Melancolia tem nome próprio,
e o nome é meu.
Não é adjetivo que me visita,
é substantivo que me habita,
documento que carrego
sem nunca ter pedido.
Chamam-me para o mundo,
e eu respondo com atraso,
como quem atende ao telefone
já sabendo que é despedida.
Melancolia não é tristeza,
é mais discreta, mais antiga,
tem modos de quem já morou
em todas as casas que habitei
e ficou, mesmo quando eu saí.
Assino embaixo do meu nome
o nome dela, sem hífen,
sem vírgula que separe
onde termino e onde ela começa.
Há uma névoa que não é do tempo,
é de mim,
e atravessa os cômodos vazios
como se soubesse os móveis de cor,
como se fosse dona da casa
e eu apenas hóspede antigo.
Não pergunto por que ela ficou.
Pergunto, no máximo,
se um dia terei outro nome
que não seja este,
que não doa tanto
de tão meu.
Comentários
Kleber ou Melancolia - Expressões de muito exito. Parabéns por mais um nobre poema.