Fragmento de uma Manhã Qualquer

 

Há uma xícara pousada na mesa
e nela, todo o peso do mundo
finge caber.

O vapor sobe devagar,
como se soubesse
que não tem pressa nenhuma,
e eu, que tenho,
aprendo com ele.

(Alguma coisa em mim
também é vapor:
sobe, se desfaz,
não deixa endereço.)

Lá fora, o dia se arruma
com a mesma luz de sempre,
mas hoje ela pousa diferente
sobre as coisas,

como se a manhã, também,
estivesse aprendendo
a ser manhã.

Bebo. Está quente.

Está exatamente
o tanto de vida
que eu consigo segurar
sem derramar.

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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