No Passo da Zaina

 

No Passo da Zaina

Num puxão, freei o galope,
deixando o resvalo do trote,
no barro da barranca.
Apeei junto à corredeira;
na água fria e ligeira
que a correria estanca.

Pendurei as botas manchadas,
cansadas de estradas,
na forquilha junto ao chicote.
Joguei seixos achatados,
de correnteza lavrados,
que riscam a água em pinotes.

Despi o pesado poncho
e mergulhei no poço,
no fundo, tateando pedras.
Subi no antigo sarandi,
entre brotos, feito guri,
segui formigas lerdas.

Brinquei com o sol, boiando,
de mansinho aquentando
a água devagar.
Ouvi o mastigar da potranca,
pastando na barranca,
sem se apressar.

Um relincho me acordou,
quando o sol se deitou
atrás do capão.
A zaina de passada solta,
uma rã responde da moita,
e a noite me deu a mão.

MHermes.

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MHermes

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Comentários

  • Lindo demais!! Parabéns, Maurício.

    Um abraço 

    DESTACADO 

  • Mauricio

    um versar interessante e diferente

    um abraço

  • Gestores

    Espetacular, Caro Poeta. Parabéns.

  • Saudações das Sagas! Bob-Glo observou seu poema, não que entendeu tudo, mas acho mui interessante e o mato é celebrado com tuas vivências, memórias, encanto de poema bem elaborado. Mesmo sem estar a parte plena, mas percebo o quão foi bem elaborado. Mato é algo que faz falta, ciadade tem o stress e cotidiano. Parabéns!!!!!

  • Segue prezado Poeta Maurício um resumo da síntese literária de sua belíssima Poesia

    Conta que um cavaleiro interrompe a viagem na barranca do rio para renovar as energias no banho de água fria.

    Lindos versos que caminham na Poesia 

    Ao despir as botas e o poncho, ele resgata a pureza da infância em brincadeiras simples e na contemplação da natureza.

    A potranca pastando desacelera o tempo até que o sol se põe atrás do capão.

    O poema celebra a pausa, o despojo do cansaço e a fusão harmoniosa do homem com o ambiente campestre ao crepúsculo que se anuncia.

    A cena se passa em um cenário rural típico gaúcho, à beira de um rio com corredeiras cercado por sarandis e capões de mato.

    """A potranca (égua) Zaina uma personagem tratada na Poesia com bastante proximidade e Amor.."""

    É um refúgio isolado e rústico, onde os sonidos da água, o cheiro da terra e a presença da potranca criam uma atmosfera de paz, encantamento e reconexão com o campo.

    Uma Poesia de Excelência....De costumes, nativista e regionalista ..

    Parabéns prezado Poeta MHermes 

    • Muito obrigado, amigo Antônio! Você leu o meu momento e conseguiu enxergar aquilo que eu quis transmitir. Que bom estar aqui com vocês e receber todo esse carinho que vocês nos oferecem através dos comentários. Fico muito feliz por fazer parte desse espaço. Muito obrigado!

    • Feliz que você gostou dos comentários....

      A gente que faz comentários estamos sujeitos a erros de avaliação... 

      Qualquer equívoco de nossa parte fique a vontade para nos corrigir..

      Avaliar não é tão fácil 

      Uso um método de avaliação e de consultas a Internet.

      Muito obrigado pelas palavras.

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