Hoje ela veio de boné.
Sentou na cadeira de balanço
e não balançou.
Disse que estava de dieta,
só ia ficar um pouco.
Fiquei sem saber se oferecia café
ou lhe pedia as contas.
Ela conhece a casa.
Sabe onde fica a gaveta
das meias furadas,
o álbum de fotos
que ninguém mais vira.
Às vezes canta baixinho.
Uma música sem letra,
sem fim,
que eu já decorei
e não sei o nome.
Minha doce melancolia,
tão feia que chega
a ser bonita.
Tão velha que parece
minha filha.
De noite ela deita no sofá,
ocupa o espaço todo,
e eu durmo no chão,
feliz,
com ela roncando
no meu ouvido.
Comentários
Melancolia ronca, o proprietário dorme no chão, espaço todo ocupado, feliz.
Genial.
Lindooooooooooooooooooooo!
Aplausos, Kleber!
Abraço
Caro poeta Kleber
A companhia que toda noite deita no sofá, tomando todo o espaço faz de nós humanos felizes por repartirmos espaço com quem nos agrada.
Um belo poema!
Parabéns
Abraços
Lindíssimo!!! Parabéns, Kleber!
Gostei muito dessa história... com que ama muito!