O Quilate das Marés Secretas
Apôsto ao mês de agosto um insólito entreposto,
onde o quilate da pedra lapidar o seu embate;
nas cavernas, riscos rupestres recompõem nosso rosto,
e a civilização das ossadas sigilosas dorme sob o quilate.
Mar, meu Lar — nas Marés Secretas quero navegar,
numa viagem de perigosidade, sem bússola ou cais;
vem a tempestade sonsa, ensaiando o verbo naufragar,
enquanto o vento assobia alfabetos abissais.
Há uma indesejada articulação temporal
no tempo de chuviscos, paradoxalmente atemporal;
minha Alma inquieta abriga desejos secretos,
e pulsa na cadência clandestina dos manifestos.
Desperta o pujante Vulcão das lavas de gelo:
que apelo! … um vulcão vulcânico rasgando o firmamento;
lavas em brasas criam asas, derretem esqueletos no degelo,
e a Terra escreve em fogo seu testamento.
Tragédia grega: Dioniso dança entre a cinza e a razão,
mas Gaia, Mãe-Terra, pergunta: “Que fizestes da Natureza?”
Ares, deus da guerra, responde empunhando a destruição:
“Venci batalhas … e perdi para sempre a beleza.”
No jornal, uma tira de mentira a fabricar outra verdade,
e a manchete veste máscaras para ocultar o desatino;
sandices perpetuam a ignorância pela cidade,
enquanto a mesmice brinda ao próprio destino.
Mas flores sem nome rompem rachaduras das rochas frias,
sem jardineiro, sem brasão, sem pedir autorização;
fazem de si mesmas um buquê de rebeldes poesias,
beleza natural que dispensa qualquer explicação.
E o Amor nasce justamente do meio copo vazio,
primeiro tímida raiz procurando água no chão;
depois aprofunda-se, enfrenta pedra, abismo e desvio,
até tornar meio copo cheio o deserto do coração.
Há uma maravilha de corrupção em plena ação,
perpetuação da mentira, esgotamento da mesmice;
o Poder constrói seu trono sobre a desinformação,
e chama de sabedoria a própria sandice.
Parabéns por este Estado Menor …ironia soberana…
onde a Soberania é roubada pelo Poder e seu aparato;
o Artefato Atômico faz sombra sobre a espécie humana,
enquanto a paz procura abrigo longe do artefato.
Ainda assim, das ossadas pode germinar outra memória,
das cavernas pode emergir um alfabeto de claridade;
nenhuma lava incinera para sempre a nossa história:
Quando o Amor cria raízes, até a pedra aprende
humanidade.
Fim
Antonio Domingos Ferreira Filho
09/08/2026
Comentários
Quanta sensibilidade expôe nas linhas.... o poeta fala de amor e filosofa sobre o mesmo nunca perdendo seu estilo e romantismo. Parabens
Agradecido amiga Poetisa Lilian por valioso comentário..
Uma honra ter suas palavras generosas...
Abraços fraternos sempre
Show.... Parabéns, Antônio!
DESTACADO
Um abraço
Agradecemos demais aqui em casa sua atenção e apreciação... Também pelo lindo Destaque ao nosso trabalho..Um grande incentivo
Abraços fraternos nobre Poetisa Marcia... Felicidades sempre
Antonio
um versar que faz a gente viajar por varios lugares e ainda aprender coisas novas
um olhar poético genuino e de grande porte
um abraço
Que lindeza de versos, Antonio!!
Li e reli, meu amigo
Meu abraço
Agradecemos demais nobre Poetisa por sua atenção e comentário de valores..Una honra para nós.. Poetisa Ciducha.