Hora de ninguém

Três da manhã não pertence ao dia

nem pertence à noite

é um território sem dono,

onde os pensamentos andam soltos

feito gato em telhado alheio.

 

Três da manhã, três da manhã,

o relógio repete baixinho,

como quem reza sem querer rezar,

como quem canta pra não escutar

o silêncio que mora dentro dos móveis.

 

Eu converso comigo em voz que não sai,

pergunto coisas que de dia eu evito:

pra onde vai o tempo que já passou,

que fica das pessoas que a gente perde

além do formato vazio que deixam no sofá.

 

Não é sofrimento, é mais fino que isso.

É a lucidez estranha da madrugada,

quando a alma tira a roupa do dia

e fica só de pensamento, à mostra,

pequena e exata, como deve ser

tudo aquilo que a gente só entende

quando ninguém está olhando.

 

Lá fora um cachorro late pra nada.

Aqui dentro, eu também.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza Kleber!

    Aplausos e meu abraço

  • Que lindo!! Parabéns, Kleber!

     

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