Há uma xícara pousada na mesa
e nela, todo o peso do mundo
finge caber.
O vapor sobe devagar,
como se soubesse
que não tem pressa nenhuma,
e eu, que tenho,
aprendo com ele.
(Alguma coisa em mim
também é vapor:
sobe, se desfaz,
não deixa endereço.)
Lá fora, o dia se arruma
com a mesma luz de sempre,
mas hoje ela pousa diferente
sobre as coisas,
como se a manhã, também,
estivesse aprendendo
a ser manhã.
Bebo. Está quente.
Está exatamente
o tanto de vida
que eu consigo segurar
sem derramar.
Comentários
Sensacional! Parabéns, poeta!