
Casa de repouso
Abandono do lar
Filhos esquecem os pais
Que um dia jurou amar
A solidão é grande
Só resta esperar.
Lar do idoso
Do abandono da família
Chamam de segurança
Mas que ironia
Muitos nem visita
Já não existe alegria.
Tantos idosos reunidos
A solidão ali presente
A espera de um carinho
O filho vive ausente
Esquece dos pais
Sua vida segue em frente.
De nada eu duvido
Pode até ser bem cuidado
Com certeza vem a saudade
Da sua vida no passado
Muitos se trancam
Preferindo ficar calado.
Vivendo em lugar estranho
Buscam em Deus paciência
lembrando dos seus filhos
Aprendendo outra convivência
Muitos jamais aceitam
Essa nova experiencia...
Lembrando da sua casa
No frio da noite chora
Cuidou tanto dos filhos
Na velhice foram embora
Deixando abandonado
Apenas esperando a hora.
A velhice não é ingrata
A família que é ingratidão
Abandona por ser velho
Deixando na solidão
Nem lembram que existe
Amor em seu coração.
Nas madrugadas frias
Lembra do seu cobertor
Do cafezinho quente
Da casa feita de amor
Mas o tempo foi cruel
Só lhe restando a dor.
Passa o tempo se recordando
Fingindo felicidade
Mas ao deitar-se no travesseiro
Lembra de toda maldade
Aquele que criou com carinho
Por ele não teve caridade.
Quantas noites sem dormir
Ao lado do filho doente
Corria para hospital
Se sentindo impotente
Ao ver seu amado filho
Sofrendo tão inocente.
Se o filho ralava o joelho
Os pais sofriam ao lado
Enxugavam suas lágrimas
Ficava com ele abraçado
São tantas injustiças da vida
Pelo próprio filho abandonado.
Está velho e cansado
Sem tempo para cuidar
Acham que é um transtorno
Pois precisa trabalhar
Esquecem que o velho
Lutou para educar.
Acham ser trabalho demais
Preferem colocar num asilo
Ou casa de repouso
Diz viver mais tranquilo
Sem um velho para cuidar
Nem mudar o seu estilo.
Estilo de vida tranquila
Gostando com sua herança
Esquece de quem lhe deu
O amor desde criança
Hoje o que o idoso recebe
É desprezo e doença.
Morrendo a cada dia
Abandonado pelos filhos
Morrendo de solidão
Virou um empecilho
Se é para viver essa sina
Preferia ser um andarilho.
Quem sabe encontrava alguém
Que por amor fosse bondoso
De lhe dar um abrigo
Com um café saboroso
Assim esquecia os dias
Seria mais cuidadoso.
Pensaria no passado
Onde existia alegria
Uma casa cheia de filhos
Com amor e harmonia
Ficou velho, o amor acabou
Hoje vive de fantasia.
Irá Rodrigues