Não há sangue visível,
mas eu manco.
Atravesso os dias como quem
atravessa um quarto escuro
devagar, com as mãos à frente,
esperando o impacto
que sempre vem.
Os espinhos não têm nome.
São feitos de silêncio acumulado,
de abraços que não aconteceram,
de palavras ditas tarde demais
ou nunca.
Minha alma aprendeu
a não se queixar.
Aprendeu a sorrir no corredor,
a dizer estou bem
com a voz de quem ensaiou
por anos.
Mas à noite
quando o mundo fecha os olhos
ela tira os sapatos
e sente tudo
de uma vez.
E eu deixo.
Porque doer, às vezes,
é a única prova
de que ainda estou aqui.
Comentários
Kleber
Lindo versar
Um abraço