Meus Poemas Suspiram a Melancolia
Meus poemas suspiram a melancolia
como quem carrega uma pedra sem pedir ajuda.
Não é dor que grita, é peso que se acostuma,
é o dia que começa igual ao dia anterior
e ninguém estranha, e isso já é triste o bastante.
Escrevo porque as coisas não se resolvem sozinhas:
a xícara continua fria na mesa,
o telefone não toca por ninguém em especial,
e eu, no meio disso tudo, tento entender
por que a tristeza também tem sua elegância.
Não peço socorro. Apenas registro:
o mundo gira devagar demais para quem espera,
rápido demais para quem quer guardar.
E entre essas duas velocidades erradas
eu vou vivendo, meio torto, meio certo,
carregando essa pedra que ninguém vê
mas que pesa exatamente como a vida pesa.
Meus poemas não choram, eles constatam.
E há uma dignidade estranha nisso:
a de seguir escrevendo mesmo sabendo
que a melancolia não tem cura,
só tem forma.
E a forma, essa eu encontrei.
Comentários
Verdade poeta Kleber! Em cada poema tem um peso, uma alegria ou melancolia. Tentamos viver com ousadia, mergulhdos nos versos da poesia.
Abraços fraternos!
Edith, talvez seja isso mesmo: a poesia não escolhe um único sentimento para morar. Às vezes veste a alegria, outras vezes a melancolia, mas permanece sendo uma forma de continuar respirando o mundo. Fico feliz por nossos olhares se encontrarem nesse caminho de palavras. Obrigado pela leitura generosa e pelo abraço fraterno. Receba o meu também. 🌿📖
Magistral, Caro Poeta, Você é 1000.

Margarida, a poesia sempre exagera quando olha para quem a escreve. Se há algum mérito nos meus versos, ele pertence também aos olhos generosos que os recebem. Seu carinho transforma a palavra em abrigo e faz a escrita acreditar que vale a pena continuar. Muito obrigado pela leitura, pelo incentivo e pela delicadeza do seu coração. Receba meu abraço fraterno.