Teu Nome na Minha Boca

 

Eu não queria o mundo

queria apenas

que tu existisses

no mesmo quarto

que eu.

 

E exististe.

 

Agora o teto

tem o mapa

de dois respirares

que se perderam

um no outro

e não querem

ser encontrados.

 

Beijei te

como quem beija

a própria água

depois de séculos

de sede.

 

Não era boca

era fonte.

 

Não era língua

era oração

que o corpo

ainda não sabia

que precisava fazer.

 

Tu me deixaste

com a pele

toda em flor.

 

Cada poro

é uma janela

aberta

para o teu nome.

 

E quando a noite

me perguntar

por que brilho assim

no escuro,

eu direi:

 

porque alguém

me tocou

como quem toca

algo sagrado

e o sagrado

nunca mais

sai da gente.

 

Se isto é amor,

que seja doença.

 

Se isto é doença,

que não tenha cura.

 

Eu só peço

que, quando o dia

te levar de mim,

deixes um dedo

ainda preso

ao meu

só para eu saber

que o paraíso

não foi

invenção

minha.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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