minha ansiedade;
mas sumia, ao toque da verdade,
como a bruma que o sol desfaz ao dia!

Então, já no fim da madrugada, volta
e me sussurra um verso derradeiro:
“— O amor é sonho imortal e constante”!

Então desperto só, mas sem revolta,
com seu perfume preso ao travesseiro,
cheio de esperança daquele instante!

                                                                                                                                          Nelson de Medeiros
                                                                                                                                            08/03/2023, no auge da pandemia.

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Nelson de Medeiros

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Comentários

  • Que lindo versar, um verso tocante. Destaque bem merecido

    • Ave, Therezinha. Gratissimo. 1 ab

  • Nelson

    foi demais

    seu versar foi uma flecha certeira

    muito lindo

    um abraço

    • Boa noite, poeta Dimas. Muito obrigado, mesmo. 1 ab

  • Exuberante, Nelson. Flores a ti

    • Ae, bela menina poeta! Recebo as flores e coloco outras flores e te mando, em agradecimento. bj

  • Seus olhos, dois abismos de saudade,
    tinham a cor da dor que não se esfria!

    Na dança lenta da minha ansiedade;
    mas sumia, ao toque da verdade,

     

    Destacado e merecido, uau! Bravo! Espetáculo!   Abraço

  • Belíssimo, soneto!
    DESTACADO 

    Parabéns e um abraço.

     

     

    Este soneto me trouxe inspiração. 

     

    • Ave, Márcia, que venha ao papel tua inspiração! 1 ab

    • Está postado com o título 

      Madrugada de Saudade

      Nas noites insones, a madrugada;  
      A mim é longa, cheia de saudade.  
      Com tua imagem na mente estampada,  
      Te vejo surgir de uma claridade.

      Claridade, que adentra da vidraça;  
      Surges, para aumentar minha agonia.  
      E o mesmo filme na memória, passa  
      Do adeus naquela madrugada fria.

      O tempo segue e teu vulto me abraça  
      No devaneio que está ali presente.  
      No teu abraço sinto que me enlaça,  
      Minha alma anseia o que está em mente.

      Então, desperto deste devaneio.  
      E a saudade, num ato derradeiro,  
      Para iludir este meu louco anseio,  
      Deixa o teu cheiro no meu travesseiro.

      Márcia Aparecida Mancebo 

      Itapeva, SP

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