Hoje (2)

Hoje há cor de sangue nas nuvens densas;
trago no sentir bem menos que tu pensas,
e eu caminho sem que eu veja incoerência.

É como estar amortecido pelo tempo,
e que todo o sofrimento estivesse ausente;
este céu de sangue me é indiferente.

Para nós, homens, não há mais o consistente
para deflexão ou parar o sistema,
na trama que é tão maior quanto envolvente.

No mundo em que se deve sempre ir em frente,
não parar, pois este vírus é só para os impuros,
porque o céu é a última fronteira, fatalmente.

Nada dura sobre as pedras ou sobre os muros,
onde o cheiro da pólvora nos oprime;
sem pensar, apenas rangem-se os dentes.

Quando todas as verdades são indecentes,
fecham-se os olhos para não ver o escuro;
por isto ando procurando algo que transcende.

Entre o branco e o azul existem muitas cores,
mas, na desolação, o que impera são as dores,
e fechamos os olhos para estes horrores.

É pena que o perfeito seja inexistente,
ou apenas é como vemos este assunto;
o conjunto não vale nada, infelizmente.

Quando todas as aves do mundo voarem,
tudo acabará e não restará nenhum arbusto;
mas, no céu, ressurgirá o azul e o branco.

Então estarei caminhando e procurando
no chão, sem saber o que eu busco.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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