Querida dor que me consome,
fazes parte deste meu intento de viver.
Meu corpo se liquefaz em espuma,
e uma finitude cega não me deixa ver
que tu és a essência que me perfuma.
Amada dor que talha o meu destino,
rasga-me a carne na triste paisagem;
objeto precioso que faz meu tino
desfazer-se em um rio tormentoso
e sem margens.
Libidinosa e atroz, tu me extasias,
perversa e embriagante
na lascívia delicada dos teus braços.
Faz-me as chagas conhecer;
feres meu corpo com os dedos delicados da agonia.
Humano que sou: falho, tolo e desregrado,
caminho descalço neste rio de prazer,
para o único fim: morrer.
Alexandre Montalvan
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