Quanto tempo vou precisar?
O tempo exato para me recuperar.
Revirar o meu rego.
Meu jardim camuflou-se diante de mim.
O leque cronológico engole, mastiga
e cospe tudo fora.
É inevitável; então, das entrelinhas ao Yeti,
ao Abominável Homem das Neves,
seguimos para que achemos algum lugar.
Passado, infância, avós, ausência...
Não é só isso: há toda a insuficiência.
Solidão, clarão, eu gosto do trovão.
Chama-me a atenção
supor um encontro com uma aberração.
O tempo devora, mas o inconsciente mantém
muitas coisas sob camuflagem.
Já as mal resolvidas,
estas sim, são problemáticas.
Eu tenho que achar algum lugar.
Uma fresta, um despertar de semideus,
onde os séculos são folhas caindo
sobre o meu observar.
E "semideus" soa-me familiar.
De coisas estranhas a sinistras,
pouco resta a surpreender.
Realmente careço de achar algum lugar.
É tempo de fresta, agora brecha.
Alguma fresta, já brecha;
isso já me evoca o inimigo.
[Ênfase]
Algum lugar mais que necessário;
algum lugar para além do abstrato.
O tempo de que vou precisar...
Parte de mim é o que jaz camuflado.
Não terei medo do Yeti;
aberrações podem habitar o reservado.
As musas ultrapassaram meu alcance.
Versos do interessante ao arrepiante.
A checar, a checar...
Por fim, o possível pergaminho.
Eis aí o confuso magrinho.
Quem sabe uma poetisa surja curiosa?
Algum lugar, junto à fresta,
suporte para o inconsciente.
A candidata camuflou-se, e já não importa.
Estou numa rapa com Otherside.
Nada mal para um semideus.
Nada mal, anseio além do igual.
Ciclos são estacas.
É difícil estancar os ciclos.
Pode ser além das frestas,
e muito além dos ciclos.
Comentários
Essencial, cada verso.
Intrínseca relação dos personagens.
Um texto lindíssimo.
Parabéns Poeta!
Parabéns,Luiz por tão belos versos! Adorei! Um abraço
"""É difícil estancar ciclos.
Pode ser além da frestras.
E muito além dos ciclos""" que linda passagem...eu gosto muito de Frestras em Poesia
Prezado Poeta e Escritor Luiz Anthony.
Segue mais uma vez uma síntese literária de seu trecho poético “Fresta”.
“Fresta” nos remete a uma abertura simbólica entre o consciente e o inconsciente.
O texto constrói uma atmosfera surrealista e introspectiva, marcada pela busca incessante de um “algum lugar” capaz de acolher dores antigas,
A narrativa mergulha em imagens densas e simbólicas representando o desgaste inevitável da memória e das experiências humanas. Ainda assim, o inconsciente preserva camuflagens residuais
Destacamos o personagem Yeti, também chamado de Abominável Homem das Neves.
Ele representa muitas inflexões do Poeta
“Semideus” sugere uma figura em transição entre fragilidade humana e desejo de transcendência.
“Musas”, simbolizando inspiração perdida ou inalcançável, e à “poetisa curiosa”
Neologismo ;
Expressões como “leque cronológico”, “tempo de fresta”, “despertar de semideus” e “rapa com Otherside” representações do inconsciente surrealista.
O surrealismo está nas veias do Poeta.
A infância sempre presente.
Destacamos as segundas expressões
“O tempo devora, mas o inconsciente mantém muitas coisas sob camuflagem”
Uma fresta, um despertar de semideus.
Um texto, filosófico e de inquietação em que o Poeta Luiz Anthony transforma sentimentos emocionais em poesia de atmosfera tremeluzente e reflexiva.
Parabéns prezado amigo e Poeta Luiz Anthony por mais esta magnífica publicação.
Abraços fraternos de Fernanda e Antonio Domingos
Amigo Antônio! Seus destaques são jóias enfeitando e fazendo um contorno apreciavel aos meus poemas. Que bom que ti continua destacando, fazendo os passeios na CPP, e receber seu envolvimento é também acolhedor mesmo. Muito Obrigado! Abraço
Muito obrigado amigo Poeta Luiz Anthony.
Uma honra sempre ler-te..
Uma leitura sempre imperdível..
Abraços fraternos