Três da manhã não pertence ao dia
nem pertence à noite
é um território sem dono,
onde os pensamentos andam soltos
feito gato em telhado alheio.
Três da manhã, três da manhã,
o relógio repete baixinho,
como quem reza sem querer rezar,
como quem canta pra não escutar
o silêncio que mora dentro dos móveis.
Eu converso comigo em voz que não sai,
pergunto coisas que de dia eu evito:
pra onde vai o tempo que já passou,
que fica das pessoas que a gente perde
além do formato vazio que deixam no sofá.
Não é sofrimento, é mais fino que isso.
É a lucidez estranha da madrugada,
quando a alma tira a roupa do dia
e fica só de pensamento, à mostra,
pequena e exata, como deve ser
tudo aquilo que a gente só entende
quando ninguém está olhando.
Lá fora um cachorro late pra nada.
Aqui dentro, eu também.
Comentários
Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza Kleber!
Aplausos e meu abraço
Que lindo!! Parabéns, Kleber!