MELANCOLIA É UM NOME PRÓPRIO

 

Melancolia tem nome próprio,

e o nome é meu.

 

Não é adjetivo que me visita,

é substantivo que me habita,

documento que carrego

sem nunca ter pedido.

 

Chamam-me para o mundo,

e eu respondo com atraso,

como quem atende ao telefone

já sabendo que é despedida.

 

Melancolia não é tristeza,

é mais discreta, mais antiga,

tem modos de quem já morou

em todas as casas que habitei

e ficou, mesmo quando eu saí.

 

Assino embaixo do meu nome

o nome dela, sem hífen,

sem vírgula que separe

onde termino e onde ela começa.

 

Há uma névoa que não é do tempo,

é de mim,

e atravessa os cômodos vazios

como se soubesse os móveis de cor,

como se fosse dona da casa

e eu apenas hóspede antigo.

 

Não pergunto por que ela ficou.

Pergunto, no máximo,

se um dia terei outro nome

que não seja este,

que não doa tanto

de tão meu.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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