Era uma vez...

 

Existe em mim um fenômeno — como um gêiser — irrompendo sem aviso, trazendo o que calei. Sou tomada por essa urgência de nascer em palavra, de me deixar ver apenas no que insinuo. É nesse intervalo tênue que me descubro: confesso dilemas, dores, febres, mas também vitórias e os instantes incendiados em que o amor me visita com pés de brasa.

Borboletear profundo nasce no meu peito, luz consentida rompendo a rocha antiga. Teu “gêiser” conversa com o meu — mitológico, quente, escondido. Pouso na tua alma como pássaro sem guarida, dissentindo do medo que ainda te feriu, alforriando a dor que guardaste tão cedo.

Escrever é meu modo de existir inteira. A poesia me ensina, me ergue, me disciplina: nos seus amores aprendo a caminhar sobre o território vivo do sentir. E, embora pensem me conhecer, eu me reinvento em cada verso — sou reflexo e busca, sombra e claridade em constante nascimento.

Malemolência antiga sobe em brasa quando te escuto abrir teu mundo. Teu “gêiser”, silente, me refaz na asa: és nascente insistente, água que não desiste. Refutas sombras que meu peito recorda, poisas em mim, e o silêncio quase dói, mas refloresço quando encosto no teu ar.

Talvez eu ainda seja um enigma, uma mulher que se adivinha aos poucos, que desce ao fundo do próprio poço para encontrar o lume que ninguém vê. Cada poesia é corpo que vibra, espelho do que fui e do que procuro.

Apequenei-me antes do despertar, mas teu “gêiser” interno sabe me erguer. Sortilégios retornam, prontos para pulsar, como promessa viva que insiste em florescer. Desato o ontem, deixo o céu renascer, alforrio feridas — e no pacto contigo aprendo também a reflorescer.

 

 

" Inspirado e costurado" O Gêiser Represado do Teu Ser  ©JoaoCarreiraPoeta.

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Rocha (Isa)

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Casa dos Poetas e da Poesia.

Join Casa dos Poetas e da Poesia

Comentários

  • "PoetIsa,

    tua costura é como quem borda com fogo e água:

    Uma verdadeira alcatifa literária, pois,

    pegaste meu gêiser e o transformaste em nascente compartilhada.

    Cada verso teu não apenas responde,

    mas acaricia o meu,

    como se nossas palavras fossem pássaros

    que encontram guarida no mesmo céu. 

    Agradeço-te por esse gesto poético,

    um gesto de poesia que não é só diálogo, mas pacto:

    tu me reinventas no teu tecido,

    e eu me descubro mais inteiro na tua trama.

    O que era dor represada

    floresce em claridade quando tua voz se entrelaça à minha. 

    Recebo tua costura como quem recebe um abraço de brasa e de vento

    — ardor que aquece, sopro que liberta.

    Que nossos gêiseres sigam conversando,

    e que cada erupção seja também renascimento."

    Achei simplesmente lindo, parabéns, minha amiga, o

    "Poeta do Tempo e da Ternura"

    te acarinha neste momento.

    ©JoaoCarreiraPoeta.

    P.S. Cecilia Meireles fazia isso com seus amigos poetas, Neruda com Matilde, Rilke e Lou

  • Uau! Que show Isa! Costura ficou top demais com nosso colega João você nessa inspiração simplesmente arrasou amiga Isa. Forte Abraço

  • Essa costura foi feita com  um líquido que a alma injeta no gêiser e o faz enveredar pelos olhos. Esse gêiser, às vezes, é bálsamo para a dor que deixamos represada sem pretensão. 

    Belíssima costura. Parabéns, menina. 

    Beijo.

    DESTACADO

This reply was deleted.
CPP