Nas Cordas do Tempo

 
 Nas Cordas do Tempo
 
Nas linhas que o tempo traça na pele,
há mapas de memórias que, caladas,
ouvem melodias que não repelem
cada ruga que na face é estampada.
 
Na alma há um acorde que ecoa versões:
a que fomos, e a que ainda virá.
Envelhecer traz ao ser transformações;
basta entender e aceitar o que há.
 
Entre a realidade e a quietude há um espaço
onde valsam verdades já caladas,
e os silêncios descansam sem compassos,
que agora são conforto às madrugadas.
 
A vida, este solo que é improvisado,
ensina que rigidez é desafino.
E o mundo, esse vinil todo riscado,
leva a sério até o desatino.
 
O que permanece exalando beleza
é a guitarra com som doce e às vezes triste,
que, mesmo baixinho e com destreza,
ainda canta o que no ser persiste.
 
Márcia Aparecida Mancebo
                  29/10/25

 
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Comentários

  • Que lindeza de versos, Márcia

    Aplausos e meu abraço

  • Márcia

    a cançãopermanece no coração mesmo que em tom baixo, mesmo que os anos ja se passaram mas a canção não sai do coração

    um abraço

  • Maravilhosa Poesia de Excelência... Lindos versos... metáforas valiosas.

    Nas cordas do tempo a guitarra com som doce sobe o tom da beleza.

    Abraços fraternos amiga Poetisa Marcia 

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