Não há sangue visível,

mas eu manco.

 

Atravesso os dias como quem

atravessa um quarto escuro 

devagar, com as mãos à frente,

esperando o impacto

que sempre vem.

 

Os espinhos não têm nome.

São feitos de silêncio acumulado,

de abraços que não aconteceram,

de palavras ditas tarde demais

ou nunca.

 

Minha alma aprendeu

a não se queixar.

Aprendeu a sorrir no corredor,

a dizer estou bem

com a voz de quem ensaiou

por anos.

 

Mas à noite 

quando o mundo fecha os olhos 

ela tira os sapatos

e sente tudo

de uma vez.

 

E eu deixo.

 

Porque doer, às vezes,

é a única prova

de que ainda estou aqui.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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