O Calor da Manhã

Ainda escuro.

E o pão soltando vapor.

Escorados no muro,

esperando o motor.

 

Dos furos do saco:

fugia o aroma, 

cutucava a fome,

adormecida na dor.

 

Meu ônibus vem;

o dele também.

Olhei de soslaio,

traiu-me a barriga.

 

— Aceita um pão?

— Mas como não!

Estendeu a mão,

caíram farelos no chão.

 

Mesmo sem recheio,

mordi bem no meio.

Era só pão...

para mim, quentinho.

 

Subiu os degraus,

a roda girou.

Cheirei as mãos,

mordisquei

a última casquinha.

 

MHermes

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MHermes

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Comentários

  • Gestores

    Muito simples inspiração e muito bonito poema.

    • Eu amo o simples! Muito obrigado! 

  • Inspiração singular e linda. Aplausos

  • Uauuuu! Um luxo esse poema. Parabéns.

    • Sempre amável com meu aprendizado, muito obrigado! A gentileza mostra o coração puro, e a delicadeza ensina. Um amor!

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