Instinto

 

 

Instinto

 

Barreira de fumaça que o meu olhar embaça

Que entristece o meu coração

É assim a selva que o homem devasta

É assim a selva da ambição.

 

Os estalidos da floresta que grita

As fagulhas do fogo que sai do chão

Que espantam a ave e a fera ferida

Não afugentam o rei leão.

 

Do outro lado da espessa cortina

Que separa leoa e leão

Dois filhotes esperam em agonia

Por alimento e proteção.

 

Aos urros o rei segue o instinto

Pisa em brasas, enfrenta a escuridão

E reaparece em meio à fumaça

Que separava leoa e leão.

 

Unidos pela força que rege vida

E que aos fortes faz distinção

Segue pela floresta destruída

A família do rei leão.

 

Fico a pensar nesta cena:

Com o instinto da vida, o leão

Enquanto no homem, que pena:

Somente maldade e destruição.

 

Dolores Fender

31/01/2018

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Respostas

  • Gestores Adm

    Passando para conferi.

  • Cumprimentos pelo extraordinário bom gosto e também pelas majestosas composições que escreve.

  • Magnífico, Dolores! Minhas reverências!

  • Gestores Adm

    Uauuu! Que beleza de peoma! Sintonia perfeita com a imagem.

    Parabéns, Dolores!

  • Belíssimo e triste

    Belo no desenho da impetuosidade do rei leão (instinto de vida e proteção), triste na ferozidade da destruição humana (instinto de morte).

    Obs.: Na realidade, quem caça não é o leão, é a leoa. Ele só dorme a maioria do tempo (18h de sono de beleza, é por isso que é tão lindo).

    Beijos!

    Nina

     

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