Minha doce Melancolia

 

Hoje ela veio de boné.

Sentou na cadeira de balanço

e não balançou.

Disse que estava de dieta,

só ia ficar um pouco.

Fiquei sem saber se oferecia café

ou lhe pedia as contas.

 

Ela conhece a casa.

Sabe onde fica a gaveta

das meias furadas,

o álbum de fotos

que ninguém mais vira.

 

Às vezes canta baixinho.

Uma música sem letra,

sem fim,

que eu já decorei

e não sei o nome.

 

Minha doce melancolia,

tão feia que chega

a ser bonita.

Tão velha que parece

minha filha.

 

De noite ela deita no sofá,

ocupa o espaço todo,

e eu durmo no chão,

feliz,

com ela roncando

no meu ouvido.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Gestores

    Melancolia ronca, o proprietário dorme no chão, espaço todo ocupado, feliz.
    Genial.

  • Lindooooooooooooooooooooo!

    Aplausos, Kleber!

    Abraço

  • Caro poeta Kleber

    A companhia que toda noite deita no sofá, tomando todo o espaço faz de nós humanos felizes por repartirmos espaço com quem nos agrada.

    Um belo poema!

    Parabéns

    Abraços

  • Lindíssimo!!! Parabéns, Kleber!

  • Gostei muito dessa história... com que ama muito!

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