Eu não queria o mundo
queria apenas
que tu existisses
no mesmo quarto
que eu.
E exististe.
Agora o teto
tem o mapa
de dois respirares
que se perderam
um no outro
e não querem
ser encontrados.
Beijei te
como quem beija
a própria água
depois de séculos
de sede.
Não era boca
era fonte.
Não era língua
era oração
que o corpo
ainda não sabia
que precisava fazer.
Tu me deixaste
com a pele
toda em flor.
Cada poro
é uma janela
aberta
para o teu nome.
E quando a noite
me perguntar
por que brilho assim
no escuro,
eu direi:
porque alguém
me tocou
como quem toca
algo sagrado
e o sagrado
nunca mais
sai da gente.
Se isto é amor,
que seja doença.
Se isto é doença,
que não tenha cura.
Eu só peço
que, quando o dia
te levar de mim,
deixes um dedo
ainda preso
ao meu
só para eu saber
que o paraíso
não foi
invenção
minha.
Comentários
Caro poeta Kleber
Um poema muito bem construído.
Parabéns!
Abraços
Uau! Quanta inspiração! Quanta beleza tem o seu poema! Aplausos!