Há uma luz que só existe
enquanto a estou olhando.
Depois que os olhos se fecham,
já não é a mesma, é outra,
é lembrança se fingindo
de coisa que ainda dura.
Toco a casca de uma árvore
e sinto que ali começa
tudo o que nunca se explica:
o tempo que não tem pressa,
a seiva que sobe em silêncio,
a folha que não pergunta
por que nasceu, por que cai.
As coisas não precisam de mim
para serem verdadeiras.
O rio não sabe que é rio,
a pedra não sonha ser eterna,
e é essa inocência inteira
que me ensina a estar aqui.
Vivo dentro do instante
como quem mora numa gota:
pequena casa de luz,
que treme, brilha e não pesa,
e cai, não porque acabe,
mas porque cumpriu sua beleza.
E se alguém me perguntasse
o que é, afinal, o mundo,
eu diria: é isto, o vento
tocando o que não se guarda,
e eu aqui, sem explicar nada,
só sentindo que sou parte.
Comentários
Lindoooooooooooooooooo!
DESTAQUE merecido!
Mais um texto belíssimo. Parabéns!
DESTACADO
A vida, a existência, esse segundo! Parabéns!